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terça-feira, 23 de março de 2010

SAD? Jamais!

Dizia-me há tempos um amigo dirigente de topo de um grande clube português: «Dantes, antes de termos uma SAD, as Assembleias Gerais do [...] eram uma preocupação e uma chatice. Apareciam mais de 2.000 sócios a querer dar opinião, a querer intervir, a querer dar palpite em tudo, a querer saber tudo, o que se podia e o que não se podia dizer. Após a criação da SAD passou a ser uma tranquilidade! Nas Assembleias da SAD só intervêm e têm direito a voto os accionistas com mais de [...] acções. Resultado: são reuniões calmíssimas, sem chatices nem problemas. Uma tranquilidade. Só lá aparece quem lá mete o dinheiro. Acabaram-se os problemas e as chatices da Assembleias Gerais».
Quando vejo o SC Beira-Mar confrontado com a possibilidade de ser constituída uma SAD para o futebol, recordo esta conversa de há uns tempos e, por ter tido possibilidade de estudar a sério e a fundo a matéria, por dever de ofício, quando a lei respectiva foi votada, insurjo-me contra o mérito da proposta e o processo em curso.
Sobre o mérito da proposta - já ouvi quase todos os argumentos possíveis e imaginários em defesa da criação da SAD. É preciso salvar património ameaçado por penhoras de ex-dirigentes e por dívidas a credores vários; é preciso garantir a manutenção das modalidades amadoras; é preciso garantir a viabilidade do Clube; é preciso rentabilizar a marca «Beira-Mar». Nenhum destes argumentos me convence a ponto de justificar a criação de uma SAD. Nenhuma razão de momento ou de circunstância pode determinar opções estruturais. Não ouvi, talvez por ser demasiado prosaico e pragmático, aquele que, em minha opinião é o verdadeiro motivo que determina esta proposta: há um grupo de pessoas que está disposta a investir no futebol do SC Beira-Mar e, muito legitimamente, quer poder gerir esse mesmo futebol da forma que bem entender, remunerar esse investimento se a tanto houver lugar, e quer fazê-lo sem ter de prestar contas aos sócios do Clube, sem ter de se sujeitar a Assembleias Gerais e a essas maçadas que supõem a gestão dum Clube desportivo. Felizmente que neste debate ainda ninguém se lembrou de dizer (que eu tenha visto) que as SAD's são indispensáveis para a boa gestão dos clubes. Se o argumento viesse à baila, lá teria de recordar que há SAD's bem geridas e SAD's mal geridas, da mesma forma que há Clubes bem geridos e Clubes mal geridos. A capacidade de gestão tem a ver com os méritos de quem gere, muito mais do que com o modelo jurídico da entidade gerida. E, de passagem, sempre poderia recordar também que o Barcelona, por exemplo, não precisou de formar nenhuma SAD para dominar o futebol europeu; ou, no pólo oposto, que não foi pelo facto de ter criado uma SAD que o Boavista escapou da falência ou da insolvência.
Mas também o processo em curso me merece os maiores reparos e as maiores censuras. Um Clube transparente e com processos e métodos sérios explicaria esta proposta aos seus associados de forma detalhada, calma, em diferentes sessões, ouviria opiniões antes de decidir. Enfim, actuaria de forma seriamente transparente. Ora, que vejo eu neste processo? Que o mesmo será apresentado numa sexta-feira para ser votado numa segunda-feira seguinte. Com o devido respeito e medindo muito bem o alcance das palavras - isto não é uma metodologia séria. Isto é querer aprovar um projecto estruturante às pressas, pela sucapa ou pela calada, sem informação suficiente, sem debate exigido e necessário.
Decerto - eu sei muito bem qual a razão desta pressa. Poupem, pois, os arautos da estratégia, argumentos suplementares para esclarecer a razão desta pressa porque quem está por dentro da metodologia, dos requisitos e pressupostos necessários à constituição duma SAD percebe perfeitamente qual a razão desta pressa. Lamento e verbero, porém, duas coisas: que, uma vezmais prevaleçam os interesses dos potenciais interessados em detrimento dos interesses do Clube; e lamento, sobretudo, que o Senhor Presidente da Assembleia Geral do Clube tenha embarcado no jogo e não se haja erigido, como estatutariamente se lhe impõe, em defensor e provedor do esclarecimento dos sócios, recusando marcar apressadamente uma Assembleia Geral sem ter a certeza e a garantia que uma proposta destas seria suficientemente debatida e percebida antes de ser votada.
Uma observação final - entendo, há muito, que o que falta ao SC Beira-Mar é aproximar o Clube dos sócios e estes do Clube. A criação da SAD não vai potenciar esse desiderato. Bem pelo contrário. Vai afastar os sócios do Clube. Vai pedir aos sócios que se limitem a ir ao Estádio apoiar e fazer barulho. Mas vai-lhes negar qualquer poder para interferirem ou serem ouvidos em matéria de futebol. Os sócios, que não são parvos, vão perceber o que está em causa. E, ou muito me engano, ou acabarão por responder virando as costas ao Clube. Do que não tenho dúvida absolutamente nenhuma é que estaremos em face de uma transformação decisiva e definitiva da matriz do nosso Clube. E isso não me agrada. Sobretudo feito assim, de uma forma pouco transparente. Sobretudo pelos efeitos que a mesma potenciará.
Oxalá me engane. Mas não o creio.

29 comments:

Anónimo disse...

Isto faz-me lembrar a estória do Velho, do Rapaz e do Burro ..., Lembram-se?
Carlos Tomé

Anónimo disse...

Eu entendo por bem a criação de uma SAD, no entanto defendo a criação de um modelo diferente, onde para alem da SAD houvesse um presidente que em conjunto com os socios, elegessem um administrador para a SAD. Para não retirar o total poder aos socios. Concordo com o ponto que possivelmente havera mais afastamento dos socios, a menos que aconteça a situação do Braga (que nao vejo em Aveiro ninguem capaz dos mesmos feitos) e derrepente passemos a ter enormes sucessos desportivos. Outro factor que pode ser prejudicial para a SAD antes do final da epoca e a possibilidade da oliveirense subir, ou seja resultaria num menor numero de empresarios nao so para patrocinios como possiveis investidores. Tal como vem hoje no record, segundo este jornal ha essa possibilidade e entendo ser a mais indicada, seria manter a CA ate final da epoca. Pois podemos estar a fazer grandes planos e fruto de alguma instabilidade ainda acabamos por nao chegar a primeira. Conclusão: SAD, sim, mas em moldes nao comuns, criando um modelo de gestao diferente do comum. SAD, sim, mas começar a tratar das formalidades depois de assegurada a subida.

Nuno Q. Martins disse...

Caro João Pedro Dias,

Com todo o respeito, mas permita-me que lhe pergunte onde ouviu ou leu o argumento de que a SAD poderá servir para "salvar património ameaçado por penhoras de ex-dirigentes e por dívidas a credores vários". Isto é impossível e não acerdito que alguém informado tenha dito ou escrito tal afirmação.

Relativamente à relevância da boa gestão em qualquer modelo, estamos de acordo.

Embora não concorde com a maioria dos argumentos que apresentou, pois partem dum pressuposto equivocado de que actualmente os sócios mandam muito na gestão dos clubes com futebol profissional, vou aceitar tudo o que disse no texto e, se me permite, pedir-lhe que apresente qual a sua alternativa para viabilizar o futebol profissional e/ou o clube, conhecendo-se a actual situação financeira.

Se tiver uma proposta consistente, talvez me convença de que existe um caminho melhor do que o da SAD.

Um abraço.

João Pedro S. Dias disse...

Meu caro Nuno Q. Martins,

É exactamente o facto de alguns argumentos que circulam serem por completo destituídos de fundamento (e até impossíveis) uma das razões que tentei expor para justificar a não adesão ao projecto. Sem citar terceiros, o argumento da salvaguarda do património era apresentado ainda hoje em volta duma simples mesa de café por sócios do Clube que conversavam sobre o assunto. Tentei esclarecer mas ao mesmo tempo fiquei esclarecido sobre a falta de esclarecimento que por aí anda.

E daí ter defendido que um projecto desta natureza não pode ser apresentado numa sexta para ser votado numa segunda-feira. É preciso o projecto ser apresentado, ser discutido, ser percebido e só depois submetido a sufrágio dos associados. Reparei que não contraditou este meu argumento.

Pergunto - com que percentagem fica o Clube na SAD? Percentagem directa e percentagem indirecta? Há garantias de que o Clube controlará a SAD (e sabe como isso se faz, através de participações directas e indirectas no capital social) ou será meramente minoritário, circunscrito ao que a lei permite de participação em termos directos?

Ainda - qual vai ser a estrutura accionista da SAD? Pode esclarecer-nos já, dando-nos mais tempo para pensar e avaliar a decisão?

Mais - toca num ponto que considero relevante: a situação financeira do Clube. Aquilo que se vai ouvindo é do mais contraditório possível. Retomo a «velha» história da penhora dos ex-dirigentes. Sei que eles se dizem credores de determinadas verbas e que o Clube impugna a sua existência ou exigibilidade. Afinal em que ficamos? O BM deve-lhes ou não lhes deve dinheiro e quanto lhes deve? Recordo que algumas SAD's que foram constituídas em Portugal foram antecedidas por rigorosíssimas auditorias que visaram apurar a real situação financeira dos Clubes. Talvez não fosse má ideia começar por aí.

E só depois de conhecidos esses dados, com todo o rigor e transparência, se poderão equacionar todos os cenários. O da SAD e os alternativos.

Um abraço
JPD

Post-Scriptum: os comentadores que se servirem desta caixa de comentários não para o debate elevado mas para o jogo rasteirinho da ofensa e da calúnia, quase sempre a coberto da edificante regra do anonimato, típica de quem se envergonha de si mesmo,não verão os seus comentários publicados. É uma prerrogativa que os autores dos posts têm e de que não abdico. Esses comentários têm a caixa do lixo como destino imediato. São essas as regras deste blog, apresentadas em tempo devido e por quem de direito. Quem quiser comentar, ainda que para discordar, utilizando as regras mínimas da educação e do confronto leal de argumentos, seja bem-vindo ao debate!
JPD

Anónimo disse...

concordo com o Joao Pedro Dias num aspecto,acho que seria necessario mais tempo para os socios estarem bem informados e ponderarem muito bem,ate porque nos,socios,somos os donos do clube.outra coisa,se for aprovado a constituiçao de uma sad,o beira mar tera de viver para sempre como uma sad?o que ganharao os que investirem na sad?o que podem perder?nao estou muito dentro do assunto mas,esse dinheiro dos investidores nao sera a fundo perdido? se assim for nao precisam de sad para o fazer..o beira mar neste momento tem varios activos,tanto em jogadores profissionais quer em treinador,se o vilas boas vale 1 milhao....quanto valera o Mister leonardo?o kanu nao podera render 700000 euros?o rui sampaio,o wang?se o beira mar for promovido a liga sagres,nao so aumentara a receita bilheteira como televisiva,e ate mesmo a receita dos patrocinadores..sera mesmo a unica soluçao a SAD? e porque nao,ja agora uma auditoria as contas do beira mar? lembro so que na direcçao do autur filipe o beira mar bateu o seu record de dinheiro ganho em transferencias,bateu o record de receita de um jogo..algo nao bate certo,desd isso a cheques a meia noite..

Anónimo disse...

CARO joao n penses que es um heroi meu , ve se atinas


marcio pinto

Anónimo disse...

Ser contra é facil, qualquer socio arranja argumentos mais que suficiente, o problema é saber ou adiantar soluções perante casos concrectos e a caso em apreço é a situação do BM.
Sou contra, por principio, mas não vejo alternativas.
Francisco Ferreira

Daniel disse...

Caro João Pedro Dias. Muito me apraz ver que, embora de uma forma um pouco envergonhada e pouco explícita, apresenta aqui a sua candidatura à presidencia do Sport Clube Beira-Mar, que só peca por tardia; podia-nos ter poupado à constituição de 2 Comissões Administrativas nos ultimos anos e a termos estado sem rumo e sem leme a certa altura desta época desportiva; mas mais vale tarde que nunca.

Louvo-lhe a coragem, porque é o único Beira-Marense que está disposto a pegar no clube, a empenhar o seu tempo, o seu património e possivelmente a sua saude para gerir o Beira-Mar sem salário e sem intenções de ganhar dinheiro com os valores que adiantar ao clube.

Mas chegou mesmo a tempo de impedir que esta Comissão Administrativa, por quem os Beira-Marenses choraram e suplicaram para se chegar à frente, concretizasse o objectivo que foi aprovado em Assembleia Geral aquando da sua constituição: estudar e apresentar um modelo de SAD a adoptar pelo clube até ao fim do mês de Março.

Tolice a destes homens que estiveram todos estes meses a manter o Beira-Mar ligado à máquina, preparando a sua reabilitação, quando bastava ter-lhe perguntado se estaria disposto a colocar os seus dotes de Gestão ao serviço do clube, pro bono.

Falando um pouco mais a sério, acho de uma enorme ingratidão estar a por-se em causa o processo possível para a apresentação e aprovação (ou não) da constituição da SAD no modelo que irá ser proposto, levantando suspeitas de que vêm aí uns gandulos endinheirados tomar o clube de assalto.

É irreal e é estar completamente a leste do dia a dia do clube, continuar a aparecer gente que acha que o património do clube (que se resume aos passes dos jogadores), vai equilibrar as finanças e deixar os voluntariosos mas trapalhões gestores peixarias e farmácias de esquina fazer do clube uma entidade pujante como todos queremos.

Força Beira!

Nuno Q. Martins disse...

Caro João Pedro Dias,


Obrigado pela resposta.

A questão do esclarecimento dos sócios deve ser abordada com algum cuidado. E digo isto porque foi preciso sairem as convocatórias das AG´s para as pessoas começarem a discutir o assunto. A Comissão Administrativa abordou a questão quando tomou posse em Novembro (2009). O Presidente António Regala várias vezes se referiu ao tema da SAD em várias entrevistas ao longo deste tempo. O Movimento 1922 orgnizou um debate no dia 19 de Fevereiro. Antes e depois disso, aqui no BN, tentei puxar o tema várias vezes. A título pessoal, estive num programa da Rádio Terranova e escrevi um artigo para o jornal O Aveiro sobre esta matéria...

Durante todo este tempo as pessoas não se preocuparam em obter informação sobre este assunto para agora, que são chamadas a tomar uma posição, estarem devidamente informadas. Faz-me lembrar aquela história do aluno que sabe que vai ter exame até determinada data, mas só começa a estudar quando é marcado o dia.
Ora, permito-me perguntar, afinal, onde está a massa crítica do clube que não procura nem aproveita a informação que lhe é disponibilizada? Eu percebo que não haja urgência em tratar estas matérias quando não é o nosso nome que está "entalado" em diversas situações em prol do clube. Mas eu compreendo o drama desta Comissão Administrativa que assumiu o clube nas condições que todos conhecem.

Quero esclarecer que o meu envolvimento no grupo de trabalho que estudou a SAD é meramente jurídico. Participei (graciosamente) no grupo de trabalho consciente da bondade do trabalho que se esteve a desenvolver. Acredito que a proposta é aquela que melhor servirá os interesses do Beira-Mar. Poderá, eventualmente, ser melhorada nalguns aspectos. Os sócios têm a palavra. A iniciativa de agendamento das duas Assembleias partiu do Sr. Presidente da AR e, que eu saiba, a comissão de trabalho não foi tida, nem achada (nem tinha que o ser) em relação às datas propostas. Por isso, quero deixar bem claro, que não vejo com maus olhos que a AG marcada para o dia 29 seja adiada, concedendo aos sócios mais alguns dias para se informarem e debaterem a proposta. No entanto, tem que imperar algum bom-senso, pois sabemos que existem condicionalismos que apelam a uma rápida resolução desta questão.

Pessoalmente, estou convencido que a criação da SAD é a solução mais consistente para permitir a continuidade do futebol profissional e do clube a curto prazo. Acredito, ainda, que se houver entendimento sobre algumas matérias fundamentais entre os dirigentes do clube e o futuro Conselho de Administração da SAD, este modelo poderá ser muito benéfico para ambas as estruturas.

Estas são convicções pessoais que estou disponível para partilhar e fundamentar. Quanto às questões concretas que me colocou sobre a proposta que será apresentada na próxima Sexta-Feira, por uma questão de respeito pelos órgãos sociais do clube, julgo que devo manter reserva até à Assembleia Geral.

Por último, deixo-lhe o apelo no sentido de entrar neste debate de "mente aberta" e não com posições pré-concebidas. A sua afirmação no comentário "E só depois de conhecidos esses dados, com todo o rigor e transparência, se poderão equacionar todos os cenários. O da SAD e os alternativos" revela mais sensatez e responsabilidade do que o título deste post.

Um abraço.

João Pedro S. Dias disse...

Caro Nuno,
O título deste post é manifestamente infeliz. Reconheço-o. A minha ideia inicial era «SAD? Não obrigado». Só não o alterei porque entretanto a asneira estava feita.
Reconheço que é preciso estar neste debate de mente aberta.
Por isso não rejeito poder vir a ter uma posição como a do FF que, acima, escreve «sou contra por princípio mas não vejo alternativa».
Vejo, aliás, que da sua parte há também esse espírito, quando acaba por reconhecer uma certa precipitação na marcação de duas Assembleias seguidas e não rejeita a ideia de adiamento da Assembleia de segunda-feira. Excelente, é um sinal de mente aberta.
Eu também não rejeito a necessidade de, ainda que a contra gosto, ter de reconhecer que não há outra solução. Mas creio que compete a quem defende o projecto e alega as suas virtualidades, fazer a prova dos factos que alega e justificar a inevitabilidade do projecto.
Agora, o que rejeito liminarmente, enquanto sócio - nº 199 - é ter de concordar com este projecto «porque sim». É não poder questionar ou ser acusado de cometer o delito de opinião de dizer não. Isso nunca.

Abr

João Pedro S. Dias disse...

Caro Daniel,
É muito difícil tentar debater com seriedade quando se misturam registos - o da ironia com o da seriedade. Se é para sermos irónicos, sejamo-lo. Se é para sermos sérios, falemos a sério. Vou esquecer o registo irónico porque há assuntos sérios de mais para comportarem a ironia. E nesse registo sério, posso responder-lhe que se me atribui o receio que eu possa ter de virem por aí uns sujeitos endinheirados tomar conta do clube, lhe poderei responder dizendo-lhe que a si, pelos vistos, isso não o incomoda nada. Ora, dentro do registo de seriedade, tenho a certeza que tão errada é uma quanto a outra insinuação. Nem eu estou preocupado com isso nem você está disposto a tolerar isso. Pelo simples facto de que não é nada disso que está em causa. Aliás, se tivesse lido com atenção o meu post ter-se-ia apercebido que a minha crítica fundamental vai para o método escolhido e os prazos fixados e menos para a substância do projecto. Em tese geral sou contra a constituição de uma SAD no Clube. Reclamo e reivindico esse direito - que mais não seja até ao momento em que fique absolutamente demonstrada a inevitabilidade da mesma. E vejo que o projecto de constituição desta SAD é agravado pela metodologia sugerida. E que essa metodologia acaba por redundar em desfavor de quem sustenta o projecto. Porque quando as coisas são feitas e propostas às pressas, sem tempo para reflexão, sem debate organizado, é legítima a dúvida e são legítimas todas as reservas.
No mais, esteja tranquilo - em termos de funções directivas no nosso Clube, foi peditório para o qual já dei a minha quota-parte. E do qual fiquei vacinado porque se quer saber o balanço final, sempre lhe direi que ele é igual para todos: damos o que temos e o que não temos, sacrificamo-nos e tentamos fazer o nosso melhor, prejudicamo-nos materialmente e familiarmente, arriscamos a nossa saúde - e no fim apenas podemos esperar receber ingratidão e incompreensão. Isto sempre foi assim, é assim e continuará a ser assim. É por isso que nunca me ouviu uma palavra pública de crítica a qualquer dirigente do nosso clube. Porque sei o que isso é e o esforço que todos fazem. Uns acertam, outros não. Uns fazem bem, outros fazem mal. Uns têm mais sorte, mais arte e mais engenho, outros mais azar, menos euros e são menos dotados. Mas tenho a certeza que todos tentam sempre fazer o melhor possível.
Neste caso, porém, não é de dirigentes que falamos. É de ideias. De um modelo para o clube. E tenho a certeza que todos queremos o melhor modelo para o Clube. Uns acreditando que a melhor estrada a seguir é uma; outros acreditando que o caminho ideal é outro. Mas felizmente que discordar ou ter ideias diferentes não é crime nem é pecado - pois não?
Cumps
JPD

Anónimo disse...

Cá estanos perante "OS VELHOS DO RESTELO".
Estamos num beco sem saidas, existem acreditam numa alternativa de gestão e os que se sentam num banco à espera que o tempo passe e o clube a definhar.
São opiniões que respeito, mas não parecem de um homem inteligente.
Rafael Breda

Francisco Dias disse...

Há um pressuposto nos defensores da SAD que me deixam profundamente intrigado: "não há outra solução". No limite, entenderia este cenário caso o clube se mantenha na segunda liga, e portanto, estruturalmente deficitário. Agora, com a possibilidade de darmos o salto para a primeira liga, não haverá mesmo outra solução? As receitas que a primeira liga nos pode trazer não darão para pagar a uma equipa minimamente competitiva e ainda liquidar algumas dívidas a credores??

Ao contrário deste artigo, até me considero um defensor das SAD's, no sentido que abraçam o profissionalismo na gestão de algo que, manifestamente, não pode ser amador. Mas que fique claro, que o que aqui se está a tentar fazer é dar a machadada final no Beira-Mar, tornando-o imediatamente insolvente. Passamos os activos para uma nova sociedade (e as receitas daí provenientes), e deixamos as penhoras e dívidas para a academia e modalidades amadoras pagarem. Falando em termos técnicos, deixamos o clube com activo zero (ou quase) e um passivo exorbitante. Manda a regra, que os capitais próprios igualem a fórmula, sendo neste caso altamente negativos.

Assim sendo até concordo com o presidente da Assembleia-Geral ao marcar a votação para segunda-feira. Não vou precisar de muito tempo para pensar. Sou contra.

PS: E não Daniel, também não me pretendo fazer candidato a presidente do clube. Aliás, quer-me parecer que à medida que o debate vai avançado, a falta de argumentos se encaminhe para a velha táctica "se não tens melhor solução, então pega tu no clube como ele está". Acontece que a SAD não resolve nada, antes pelo contrário. E seguramente será muito mais difícil para alguém pegar no clube nas condições em que o querem deixar.

Cumprimentos.

Daniel disse...

Bem, começo a sentir que remo contra a maré e que já estou a ter mais protagonismo nesta discussão do que pretendia.

Francisco é puro lirismo não ver a evidência de que "a velha táctica" neste caso é mesmo uma verdade de la Palice e não tenho problemas nenhuns em a assumir como um dos argumentos válidos: Se não querem a SAD peguem vocês no clube como ele está! Já o deveriam ter feito em Novembro, mas ainda vão a tempo.

Custa-me muito perceber como é que gente que não tenho dúvidas nenhumas que gosta muito do clube, como tu e o João Pedro Dias, preferem deixar o Beira-Mar definhar do que vê-lo na mão de privados e sobreviver. É um amor meio cego esse de "se o clube não é meu, não é de mais ninguém e prefiro ve-lo morto".

O erro que cometes em parte da tua lógica para rejeitares a SAD é preocupante. Já estás a contar que o Beira-Mar suba de divisão e assim equilibrar as contas. Acompanhando o clube tão de perto como tu, sabes bem que, com a situação financeira do clube, no actual modelo de Gestão se o futebol não sobe de divisão, o clube acaba! Há alguém que ainda não tenha percebido isto?

E quem te garante a ti que se subirmos de divisão, não iremos voltar a ter dirigentes que vão destruir o eventual equilibrio financeiro, com contractações de 15 brasileiros fracos e 4 treinadores num ano? É que os que lá estão já deixaram claro que não vão ficar. É que os que lá estão já deixaram também claro que querem é a SAD.

Sendo o clube accionista (vamos assumir) de 40% da participação na SAD, 40% dos lucros de uma empresa que se espera gerida por profissionais com vista precisamente ao lucro, não será a melhor forma de tentar equilibrar as contas?

Mas de todo o teu texto, o que me deixa mais preocupado é o facto de ainda não conheceres o modelo de SAD que irá ser apresentado e já sabes que o irás rejeitar. Espero que os restantes Beira-Marenses que têm a responsabilidade desta decisão sejam um pouco mais abertos de espirito do que tu nesta questão.

Beira-Beira!

Francisco Dias disse...

Daniel, partes de um princípio errado. Eu já conheço o que vai ser apresentado na sexta-feira. Espero, quando a proposta for pública, poder explicar-te melhor os meus argumentos.

Nuno Q. Martins disse...

Caros,

Permitam-me deixar aqui mais algumas considerações sobre esta questão:

Efectivamente, tenho evitado puxar do argumento de que a SAD é a única solução. E tenho evitado, nõ por não concordar com ele, mas por duas outras razões:

a) Pode sempre aparecer um mecenas que até aqui esteve escondido e que assuma o passivo e a gestão do clube. Acho que é improvável e não me parece que seja salutar manter o clube nesse modelo de total dependência de mecenas (alguns, falsos mecenas que depois de abandonarem o clube penhoram o seu património);

b) Porque no meio desta crise, depois de ter estudado melhor o fenómeno das SAD, passei a ver na possibilidade de se constituir uma estrutura destas para o futebol Beiramarense uma oportunidade de perspectivar o futebol profissional com a seriedade e o profissionalismo que o mesmo exige.

No entanto, é importante não perder de vista que a SAD, só por si, não será o garante da viabilidade do futebol a médio e longo-prazo. A SAD permitirá inscrever a equipa de futebol na próxima época e financiá-la durante algum tempo. A consolidação deste modelo dependerá sempre da sua boa gestão.

Relativamente ao voto contra, é preciso perceber quais as implicações. Desde logo, o clube não tem onde arranjar cerca de 600.000€ para cumprir com os compromissos salariais e eventuais (esperamos que se concretizem!) prémios de subida referentes a esta época. Note-se que a actual equipa de futebol é relativamente barata em termos de massa salarial porque os contratos foram estabelecidos por objectivos. Existem, ainda, um conjunto de compromissos que vêm de trás, relativamente a ex-jogadores e outros clubes (alguns deles estiveram em contencioso e o Beira-Mar foi condenado) cujo pagamento é condição para a inscrição da equipa de futebol numa das duas ligas profissionais.

Depois, há toda uma próxima época para financiar. Mesmo admitindo que se antecipem receitas para solver compromissos, temos que ter a noção que para tapar a cabeça, a manta vai destapar os pés. Foin o que aconteceu à direcção de Artur Filipe na 1ª Liga quando teve de recorrer à Inverfutbol a meio da época (2006-2007).

Ora, se nada fizermos, dificilmente haverá futebol profissional no clube na próxima época e, se conseguirmos inscrever a equipa, dificilmente conseguiremos ter recursos para terminar a época. A situação financeira do clube é asfixiante e não acredito que alguém esteja disponível para se arriscar pessoalmente no actual modelo. Esta Comissão Administrativa estou convencido que não aceitará continuar em funções caso não seja criada a SAD.

Quanto ao futuro do clube, mais do que os 40% dos eventuais dividendos da SAD (não acredito nisso!), deve salvaguardar no protocolo a estabelecer com a SAD um conjunto de receitas (da SAD para o clube) que lhe permitam financiar-se. Libertando-se do futebol profissional, o clube pode e deve reclamar da autarquia o apoio para as modalidades e para a formação que hoje lhe é negado sob o argumento legal de que os municípios não podem financiar o futebol profissional.

Outro aspecto que me parece muito relevante. O regime fiscal das verbas que vertem da SAD para o clube é muito vantajoso, pois essas verbas são equiparadas a custos do exercício da SAD. É uma vantagem que deve ser muito bem aproveitada, nomeadamente, explorando recursos da SAD para potenciar, também, áreas comerciais do clube. Daí defender que é muito importante, para este projecto correr bem, que a direcção do clube e da SAD estejam de mãos dadas nisto durante o período de consolidação deste modelo.

Resumindo isto, se a SAD for constituída e o modelo inerente devidamente desenvolvido, acredito que estão criadas as condições para perspectivar a recuperação do clube e a continuação/desenvolvimento do futebol profissional. Por outro lado, se nada for feito, tenho dúvidas que o clube sobreviva, sendo certo que o futebol profissional acaba já no final desta época.

Francisco Dias disse...

Ok Nuno, vamos por esses argumentos:

a) faltam 600 mil euros para terminar a época. Caso a SAD seja feita, tratam-se ainda de compromissos assumidos pelo clube, e que, portanto, não serão assumidos pela SAD. A SAD não resolve este problema. Da mesma forma que não resolve o problema dos compromissos que vêem de trás.

b) a SAD permite inscrever a equipa na próxima época, e financiá-la durante algum tempo. Isto resolve alguma coisa? Convém esclarecer que um SAD implica um aumento brutal da estrutura de custos, desde o pagamento dos administradores (profissionais, obviamente), até outro tipo de custos com ROC's, etc. Rapidamente a SAD iria encaminhar-se para uma ruptura financeira, a não ser que se inicie com um grande capital social (o que sabemos que não irá acontecer). É uma fuga para a frente, sem qualquer perspectiva de curto prazo.

c) utilizas o argumento de, caso não seja aprovada a SAD, a única solução seja o aparecimento de um mecenas. E caso a SAD seja aprovada? Quem vai pegar no clube com o gigantesco passivo deixado, e alheado de qualquer hipotese de recurso às receitas do futebol profissional? Como esperas pagar as dívidas a ex-dirigentes, Inverfutbol, etc, num valor superior a 5 milhões de euros?? A SAD resolve isto? Como fica a situação do protocolo com a CMA onde, de acordo com a última versão assinada, o Beira-Mar iria ficar com a gestão do EMA por um período de 20 anos? Este custo passaria a ser suportado por quem? Não será necessário um super-mecenas para isto tudo??

d)Falas no profissionalismo na gestão do clube. O que invalida, que apareça amanhã uma direcção que, de uma forma consciente, nomeie uma equipa responsável pela gestão do futebol? Não seria um primeiro passo no caminho da SAD? Não se poderia perspectivar a utilização de algumas receitas para se amortizar parte do enorme passivo do clube? Este mecanismo, com uma SAD, desaparece.

e) por fim, tenho ouvido o argumento de salvaguardar o futuro do clube, deixando o futebol profissional por si mesmo. Este argumento é enganador. Esta solução, que será proposta aos sócios, garante que o futebol vai ser iniciado com passivo ZERO, deixando todo o lixo feito anteriormente para a academia e as modalidades amadoras pagarem. Digo uma vez mais: o clube fica imediatamente numa situação de insolvência, sem qualquer hipótese de fazer face ao passivo.

Não há outra hipótese de salvar o clube que não seja uma estratégia articulada com os credores do clube, e outras entidades (CMA) com quem temos questões pendentes. Estas terão que ser as prioridades de qualquer direcção que aí vier.

Volto a dizer que sou defensor de um modelo profissional na gestão do futebol. Mas sejamos sérios. Estamos unicamente a falar em salvar o futebol profissional. O clube nunca mais terá forma de se endireitar.

Pitarma Matos disse...

Caros,

A aprovação da SAD não é a cura do SC Beira-Mar, mas apenas um penso rápido.

Anónimo disse...

Boas... desculpem mas dá vontade de rir certas coisas. Em Novembro quando tomou posse esta CA com o clube com a corda no pescoço a mesma falou logo numa SAD para o clube. Têm feito um trabalho fantástico, e concordo que se a SAD não for aprovada a CA não continuará funções. Depois se outra CA exigir que para ir para a frente terá que haver uma SAD no futebol profissional porque é impossível gerir o clube, aí irá tudo acordar e constituir SAD para o clube não acabar, mas agora como o clube tem até andado para a frente estão armados em coquinhas e a inviabilizar o futuro do clube. Parece que querem voltar ao vazio directivo que houve à uns meses atrás. Esta CA tem andado com o clube para a frente como eu mesmo não pensei que fosse capaz, está na altura de lhe darmos um voto de confiança e o voto a favor para a constituição da SAD. Depois de termos caminhado uns passos para a frente não queiram saltar para trás… pode ser que depois não apareça ninguém para voltar a dar uns passos para a frente… mas sim quando saltar para trás cai-se e depois é impossível levantar. Quem levanta problemas tem que apresentar soluções! Não é só criticar!

“Não há outra hipótese de salvar o clube que não seja uma estratégia articulada com os credores do clube, e outras entidades (CMA) com quem temos questões pendentes. Estas terão que ser as prioridades de qualquer direcção que aí vier.”

Tem sido a prioridade de qualquer direcção… e tem-se visto o fruto… ZERO! Ah, antes disso, quem é o tolo que neste momento pega no BM sem €?

“Volto a dizer que sou defensor de um modelo profissional na gestão do futebol. Mas sejamos sérios. Estamos unicamente a falar em salvar o futebol profissional. O clube nunca mais terá forma de se endireitar.”

Não sabes… com a cota parte que o clube terá na SAD, poderá vir a endireitar o clube.

Esta CA apresentou a solução do clube, SAD, se não concordam apresentam outra solução (não aquelas soluções que já se viram ineficazes) e apresentam, senão acho que se deviam abster. Não devem negar de forma inequívoca porque até pode ser a verdadeira solução. Acho muito mal negarem e dizer não da forma como se diz, se até hoje não houve mais nenhuma solução tão sólida como esta! Dêem o benefício a esta CA que já muito fez por este BEIRA-MAR

E agora posso dizer mais um rumor que ouvi dizer… não sei se é verdade ou não, futuramente se a Beira-Mar SAD for para a frente, já há conversações com a universidade para cederem o estádio antigo para o Beira-Mar lá FICAR a jogar com obras de reabilitação do mesmo! Isto seria viabilidade para a Beira-Mar SAD avançar.

Não queiram voltar atrás… voltar ao vazio directivo…! Por favor!

Cumprimentos Pedro

Francisco Dias disse...

Acho que há uma grande confusão em muitas pessoas. Quero ver esta gente toda na AG da próxima sexta. Apenas um esclarecimento: não será a CA a apresentar a SAD, mas sim um grupo autónomo, que nada tem a ver com a CA. Não misturem os assuntos.

Jorge Santos disse...

Tanta confusão!
Afirmar que a CA é que vai apresentar a SAD, afirmar que a CA é que teve a ideia de constituir uma SAD é um delírio de quem não acompanhou as AG`s que antecederam todo este processo.
Há grupos de trabalho, autónomos, que foram criados e votados para darem sequência ao processo.
Mais, não foi a CA quem ficou incumbida de dialogar com a CMA e com os credores do clube. Foram grupos de pessoas que se prontificaram para isso na AG.
Sejamos sérios nas análises. Por mais que não gostemos de quem constituiu a CA anterir à que está em funções, não apague todo o trabalho positivo que foi feito. E se alguém tem responsabilidades na sugestão de um novo modelo para a gestão do clube, foram pessoas que fizeram parte da CA liderada por Mano Nunes. QUem apresentou soluções para o futuro, boas ou más,não foi a actual CA.Os projectos, bons ou maus, foram apresentados publicamente por pessoas que nada têm a ver com esta CA.
A comissão administrativa actual apenas seguiu o que "toda" a gente aceitou em AG: constituir uma SAD.
Quem ouse gerir o clube, rapidamente se apercebe que a única solução é autonomizar o futebol profissional. Era bom termos mais soluções, pois era! Mas não temos!

Anónimo disse...

Que se saiba é a CA que vai apresentar a proposta, à comissão apenas esteve reservado o estudo.
A proposta é da CA.

Anónimo disse...

Sr. JPD:
As SAD´s são uma forma de organização, ou seja, a ferramenta para gerir a coisa.
Nas SA ou SAD é ao Conselho de Administração que compete gerir, por isso é que são SA/SAD. Quem pertence ao Conselho de Administração são os donos do capital. Ao clube, diga-se sócios, compete decidir se quer a SAD e qual o capital com que quer entrar.
As SAD´s são criadas por variadas razões, entre as quais alanvancar financeiramente o clube, profissionazizar responsabilizando a gestão, blindar o clube a ataques hostis,etc.
O futebol profissional já é um negócio que envolve elevadas verbas que uma das razões basicas citadsas, profissionalização e responsabilidade, que por si só justificam esse modelo de gestão.
Isto é o basico de qualquer manual de gestão.
Antonio José Pina Matos

Pedro Alcaide disse...

"Uma questão de liderança" Estreia 5ª Feira 25 de Março - 18:30 - SPORT.TV1
Quando foi contratado por Mano Nunes para treinar o Beira-Mar, eram poucos os jogadores de Aveiro que conheciam Leonardo Jardim. Fary nunca tinha ouvido falar dele e Hugo pensava que o novo treinador tinha bigode.
Leonardo Jardim, 35 anos, madeirense de Santa Cruz, não tem nem nunca se apresentou de bigode, é um desconhecido do futebol português, mas tem coleccionado sucessos atrás de sucessos por onde passa. Sempre de uma forma discreta.
Já foi apelidado de José Mourinho da Madeira, já venceu uma Taça da ilha frente ao Marítimo, já fez a festa da subida à II Liga com o Chaves e está na linha da frente para fazer regressar o Beira-Mar ao principal escalão do futebol português.

O ReporTv foi conhecer um treinador pouco amigo dos jogadores que não está no futebol para fazer o papel de bom rapaz.
Apesar do vazio directivo, apesar dos 3 meses de salários em atraso e da rescisão colectiva que foi anunciada, Leonardo Jardim e companhia seguem na frente da II Liga. E os jogadores não têm dúvidas em apontar o treinador como o principal responsável pela boa campanha da equipa.
“Uma Questão de Liderança” é a história de um madeirense que começou a treinar seniores com 21 anos e que se tornou o mais jovem treinador português a conseguir o certificado de nível 4 do curso de treinador. Tinha apenas 24 anos.


6ª Feira - 26 de Março - 19:30 - SPORT.TV1
2ª Feira - 15 de Março - 13:10 - SPORT.TV2

Reportagem: Jaime Cravo

Fonte: http://www.sporttv.pt/Programas_SPTV/Reportv.asp

Nuno Q. Martins disse...

Francisco,

Vou responder-te seguindo os pontos do teu comentário.

a) Estás equivocado e, confesso, não esperava que tivesses equivocos destes depois do esclarecimento que prestei anteriormente. Todos os passivos do clube que são impeditivos da inscrição da equipa de futebol nas ligas profissionais têm necessariamente de passar para a SAD. Obviamente que qualquer investidor preferirá assumir esse encargo do que se ver privado de desenvolver a actividade na qual está disposto a investir. Pensei que isto era óbvio.

b) Obviamente que se a SAD começar com um capital baixinho terá que fazer aumentos de capital subsequentemente por questões legais, mas também por uma questão de consolidação financeira. Não creio que a estrutura de arranque da SAD, em termos de custo de pessoal, seja mais elevada do que a estrutura actual do clube (cerca de 25.000€/mês), mas se for, esse será um problema de quem lá meter o dinheiro.

c)Esquece o último protocolo com a CMA e os protocolos anteriores. Aliás, acho que bem podemos esquecer o estádio, os campos de treino, o novo pavilhão e os protocolos enquanto o actual executivo se mantiver a (falta de) perspectiva em relação ao clube.
A SAD, só por si, não resolverá (embora possa ajudar) o problema do grosso do passivo do clube, mas não criar a SAD também não resolverá o problema do clube.

d) Que apareça essa direcção "amanhã" a apresentar uma proposta nesse sentido e eu serei o primeiro a dar o benefício da dúvida e a votar a favor.

e) Já respondi no ponto a) à questão do passivo.

Francisco, já percebi que a tua grande preocupação é semelhante à minha, i.e., como vamos salvar o clube. O futebol profissional pode ser salvo com a SAD, mas a grande questão que agora se coloca é como a seguir salvar o clube. E a isto eu respondo-te que terá de ser com a ajuda dos sócios (temos que impulsionar o nº de sócios através das modalidades e da formação - exige trabalho de qualidade, pois exige!) e da SAD (receitas que virão da SAD para o clube e deverão estar protocoladas).

Um abraço.

Francisco Dias disse...

Nuno, se a dívida passa para a SAD a situação é diferente do que falei, e também diferente daquilo que me tinha sido avançado. Mesmo assim, e seguindo esses argumentos...

uma SAD na primeira liga tem que ter um capital próprio mínimo de 1 milhão de euros (estou enganado?). Partindo do princípio que o Beira-Mar fica com 30% ou 20% (até porque não tem activos superiores a isso), contas com uma entrada de investidores na casa dos 700 mil euros. Retira os tais 600 mil que invocas terem que ser pagos até ao final do ano, e sobram-te cerca de 100 mil euros. Em meia dúzia de meses estás com capitais próprios negativos. Segues para uma operação de aumento de capital. E o Beira-Mar entra com quanto €€? É que no mínimo tem que ter 15% do capital da SAD. Mas isto sou eu a dizer, que não percebo nada disto. Seguramente que há contas que foram feitas e que nos serão apresentadas.

Há uma questão que vou querer ver esclarecida. Afirmam, os defensores da SAD, que esta é a única alternativa. Eu, sinceramente, teria muito mais dificuldade em assumir o clube como ele vai ficar (com SAD) do que na situação que espero que esteja no final do ano (na primeira liga e sem SAD). É lógico que se me disserem que ninguém avança no cenário actual, não serei eu a inviabilizar uma SAD, mesmo contra a minha vontade. Mas vou querer ver na próxima assembleia quem são os nomes que avançam para a presidência do clube com SAD! É que não basta dizer que não há alternativas. Quero saber quem irá liderar a direcção que vai assumir a gestão do clube nos próximos 4 anos. Talvez este esclarecimento explique muito mais do que números que possamos aqui avançar.

Um abraço.

PS: Para os meus "amigos" que não gostam dos meus argumentos ou da minha posição, têm duas soluções. Ou argumentam devidamente, ou então falem comigo na próxima sexta-feira. Grunhidos e latidos, lamento, ficam à porta.

Rui Marques disse...

Feliz o clube que tem gente nova com esta qualidade, a discuti-lo desta forma. Ainda não tenho posição definida, mas pelo que tenho lido parece-me que a SAD não vai resolver nada. Esperemos pela próxima assembleia. Pode ajudar a esclarecer os sócios.

Nuno Q. Martins disse...

Francisco,


Tens razão quanto à questão do capital mínimo (15%) e do capital máximo (40%) por via directa. Quanto à questão dos capitais próprios, estás mais à vontade para comentar do que eu que não tenho formação nessa área. Sou mero curioso nessas matérias. No enatnto, do que consigo entender disto, é que a SAD avançando e sabendo-se que, à partida, uma parte significativa do capital social inicial será absorvido pelos passivos do clube que transitam para a SAD, a mesma terá que ter uma gestão muito rigorosa, i.e., não pode ter défice de expoloração. Outra questão essencial é a liquidez que terá de estar articulada com a entrada de receitas, permitindo assim um equilíbrio de tesouraria. Numa situação-limite de dificuldades de tesouraria no âmbito da SAD, os seus accionistas poderão fazer suprimentos, garantindo-se com a participação no capital social, enquanto que nos tempos que correm, quem queira fazer um "suprimento" ao clube, não tem nada onde se "agarrar".

A segunda questão que colocas é, para mim, a mais complicada e, simultaneamente, a mais importante: Como abordar o clube depois de constituída a SAD? Que plano para a sua recuperação? No comentário anterior já adiantei algumas pistas sobre a minha perspectiva, mas penso que é melhor comentarmos/debatermos isto com a proposta à frente. Julgo que com um plano bem estruturado (no qual a SAD terá de ser uma parceira do clube e o qual necessitará da concordância dos principais credores), qualquer associado (não é preciso um mecenas) estará em condições de assumir os destinos directivos do clube.

Um abraço.

Francisco Dias disse...

Ora até que enfim parece que estamos a falar a mesma linguagem. Que fique claro que o meu problema não é a SAD. Essa, de uma forma quase inevitável, tenderá para uma situação de ruptura. O meu problema é a situação do clube! Essa sim, é que não vejo como será resolvida com este "negócio". Mas sobre isso teremos tempo para falar.

Um abraço.