Arquivos

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

O próximo adversário

Tratando-se do próximo adversário do Beira-Mar, assisti com redobrado interesse ao jogo Nacional X Porto da jornada passada da Liga Bwin. Numa análise muito superficial, constatei que o Nacional tem dois defesas centrais muito fortes fisicamente e muito difíceis de serem superados na marcação: Ávalos e Ricardo.
O aspecto defensivo mais "frágil" do conjunto madeirense parecem-me ser as laterais. Patacas e Bruno Basto sobem bastante no terreno, deixando espaços nas costas que podem muito bem ser aproveitados por dois alas rápidos (por exemplo: Rui Lima e Vasco Matos, ou, até mesmo, Camora). Atendendo ao poder de marcação dos dois centrais, ponho sérias reservas quanto à utilidade de um avançado "fixo" como Mário Jardel. Penso que será de apostar na mobilidade de Jorge Leitão ou Wegno no caso do primeiro não recuperar. Outro aspecto que reparei, é que o meio campo do Nacional não pressiona muito. Apenas o Chaínho cai em cima do seu homem de marcação, ou seja, o segundo avançado adversário, uma vez que a marcação ao primeiro fica a cargo de um dos centrais (Ricardo). Penso que Ratinho poderá ter espaço para manobrar o seu jogo se tiver sempre referências nas alas, possibilitando assim ter linhas de passe.
No plano ofensivo, Zé Vitor e Pateiro são dois jogadores bons tecnicamente e deverão ser alvo de marcações rigorosas a meio campo, por forma a evitar que a bola chegue em condições ao avançado Rodrigo, um jogador de razoável qualidade técnica e facilidade de remate.
Em síntese, o Nacional tem um conjunto muito equilibrado com jogadores capazes de fazer a diferença, sobretudo, aproveitando algum momento de desconcentração Beiramarense. Ainda assim, este Nacional é ultrapassável se Carvalhal "não inventar" no plano táctico insistindo em adaptações estéreis como são exemplos Ricardo a defesa direito e Ribeiro a médio direito. Há dois anos, Luís Campos tentou o mesmo e não foi nada bem sucedido...
O Beira-Mar tem que se apresentar concentrado. Os jogadores têm que ganhar os duelos individuais. Na construção dos lances ofensivos tem que haver mobilidade dos homens da frente. Os alas (espero ver o Beira-Mar a jogar com dois homens bem abertos nas linhas quando temos a posse de bola) têm que funcionar, ganhando lances na linha, proporcionando cruzamentos com perigo e impedindo os laterais do Nacional de subirem no terreno. O homem que jogar na frente deve procurar segurar bolas entre os defesas e abrir espaços para que os extremos e os médios possam aparecer na zona de finalização. Os médios devem pressionar e fechar todos os espaços para que o Nacional não consiga organizar o seu jogo. Os defesas têm que ser duros! Mais vale fazer uma falta do que deixar o adversário seguir e marcar golo como aconteceu no Bessa. Nos lances de bola parada, não podem sobrar adversários sem marcação. Atenção ao segundo poste! E quando recuperamos a bola, é importante subir no terreno por forma a juntar os sectores da equipa, possibilitando maior pressão sobre o adversário logo no meio campo. Na baliza, precisamos de um Alê tranquilo, que dê segurança à equipa e que não saia dos postes em falso.
Parece-me que estas são as directrizes básicas para o Beira-Mar fazer um bom jogo com o Nacional. A vitória pode depender da sorte do jogo. Porém, nesta fase, a equipa tem de reconquistar a confiança perdida e realizar uma exibição segura, preferencialmente, coroada com os três pontos.
A teoria está dada. Agora, caros treinadores e jogadores, apliquem-na que é para isso que vos pagam.

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Iª Liga Bênêbola - 14ª Jornada

Palpite para o próximo jogo:
SC Beira-Mar vs Nacional

IIª Liga Bênêbola - 14ª Jornada

Palpite para o próximo jogo:
SC Beira-Mar vs Nacional

Nota: Até esta jornada, apenas 14 concorrentes pontuaram. A segunda volta arrancará com 16 participantes, pelo que, a escolha será realizada tendo em conta a classificação e, subsidiariamente, pelos concorrentes que tenham efectuado maior número de apostas, premiando assim a regularidade de participação. Os restantes serão excluídos.

«Situação do Clube e perspectivas futuras»

domingo, 10 de dezembro de 2006

Sempre a marcar pela diferença

«A descrença só não é total porque os cerca de duas dezenas de adeptos incentivaram, do primeiro ao último minuto, os jogadores. Só que estes não corresponderam, em campo, ao rufar dos tambores dos ruidosos militantes, que, sem dúvida mereciam mais. Muito mais.» in Jornal de Notícias

«Em primeiro lugar, quero dar uma palavra de apreço à claque do Beira-Mar. A melhor prestação do clube foi a deles. (...)» Carlos Carvalhal na conferência de imprensa após o jogo no Bessa.

O Rafael…

… é um menino de 4 anos que foi à bola com o tio. Tive o prazer de o conhecer na deslocação ao Bessa, mais concretamente, no autocarro dos Ultras Auri-Negros. No regresso, perguntei ao Rafael, qual era o seu clube. Ele respondeu-me “Sporting, Benfica e Belenenses!”. Algo perplexo com a resposta, perguntei-lhe: “Então e não és do Beira-Mar?” Ao que ele me respondeu de pronto: “Não! O Beira-Mar está sempre a perder!”. As crianças realmente não mentem e o pequeno Rafael, mesmo envolvido pelo ambiente auri-negro do autocarro, foi muito lúcido na sua resposta. Constatei, uma vez mais, que este Beira-Mar não cativa ninguém. Ao intervalo, dizia-me o Hugo Paulo, presidente dos UAN: “A jogar assim, nem que coloquemos as viagens à borla conseguiremos trazer gente”. Assim vai o Beira-Mar. Cada vez mais pequeno, cada vez mais só, no último lugar…

Bater no fundo...
O Beira-Mar, a cada jornada que passa, afunda-se na classificação e consolida a descrença, não apenas dos adeptos, mas principalmente dos jogadores.
A forma como estes jogadores (não consigo falar em equipa porque não há equipa) abordaram o jogo foi, uma vez mais, suicida e displicente. Tal como noutros jogos (Dragão, Figueira da Foz, Luz, etc) estes meninos acharam que iam conseguir pontuar sem fazer nada por isso, deixando as despesas do jogo para o adversário, deixando a agressividade no balneário, não ganhando os lances de “um para um” e limitando-se a despejar bolas sem nexo para o meio campo adversário. Depois, pode-se dizer que os golos do Boavista foram “azar” e “bla bla bla...”, mas nenhuma razão assiste a quem entra em campo para NÃO jogar o jogo pelo jogo. Uma tristeza. Como Beiramarense, sinto-me envergonhado com a merda que andam a fazer com o emblema do meu Clube ao peito. Há equipas de solteiros e casados que conseguem ser mais competitivas.
Não gostei do escalonamento nem do sistema táctico adoptado pelo Carvalhal e tenho várias críticas a apontar-lhe. Não o vou fazer aqui pois não pretendo agravar o clima de contestação que, apesar de não ser dirigido ao técnico, não lhe passa ao lado. Sugiro-lhe que converse com algumas pessoas que estão no clube há mais tempo e essas pessoas, certamente, lhe dirão que há experiências que já foram efectuadas no passado sem sucesso. Não há necessidade de insistir em erros do passado que nesta fase têm consequências desastrosas.
Também não vou comentar o jogo em si. Não vale a pena. Na primeira parte nem um remate à baliza do Boavista, nem uma jogada com “princípio” e “meio”! Já nem falo do “fim” porque é pedir demais a esta gente.
Por aqui me fico. Depois da recepção ao Nacional, independentemente do resultado desse jogo, partilharei convosco mais algumas das minhas angústias.
Apesar de tudo, tentei mostrar ao Rafael que mesmo nas derrotas tenho orgulho em ser do Beira-Mar. Depois da viagem, ele teve oportunidade de presenciar a vitória da equipa de basquetebol frente ao Esgueira B e perceber que o Beira-Mar não é só futebol e, por isso mesmo, não está sempre a perder.

sábado, 9 de dezembro de 2006

Hoje há basquetebol no Alboi

O Beira-Mar vai tentar a 4ª vitória consecutiva frente ao rival Esgueira, numa partida em casa este Sábado pelas 21h. A equipa tem vindo a subir gradualmente de produção, estando já a lutar pelos lugares da metade superior da tabela. Para além do jogo, todos os adeptos da modalidade podem marcar presença na homenagem que será feita ao intervalo ao "eterno capitão" Pedro Rebelo. Ele foi sem dúvida um dos rostos mais marcantes das épocas gloriosas do basquetebol auri-negro.
Adaptado do blog Pensar à Beira-Mar

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Iª Liga Bênêbola - 13ª Jornada

Palpite para o próximo jogo:
Boavista FC vs SC Beira-Mar

IIª Liga Bênêbola - 13ª Jornada

Palpite para o próximo jogo:
Boavista FC vs SC Beira-Mar

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Temos que dar a volta!

A situação é difícil e as perspectivas, atendendo às exibições da equipa, não são as melhores. As derrotas e empates frente a clubes do "nosso campeonato" têm que ser rapidamente compensados. O Estádio do Bessa não costuma proporcionar boas recordações ao Beira-Mar. Nos últimos anos, não me lembro sequer do Beira-Mar conseguir pontuar. É que quando calhamos de jogar bem, existe uma terceira equipa que intervém de forma decisiva, cumprindo as directivas emanadas pelo "sistema".
Bem sei que é difícil motivar as hostes auri-negras. Eu próprio sinto-me angustiado com o actual momento do clube. Contudo, diz o povo que "tristezas não pagam dívidas" e para dar, desde já, a volta à situação é necessário que os jogadores e treinadores acreditem que têm capacidade para inverter esta dinâmica de derrota que se vem acentuando de jogo para jogo.
Obviamente, será muito cómodo ficar em casa no próximo Sábado, confortavelmente instalado no sofá a ver o jogo na Sportv e no final vir para os blogues efectuar comentários anónimos a destilar ódio em tudo e todos. Mas, será sempre um ódio aparente, pois o mau momento do Beira-Mar não angustia metade das pessoas que proferem determinados comentários. Basta que um qualquer clube azul, vermelho ou verde ganhe e o seu fim-se-semana está ganho. É este o estereótipo do fementido Beiramarense. Sim, porque nas bancadas do EMA e nas Assembleias Gerais do Beira-Mar, não se consegue disfarçar a falsa "grandeza" que a blogosfera transparece. "Precisa-me paixão!", dizia e bem o site do Beira-Mar...
As críticas estão apontadas, os diagnósticos estão feitos. Agora vem aí mais um jogo e novos três pontos em disputa. Quem sente verdadeiramente a camisola auri-negra não pode virar as costas à equipa. Não está em causa o fulano A ou B, está em causa a Instituição que muito depende da manutenção na Liga Bwin.
Amargurado, mas crente estarei no próximo Sábado nas bancadas do Bessa a dar o meu apoio. Depois do jogo, cá estarei para elogiar ou criticar, mas com o sentimento de dever cumprido, de quem não atraiçoa os seus.

1 Euro!

O jogo da próxima quarta-feira entre AC Milan e Lille, referente à última jornada do Grupo H da Liga dos Campeões, vai ter bilhetes a um euro. O clube italiano decidiu fixar este preço na tentativa de garantir uma boa assistência em San Siro, o que poderia ser posto em causa pelo facto de a equipa já estar apurada para a fase seguinte.
Os adeptos milaneses que possuam bilhetes de época precisam assim de desembolsar apenas um euro para assistir a esta partida. Quem tiver comprado o pack que dá acesso aos jogos da Liga dos Campeões vai poder também comprar um outro bilhete para oferecer, ao mesmo preço.
Apesar de o Milan já ter garantido o apuramento para a fase seguinte, o Lille ainda luta pelo segundo lugar com o AEK de Atenas, que soma mais um ponto.
Ligações e créditos:

NATAÇÃO: Campeonato Nacional de Clubes

A natação do SC Beira-Mar teve uma excelente prestação no Campeonato Nacional de Clubes da 4ª Divisão.
Um 5º lugar em masculinos (ao todo participaram 23 equipas) e um 11º em femininos (em 24 equipas) foram as classificações alcançadas no passado fim-de-semana nas Caldas da Rainha. O quadro completo das prestações individuais dos nadadores Beiramarenses pode ser consultado no blog oficial de secção de natação.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Grande jogo de futsal!

O Pavilhão do Alboi vibrou este Sábado com um grande jogo de futsal entre duas equipas do distrito de Aveiro. O Beira-Mar e o Lamas discutiam a liderança da série B da III divisão nacional.
Os jogadores auri-negros brindaram o muito público presente com uma excelente primeira parte. Ao intervalo, o Beira-Mar vencia por 1-0 com inteira justiça.
No início da segunda parte, o Beira-Mar alcançou o segundo golo mas, um pouco contra a corrente do jogo, o Lamas conseguiu reduzir a desvantagem e intranquilizou a equipa local. Foi o melhor período dos visitantes que culminou com a obtenção do empate. Com o jogo em 2-2, assistiu-se a uma parte final do encontro emocionante com jogadas de perigo em ambas as balizas. O Beira-Mar falhou muito ao nível da finalização (mérito também para o guarda-redes do Lamas) e os visitantes acabaram por ser mais felizes, conseguindo o terceiro golo nos últimos momentos da partida.
Apesar da derrota, é de realçar o excelente espectáculo proporcionado por ambos os conjuntos e o excelente ambiente vivido no pavilhão durante o jogo. De lamentar apenas o comportamento provocatório de alguns jogadores e adeptos do Lamas. Nas vitórias, também é preciso saber ganhar...
Por último, permitam-me esta nota pessoal. No mesmo Sábado, a equipa sénior de futsal e a equipa sénior de futebol perderam. Estive nos dois jogos. Foram duas derrotas mas com sabores muito diferentes. No futsal, o ambiente no pavilhão foi excelente, a equipa esforçou-se e jogou bem. Já no futebol...
Sugestão: Resultados e crónicas dos jogos das equipas de formação no blog da secção de futsal

Análise por Filipe Guerra

Por volta das 19:15 de Sábado, pedi a uma pessoa que estava perto de mim que me deixasse dar uma vista de olhos no jornal A Bola. Aos Sábados, Jorge Valdano escreve na A Bola e isso faz toda a diferença. É agradável ler a opinião daquele que foi um grande futebolista à sua época e que ainda mantém uma enorme ligação ao futebol. Valdano escreve como poucos sobre futebol, sobre a sociologia à volta do futebol e sobre o futebol que interessa, o futebol bem jogado. Futebol bem jogado foi coisa que não se viu no Beira-Mar / Belenenses até se chegar ao intervalo.
Durante os primeiros 45 minutos, o Beira-Mar espelhou perfeitamente aquilo que tem sido a sua prestação ao longo do campeonato. Foi uma equipa desastrada e desatenta na defesa, sem capacidade de construção a meio-campo, com um sector avançado inofensivo. O resultado, foi o regresso aos balneários com um comprometedor 0-2.
A segunda parte, em verdade, foi diferente. A entrada de Jardel mexeu com a equipa, os centrais subiram alguns metros, os laterais também subiram, os jogadores de meio-campo abriram e espalharam-se melhor pelo terreno de jogo. A atitude colectiva da equipa foi mais forte, percebia-se que havia uma enorme vontade de reequilibrar o marcador.
O facto de entrar a marcar na segunda parte, além de motivar a equipa, também acabou por, em alguns momentos precipitar a equipa. Invariavelmente, os jogadores tentavam “chegar á linha” e centrar, quando esta não tinha necessariamente de ser a melhor solução. Ao mesmo tempo, talvez um pouco em desespero de causa, a tentativa de passes longos ou em desmarcação acabava por se gorar devido à falta de qualidade destes e à precipitação no momento do passe.
A ideia que fica é que o Beira-Mar a jogar em casa não pode deixar no banco Mário Jardel nem Vasco Matos. Tendo a equipa uma filosofia de jogo trabalhada na pré-época de 4x3x3, e que, até ver, tem sido aquela que melhores resultados teve, não faz sentido estar constantemente a transformá-la em 4x4x2 a meio da Liga.
Destaque...
Mário Jardel - por ter assistido Jorge Leitão no lance do golo e por ter conseguido espevitar a equipa com a sua entrada. O destaque do jogo também poderia ir para Rui Lima, pelo trabalho e entrega que teve.
Outros aspectos...
Olhando para a Bancada Poente, torna-se impressionante o número de cadeiras correspondentes a bilhete de época que estão desocupadas. Parece que nem o facto do bilhete estar pago motiva as pessoas a voltar ao futebol. Possivelmente, no próximo jogo em casa, o speaker do Estádio em vez de apelar é compra desta categoria de lugares, pode anunciar quantos dos “mais de mil” com lugar garantido é que foram ao jogo.
Filipe Guerra

domingo, 3 de dezembro de 2006

Crise

Ontem saí do EMA amargurado. Propositadamente, só hoje me resolvi a comentar o jogo. O futebol profissional do clube, «motor financeiro» da instituição, está em crise.
O Clube precisa, agora, mais do que nunca, de gente clarividente com capacidade para analisar objectivamente o momento da equipa e perspectivar soluções de superação. Já li nos textos e comentários doutros blogues várias análises ao jogo de ontem e apenas numa crítica constato consensualidade: falta de empenho de alguns atletas que se traduz em desconcentrações fatais para a equipa.
No resto, isto é, variantes tácticas, fio de jogo e análises individuais, a crítica diverge, o que é revelador de pitadas de paixão que são saudáveis mas contaminam a verticalidade de uma análise que se pretende lúcida.
Como é hábito aqui no BN, as análises aos jogos ficam a cargo do Filipe Guerra, tornando assim este blogue menos egocêntrico. Sem prejuízo da análise do FG que virá a ser publicada amanhã, sinto necessidade, nesta altura, de partilhar algumas considerações pessoais. Aqui vai, por tópicos:
1. O adepto chega ao parque de estacionamento do estádio e, para se dirigir à sua porta de acesso ao recinto, é obrigado a contornar grades e mais grades… ou seja, quando finalmente entra no estádio, já vai de mal com a vida. Estão dadas as boas vindas aos cada vez menos tolos (eu incluo-me) que se deslocam ao estádio…
2. Quando pensamos que a noite já está fria, ainda consegue ser mais fria quando entramos no estádio. O ambiente das bancadas nos jogos do Beira-Mar é deprimente.
3. Olho para o “onze inicial” e vejo que o treinador repete erros “antigos”:
Ricardo a defesa direito?!
Buba e Torrão de início…
Rui Lima no meio…
Vasco Matos no banco…
Congratulo-me ao ver Ale de novo na baliza.
A jogar em casa, tendo necessidade de vencer, jogar com o Ricardo (bom central) a lateral direito, um jogador que não ataca e não sabe efectuar cruzamentos, é amputar a equipa de jogar pela direita.
O Buba, minha gente, marcou três golos ao Sporting mas isso não o torna o melhor defesa central do Beira-Mar. É um jogador desastrado nas marcações e isso é fatal para qualquer defesa.
Em relação ao Torrão, ainda na semana passada fiz esta observação no blog Orgulho Beiramarense: “Torrão recupera mas também perde muitas bolas no meio-campo, não é jogador para ser titular”. Não tenho mais nada a acrescentar.
O Rui Lima a jogar no meio é um “crime”! Ele e o Vasco Matos são os dois melhores alas da equipa. São os que melhor conseguem ganhar as linhas e efectuar bons cruzamentos… Se um inicia o jogo no centro do terreno e o outro no banco, está tudo dito.
Quanto à questão dos guarda-redes, eu não tenho dúvidas. Dos três que já actuaram esta época, o Ale é o melhor e ontem, apesar de uma saída em falso num cruzamento, esteve bem na maioria dos lances, evitou vários golos e não teve responsabilidades nos que sofreu.
4. Só falo no Jardel porque a imprensa e os adeptos teimam em falar do homem. Em campo, tem utilidade ofensiva quando a equipa consegue exercer pressão e jogar sobre o último terço do campo. No entanto, é preciso ter em conta que é menos uma unidade em campo a defender e os desequilíbrios sentem-se depois no sector mais recusado.
5. Se todos os jogadores tivessem a garra e atitude do Jorge Leitão em campo, até podíamos ter o pior plantel da Liga (continuo a achar que não temos) mas não estaríamos na posição que estamos.
6. Defendo a titularidade do Ribeiro se este estiver em boa forma, mas colocar o Ribeiro a 15 minutos do fim, numa altura em que estávamos a perder por um golo e tentávamos o “tudo por tudo” é anedótico. Naquela fase, qualquer substituição que pudesse trazer algo de novo à equipa em termos ofensivos seria importante…
7. Existe, claramente, um problema de abordagem aos jogos que não é recente. As melhores unidades dos adversários, aqueles que são potencialmente os desequilibradores, não são alvo de marcações rígidas e individualizadas. O José Pedro e o Silas tiveram sempre liberdade para receberem as bolas como queriam…
8. A forma como a concentração de uma equipa tem que ser trabalhada. Sabendo-se que os índices de confiança estão em baixo e a intranquilidade resultante da classificação retira discernimento aos jogadores, é fundamental entrar em campo e assentar jogo, isto é, a primeira preocupação colectiva deverá ser não sofrer golos nos primeiros 15/20 minutos nem permitir espaços ao adversário que lhe dê confiança que pode chegar ao golo. É fundamental agarrar o jogo de início, pois, para uma equipa que se encontra aflita, o pior que pode acontecer é sofrer um golo logo nos primeiros minutos do jogo. Aquela perda de bola do Torrão e outras que se sucederam doutros jogadores são sintomáticas da falta de disciplina e concentração da equipa na forma como devem abordar o jogo. Isto trabalha-se durante a semana.
9. São imperdoáveis as falhas de marcação em lances de bola parada. O segundo golo do Belenenses é idêntico a tantos outros que já sofremos esta época (como são exemplos mais recentes o golo do Setúbal e o primeiro da Académica). São lances básicos do futebol. É uma questão de princípio. Assim, não há equipa nem treinador que resista. Quando se entra em campo é para dar tudo, tanto em termos físicos como em termos de concentração. Quem não está à altura das exigências de uma Liga profissional, deverá mudar de ramo de profissão.
10. Apesar das minhas considerações críticas, o treinador é o menos culpado pois herdou um conjunto de atletas extremamente mal preparado. Aquilo que espero de Carvalhal, é que tenha engenho para inverter esta dinâmica de derrota e possa “reciclar” esta equipa.
Por último, cada vez que vou ao EMA, sinto que andamos para trás no tempo. Os ecrãs do estádio continuam com um problema técnico desde o início da época (deve ser muito caro arranjar… só pode!). Agora, até as placas das substituições são as típicas da década de noventa e normais de um qualquer campo dos distritais. Para cúmulo, o Beira-Mar foi o principal prejudicado com o tempo que demorou uma das substituições do Belenenses, pois alguém queria à força que saísse o número 1 (não existia) da equipa do Restelo… e afinal era o 10. Faltava o zero…