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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Pensar a formação

Por questões pessoais acompanhei com alguma regularidade a equipa do Beira-Mar onde o Erivaldo jogava. Cheguei a ver jogos onde ganhávamos por mais de 15-0, e onde este miúdo era, quase sempre, a estrela da companhia. Foi esta a equipa que conseguiu há dois anos chegar a uma fase final da zona Norte no escalão de iniciados. Foi portanto com alguma pena quando soube que o Erivaldo tinha ido para o Braga. Não sei se o Beira-Mar chegou a receber algum valor pela formação do Erivaldo (parto do princípio que sim), mas sei seguramente que, aquilo que recebeu, é muito inferior ao que poderia vir a receber caso o Erivaldo chegasse à equipa sénior.

Como o Erivaldo temos outros casos de jogadores que saíram prematuramente da nossa formação, e se transferem para clubes de maior dimensão, com melhores condições e, eventualmente, com melhores oportunidades de singrarem numa carreira de jogador profissional. Digo eventualmente porque tenho algumas reservas. Basta olhar para uma equipa de juniores do Benfica, Porto ou Sporting para vermos a quantidade de jogadores estrangeiros que já fazem parte dos respectivos plantéis. Já não se trata de falta de oportunidades nas equipas principais, mas cada vez mais de falta de espaço na própria formação.

É por esta linha de pensamento que defendo, desde há muito tempo, uma aposta estratégica do nosso clube na formação. Leva tempo, requer investimento, mas acredito que a médio prazo trará muito mais benefícios do que a contratação das dezenas de jogadores brasileiros que anualmente importamos. A aposta em jogadores portugueses deve ser uma linha de orientação inquestionável na equipa sénior. Não se trata só de formar, trata-se também de dar oportunidades aos mais jovens e mostrar a casos como o Erivaldo que se calhar teria mais oportunidades no Beira-Mar do que no Braga. Infelizmente dizer-lhe isso hoje seria mentir.

Boa sorte para a tua carreira miúdo. E que não te esqueças que tudo começou no Beira-Mar.

10 comments:

Anónimo disse...

Muito bom, o comentário. Já não há grandes dúvidas que com a crise que vivemos, o modelo de importação de jogadores brasileiros está gasto. É preciso recorrer à formação de modo a conciliar a competitividade com a sustentabilidade do clube.

Saudações beiramarenses

João Campos

Anónimo disse...

"tudo começou no Beira Mar"

Anónimo disse...

Basta ver o que estão a fazer com os Jogadores que estão no plantel principal formados pelo BM para ver que tudo isto não obedece a qualquer estratégia, que não só interesses pessoais.

O caso do Jaime é o mais evidente. Aposta quer do Sousa quer do Paulo Sérgio, várias vezes melhor Jogador em campo e este ano esteve para ser recambiado. Está no plantel, mas acho que ainda não foi convocado este ano.
Se fosse o mesmo Jogador e tivesse vindo com o treinador ou viesse do exterior, seria aposta segura.
Enfim, é o futebol Portugues que como o Baia diz nada muda, porque os protagonistas são sempre os mesmos

Daniel disse...

Quase tudo o que dizes é verdade e não há como não concordar contigo. Só pecas em dizer "a contratação das dezenas de jogadores brasileiros que anualmente importamos", porque o Beira-Mar até é das equipas com menos estrangeiros no plantel e das que tem uma percentagem de estrangeiros no onze inicial mais baixa.
Acho que todos somos a favor de uma formação forte e que seja no longo prazo o suporte do clube, mas não podemos por um jogador no onze do Beira-Mar só porque é da formação.
Pegando no exemplo do Jaime aqui referido, também eu sempre gostei de o ver jogar, mas entrar no onze do Beira-Mar para a sua posição não é assim tão linear. É a minha opinião, vale o que vale, mas o nosso treinador que é das melhores coisinhas que o Beira-Mar ainda tem, também tem essa opinião e confio nele cegamente.

Francisco Dias disse...

Quando me referia à contratação de dezenas de jogadores brasileiros, e é um facto que não contextualizei, estava a expandir o cenário para o nosso futebol. Também concordo que o Beira-Mar, pelo menos este ano, foi moderado na importação de jogadores. Manteve uma base nacional que lhe deu o título da segunda divisão e, até ver, não fica nada atrás dos seus concorrentes directos.

Também concordo que não podemos cair na utopia de colocar a jogar só porque é português ou porque vem das escolas. Apenas digo que temos matéria-prima para fazer um trabalho pensado e estruturado, que a médio prazo possa ir abastecendo a nossa equipa.

Sobre este assunto terei oportunidade de falar mais tarde, em particular pegando no projecto que a secção de basquetebol está a implementar na formação. Podemos tirar conclusões que me parecem interessantes, e que podem ser extensíveis à academia de futebol.

José Ribeiro disse...

Lá está é preciso um investimento coisa que o Beira-Mar não me parece esteja para fazer tão cedo!
Era necessário um bom plano de formação desde os escolinhas até aos júniores, convinha que se chegasse a júnior com os principios de jogo de jogo devidamente "solidifcados" coisa que nem sempre acontece...basta ver que alguns jogadores que fazem a transição para sénior, não fazem ideia do que é uma cobertura ofensiva, o que isso possibilita, etc...
Em Portugal felizmente já se começa a trabalhar bem em algumas escolas de formação, que têm delineadas as competências a adquirir em cada escalão etário para que cheguem a sénior com as bases suficientes para puder singrar no futebol.
Agora enquanto o factor C prevalecer e o filho de um Engenheiro ficar na equipa e o de um Pescador não, enquanto se continuar a apostar na formação em individuos com um porte fisico anormal para a idade apenas e só porque pegam na bola passam por todos e fazem golos (futebol de formação é formar e não ganhar, e o individuo que hoje é muito forte fisicamente chega a sénior e deixa de o ser, mas os actuais treinadores preferem dizer ao miudo para pegar na bola e resolver do que lhe ensinar os principios de jogo, resultado, mais um que supostamente tudo apontava para uma carreira promissora porque em miudo marcava 40 golos e acaba na transição para sénior) e por fim começar a pagar salários porque o que é bom paga-se e um bom projecto de formação implica muito trabalho e dedicação de quem nele está inserido, e isso acarreta bons técnicos e não ex jogadores que sabem jogar a bola, porque saber jogar é diferente de saber ensinar, ainda mais quando falamos de miudos e toda a especificidade fisiológica e psicológica que estes têm, requer pessoas capazes e habilitadas para isso!
É preciso alertar constantemente os pais e afastar a pressão que existe dos mesmos para com os filhos sobretudo no futebol, toda o pai quer um filho "Cristiano Ronaldo" ou um "Messi"...isso é um problema.

Chega de atribuir a culpa dos nossos jogadores da formação não atingirem os séniores por culpa dos treinadores que por cá passam, porque se fossem realmente bons iam jogar para outros clubes se o Beira-Mar não lhes desse oportunidades, como acontecesse noutros casos...

Abraço

Anónimo disse...

O problema é que fica mais barato ir buscar um jogador brasileiro do que pagar os direitos de formação de um atleta português que se vai buscar a qualquer clube.

Anónimo disse...

Boa noite,
Sem condições não há formação possivel.
Não pagam á mais de 1 ano aos treinadores da formação.
Neste momento há varios Erivaldos na Formação.

Anónimo disse...

Francisco se tiveres dinheiro para investir na formação aparece na academia, projectos não faltam.
Um conselho aparece mesmo.

Francisco Dias disse...

A este último anónimo, lamento desapontá-lo, mas já invisto muito na formação na secção de basquetebol. Lamento, mas não dá para chegar a todas as "quintas".