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segunda-feira, 13 de julho de 2009

Porque estão os sócios a abandonar o clube?

Não tenho a resposta, mas acredito que estarão aqui algumas possibilidades. Antes de perceber porque há sócios a abandonar o clube, acredito que devemos perceber o porquê de se terem tornarado sócios. Identifico à partida algumas razões: ser o clube da cidade/região, gostar de assitir a um jogo de futebol, ter praticado desporto numa das modalidades amadoras ou na academica, ter acesso em condições mais vantajosas às piscinas, ou simplesmente...porque sim, porque alguém da sua família passou o orgulho em ser-se do Beira-Mar. Quando vemos a quantidade de pessoas que deixam de ser associadas, a primeira conclusão que chegamos é que o clube afastou-se da sua principal razão de ser: o seu sócio. A culpa nunca é do sócio, mas sim do clube que preferiu dedicar a sua atenção para uma equipa de futebol ou a outra coisa qualquer e esqueceu-se que a sua base é constituida por sócios.

Os últimos anos do Beira-Mar são o perfeito exemplo do que não fazer para fidelizar um sócio. Todos se lembram de frases como "os sócios não representam nada no clube, são apenas 2% do orçamento" ou "quem quiser falar mal que venha fazer melhor". O clube perdeu capacidade (e vontade?) de comunicar com o exterior. Há quantos anos não recebo uma carta? Um mail? Qualquer coisa que diga "nós não nos esquecemos de si". O clube já não coloca cartazes no centro da cidade a lembrar que Domingo há futebol (e já agora basquetebol e futsal). Ter alguma informação no site do clube é cada vez mais insuficiente (o site do clube não diz sequer as categorias de sócios e respectivos preçários!). A equipa de futebol em nada se identifica com a cidade. São magotes de jogadores que todos os anos chegam e saem sem sequer decorar a primeira frase do hino do Beira-Mar (não existirá na formação do clube gente que faça pelo menos o mesmo e bem mais barato?). O espetáculo é pobre e deprimente. As bancadas vazias tornam um estádio que fugiu do parque frio e desconfortável. Os bares não funcionam. Já não há tremoços e gelados. Há tanto por fazer...

Por tudo isto (e muito mais que poderia ser dito, como por exemplo a forma como se tratam atletas de formação no clube), não me espanta este resultado no actual número de sócios. Não seria de esperar outra coisa de um clube que só se lembrou que vive dos associados no momento de actualizar a numeração. Verdade seja dita que o Beira-Mar nunca teve 9000 sócios pagantes. Teve esse número quando há alguns anos atrás voltou a inscrever automaticamente como sócios os atletas da formação. Por qualquer razão, essa política foi cancelada, ou seja, nem uma lógica coerente para o estatuto de associado conseguimos ainda definir. Acredito que alguns passos foram dados no último ano mas não há milagres enquanto, de uma vez por todas, não percebermos o que queremos e o que vamos fazer como lá chegar. E esse sim é, na minha opinião, o principal problema do Beira-Mar.

13 comments:

Pedro Nuno disse...

Ando pela rua, de porta em porta, a sensibilizar as pessoas que deixaram de pagar as quotas para o voltar a fazer. Na maior parte das vezes levo nega, no entanto ouço com atenção as pessoas e as justificações, entre as quais destaco três:

1ª “O cobrador deixou de cá vir e mais ninguém me disse nada.”

2ª “Tive problemas com os seguranças que implicaram comigo e não me deixaram entrar” (refira-se que estes seguranças são os supporters que em nada se identificam com o Beira Mar, que criam problemas por tudo e por nada e que apenas ali estão para ganhar o deles não facilitando onde podiam facilitar. No estádio velhinho os porteiros eram da “casa”.)

3ª (PRINCIPAL) “Antigamente, quando o estádio era aqui, ainda ia. Gostava muito dos passeios: para lá íamos entusiasmados e a prognosticar o jogo, para cá vínhamos a comentar o jogo”.

Cedo me apercebi que o novo estádio de Aveiro ia ser uma “fraude” para o Beira Mar, sócios, adeptos e até Aveirenses em geral: distância do centro da cidade (prejudicial especialmente para aqueles de idade mais avançada), o frio que provoca no Inverno, deficiente organização da MoveAveiro no transporte de adeptos em dias de jogo e, principalmente, falta de calor humano e pressão aos adversários e até mesmo a árbitros.
Sempre fui apologista do retorno ao antigo Mário Duarte. É lógico que seriam necessárias algumas obras de melhoramento, mas julgo não ser por aí que a ideia não se pode (ainda) concretizar. Os balneários poderiam ser nos antigos armazéns da CMA, completamente ao abandono, criando um novo túnel de acesso ao campo; as acessibilidades não são más e estacionamento existe em grande quantidade na zona da Universidade que se encontra vazio ao fim de semana. Por outro lado o apoio à equipa iria fazer-se sentir de forma muito mais intensa, não só para o Beira Mar mas também para as equipas visitantes que sentiriam um ambiente hostil.
O EMA em nada se identifica com o Beira Mar nem com a cidade de Aveiro.
À atenção da Comissão Administrativa e ao Eng. Mano Nunes (defensor do regresso ao “Velhinho”.

P.s.- Hoje fui a casa de um senhor (António Oliveira Santos Batista, de 88 anos) cujas quotas deixaram de ser pagas em Março de 2004 (mais/menos na altura em que se mudou para o novo estádio). Comoveu-me a forma como ele falava do antigo Estádio Mário Duarte, sempre com os olhos brilhantes e aquela lágrima saudosista. Reparei e colei na maneira sincera e vivida como ele descrevia o “Velhinho” e o ambiente em dia de jogos (nomeadamente contra Académica, Feirense, Espinho, Oliveirense, etc.).

Francisco Dias disse...

Pedro, fantástico testemunho!

S.Cruz disse...

Mas o Beira-Mar não é só um estadio nem tão pouco é só futebol.
E hoje não faz qualquer sentido voltar ao Mario Duarte, nem tão pouco viavel, por muitas saudades que tenhamos desses jogos.

Anónimo disse...

Essa questão dos seguranças tem mais peso do que muita gente pensa. Eu próprio já jurei que à terceira vez que me chateiem não volto a pôr lá mais os pés. A 1ª foi por causa do telemóvel, a 2ª obrigaram-me a tirar tudo dos bolsos por causa da carteira. Parece que somos todos uma cambada de terroristas a julgar pelo rigor das apalpadelas. Uma palhaçada!

+ beira-mar disse...

Francisco, estou completamente de acordo...

Um grande abraço.

1 elemento do + beira-mar

Anónimo disse...

Finalmente um grande texto! Parabéns Francisco, bela reflexão. E totalmente de acordo, sem dúvida...

André Raio disse...

Parabéns pelo testemunho Francisco.
Apesar de não concordar no regresso ao Mário Duarte, compreendo e respeito quem tenha essa opinião.
Abraço.

Jose Ribeiro disse...

Nem mais, nem menos, totalmente de acordo!

Francisco Dias disse...

Atenção, eu não disse com este post que defendo o regresso ao antigo Mário Duarte. Disse que o Beira-Mar ainda se encontra muito ligado ao antigo estádio. E é um facto que ainda ninguém interiorizou o novo estádio como a nova casa do Beira-Mar. Acho que todo o processo foi mal conduzido, não defendeu os interesses nem da CMA nem do clube. Ainda estamos a pagar a factura do Euro2004...

Pedro Nuno disse...

Francisco:

A euforia de nos levar a organizar o EURO 2004 não nos deu tempo para parar e reflectir. Até eu, talvez o maior defensor do regresso ao “Velhinho”, me entusiasmei em demasia aquando a construção de um novo estádio em Aveiro, sem me aperceber do que poderia vir acontecer no futuro.
Sejamos sinceros: a construção foi má para todas. E continuo crente que velho estádio Mário Duarte com algumas obras ficaria operacional.
O EMA é uma aberração à imagem do arquitecto Taveira, que o projectou se calhar sem saber que quem lá jogava era o Beira Mar da cidade de Aveiro, daí não haver nada, mesmo nada, que o identifique com o clube, cidade e suas gentes.
Podem-me chamar retrógrada (se calhar até sou) mas a minha opinião irá manter-se, e tenho um feeling que um dia ainda se pode vir a tornar realidade, em prol dos Beiramarenses e Aveirenses.

Não venham com a cantiga “O Beira Mar tem de olhar para o futuro, com o novo estádio”. Isso para mim é cantiga. Com obras a fundo (lógico que é necessário dinheiro) o verdadeiro estádio Mário Duarte ficaria bastante funcional.
Quanto ao Ema: vendam-no para espectáculos, corridas de automobilismo, ou até uma praça de touros. Se calhar até tiravam mais proveito.

“O FUTEBOL É O DESPORTO MAIS ARCAICO QUE PODE EXISTIR. O FUTEBOL É DO POVO E NÃO DOS BURGUESES. NÃO AO FUTEBOL MODERNO.”

RC disse...

Uma boa reflexão que toca em pontos nevrálgicos da questão. Aquele estádio foi construido para cumprir um desígnio nacional (o Euro) e para ser uma obra de fachada do regime (autárquico). Sem ser pensado maduramente e sem se medir as consequências do seu afastamento da cidade. Os resultados de tudo isso passam hoje muito pelo afastamento dos aveirenses em relação ao seu clube. E em relação aos chamados seguranças, como sempre em Portugal somos desproporcionados e exagerados e aquela revista a que nem todos estão dispostos a ser sujeitos roça de facto muitas vezes a palhaçada. Quanto ao estádio antigo, era nele que cabia a alma beiramarense e vai demorar até que o esqueçamos. Temas que dariam muito pano para mangas...

Jose Ribeiro disse...

Para quem não sabe amanha às 17h Beira-Mar vs Trofense no antigo Mario Duarte.

S.Cruz disse...

"Com obras a fundo (lógico que é necessário dinheiro)"
tb se aplica ao novo, para o tornar mais nosso...
e com mais logica...