
Muito se tem dito e discutido em torno da situação do clube. Como diz o povo – e bem - «em casa onde não há pão, todos ralham e todos têm razão». Contudo, as sucessivas discussões que tenho assistido desfocam-se do essencial e perdem-se por caminhos emotivos ou em ideias erradas que se baseiam naquilo “que se ouviu dizer”.
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Tenho aprendido com a vida que não devemos julgar os outros, sobretudo, quando não estamos na posse de todos os dados.
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Não pretendendo ser o dono de qualquer verdade, não quero deixar de partilhar aqui a minha visão, tão sintética quanto possível, sobre a crise que o SC Beira-Mar está a viver.
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A minha memória do Beira-Mar tem um alcance de cerca de vinte anos. Lembro-me perfeitamente de termos alcançado a melhor classificação de sempre na 1ª divisão de futebol (6º lugar com os mesmos pontos do 5º - o Salgueiros) e chegarmos à final da Taça de Portugal, com o FC Porto (perdemos por 3-1 no prolongamento), na época 90-91. Recordo-me bem da descida de divisão em 94-95, ano em que o Beira-Mar fez uma parceria com o FC Porto, da crise directiva que se seguiu, da Comissão Administrativa que assumiu o clube até à subida de divisão em 97-98, altura em que o SC Beira-Mar voltou a ter uma direcção (liderada pelo Eng.º Mano Nunes). Seguiu-se nova descida de divisão e vitória na Taça de Portugal (época 98-99), nova subida na época seguinte (99-00) e cinco épocas de estabilidade na 1ª divisão (entretanto, transformada em Liga) até 2005.
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É precisamente na época 2004-2005 que se inicia, na minha opinião, a actual crise do Beira-Mar. Depois de quatro anos consecutivos na 1ª Liga de futebol e a apresentar exercícios lucrativos, a direcção aumenta a fasquia e propõe-se a lutar por um lugar de acesso às competições europeias. Entretanto, o clube assumia que a sua vocação era o futebol e, gradualmente, a dimensão eclética do clube foi perdendo força. No futebol, fez-se uma parceria com o Stellar Group que, acredito, em tese estava bem pensada mas, na sua implementação, falhou completamente por motivos que não vale a pena alongar agora. No início dessa época, face à desconfiança dos sócios, Mano Nunes assumiu que se a equipa de futebol não ficasse no “top ten” da 1ª Liga, apresentaria a demissão no final do campeonato. Aconteceu que, não só a equipa não ficou no “top ten” como ainda desceu de divisão. Com um ano de mandato ainda por cumprir, Mano Nunes apresentou a demissão e, apesar do apelo de muitos sócios (onde eu me incluí), face ao aparecimento de duas listas, optou por não se recandidatar.
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Num acto eleitoral muito concorrido, a lista liderada por Artur Filipe venceu de forma inequívoca a lista de Marques da Silva. Com o clube na 2ª liga, a direcção estabeleceu como meta a rápida subida da equipa à 1ª liga, mantendo Augusto Inácio no comando técnico. Nessa época, o Beira-Mar gastou o que tinha e o que não tinha. Apesar de jogar um futebol de fraquíssima qualidade, o objectivo de subir de divisão foi conseguido e, seria de esperar, que o futuro voltasse a trazer de novo a estabilidade ao Beira-Mar. Porém, cometeram-se muitos erros ao nível da política desportiva com grandes custos associados. Neste aspecto, Augusto Inácio, com a anuência da direcção, pareceu assumir os destinos directivos do clube e praticou uma série de actos que, ainda hoje, me custa a aceitar como lhe foram permitidos. No plano desportivo, as atenções centraram-se na vinda de Jardel e a performance da equipa foi fraquíssima, tendo o treinador saído para o campeonato grego ainda antes do final da primeira volta. Para o seu lugar, foi escolhido Carlos Carvalhal. O técnico mostrou-se disponível para garantir a manutenção do Beira-Mar na 1ª liga com pequenos ajustes no plantel. Pela mão de Carvalhal, recordo a vinda, por empréstimo do SC Braga, de Eduardo e Matheus, por exemplo.
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A equipa começou a demonstrar francos sinais de recuperação, mas no plano financeiro, as asneiras cometidas na era Inácio obrigaram o clube a antecipar receitas, nomeadamente, as referentes ao contrato de direitos televisivos, fazendo com que, ainda antes do meio da época, o clube já não tivesse verbas para satisfazer os compromissos assumidos. E é neste contexto que aparece um “milagre”, nas palavras de Artur Filipe, chamado Inverfutbol. Aquela empresa espanhola emprestou dinheiro ao Beira-Mar, exigiu a vinda de um treinador espanhol (Paço Soler) e colocou uma dúzia de jogadores no plantel, obrigando a uma revolução de Inverno na equipa e à saída de Carlos Carvalhal do comando técnico.
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Como era fácil de prever (para mim era e os meus escritos na altura confirmam), esta decisão assumida pela direcção sem consultar ninguém (nem o Conselho Geral foi ouvido previamente) revelou-se um desastre no plano desportivo. O clube desceu de divisão, teve que entregar passes de atletas juniores à Inverfutbol e ainda ficou uma dívida àquela empresa espanhola que, nos dias de hoje, ainda subsiste (entretanto, agravada com juros).
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A época terminou e a direcção recusou-se a dialogar com os sócios. Foi necessário o Movimento 1922 (constituído em Janeiro de 2007) recolher as assinaturas necessárias para se convocar uma Assembleia Geral, pois o Sr. General António Graça, estranhamente, assumiu na altura uma posição de defensor da direcção em vez de se assumir como representante dos sócios. A direcção, confrontada em Assembleia Geral, à partida para o seu último ano de mandato, comprometeu-se a equilibrar as contas e a tentar subir de divisão, continuando a defender a bondade da parceria com os espanhóis e garantindo que a mesma, apesar do falhanço desportivo, não acarretaria encargos para o clube…
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A credibilidade do clube, por esta altura, já estava francamente debilitada. A acompanhar todas as trapalhadas protagonizadas pela direcção, que agora também não vale a pena elencar, a situação com a EMA e a autarquia continuava num impasse, tendo sido elaborado um «memorando de entendimento» que contemplava a transmissão do terreno das piscinas para o clube, o qual seria vendido, em princípio, ao Hospital da Trofa por cerca de dois milhões de euros. O negócio ainda chegou a ir a votação em reunião de executivo camarário, mas a saída dos vereadores socialistas da sala inviabilizou a votação, uma vez que, dois vereadores da coligação PSD/CDS-PP estavam impedidos de participar em votações que envolvessem o clube, pois assumiam-se como credores do Beira-Mar.
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O final de época (2007-2008) foi extremamente penoso. A equipa não subiu de divisão, Artur Filipe e Rogério Gonçalves protagonizaram um braço-de-ferro na imprensa e os últimos quatro meses de salários e outros encargos ficaram por pagar. A direcção terminou o seu mandato e não se quis recandidatar nem formar uma Comissão Administrativa, empurrando o clube para um vazio directivo. Sem nenhuma solução à vista, o Movimento 1922 procurou sensibilizar a comunidade Beiramarense para a situação do clube, conseguindo unir Alberto Roque, Manuel Madaíl e Mano Nunes em torno duma solução. Depois de três sessões de Assembleia Geral, conseguiu-se formar uma Comissão Administrativa liderada por Mano Nunes. José Cachide foi convidado para integrá-la, mas recusou. No entanto, comprometeu-se, perante os sócios, a apoiar a CA então eleita e a não reclamar os seus créditos enquanto o clube não tivesse oportunidade de os satisfazer. Nessa oportunidade, Mano Nunes afirmou a intenção de despoletar um processo negocial com a autarquia e zelar pelos interesses dos ex-dirigentes na solução a encontrar.
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No mesmo dia em que a CA tomou posse, começou de imediato a trabalhar pois restavam poucos dias para se conseguir regularizar a situação do plantel (tinha 4 meses de salários em atraso!) e conseguir inscrever o clube na Liga Vitalis. De imediato, Mano Nunes e Manuel Madaíl subscreveram uma livrança de 300 mil euros, conseguindo-se estabelecer acordos com quase todos os jogadores, os quais ainda resultaram numa significativa poupança para o clube. Deste processo, o clube ficou apenas com 4 jogadores com ligação contratual, tendo o restante plantel sido constituído à pressa numa altura em que alguns atletas referenciados pelo clube já se encontravam colocados.
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Pouco tempo depois, os ex-dirigentes vêm solicitar à CA que assumisse os encargos financeiros dos “empréstimos” contraídos junto da banca. A CA reúne com alguns ex-dirigentes e manifestou disponibilidade para encontrar soluções através de patrocínios que pudessem ser canalizados para esse efeito, mas advertiu os ex-dirigentes que eles tinham que colaborar na angariação dos mesmos, pois o clube não tinha condições financeiras para assumir aqueles encargos, encontrando-se a sobreviver e a manter a actividade graças ao financiamento de Mano Nunes e Manuel Madaíl. Poucos dias depois, para espanto geral, surge no clube a primeira carta de interpelação dos ex-dirigentes a exigir o pagamento de cerca de 720 mil euros de empréstimos efectuados no seu mandato, sob a ameaça de recurso às instâncias judiciais.
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Em Setembro, salvo erro, são decretadas as primeiras penhoras da autoria dos ex-dirigentes. Entretanto, o clube e a autarquia chegam a um entendimento quanto à fórmula de se resolverem os protocolos até então incumpridos pelo município. Surge, então, um novo Protocolo que revoga todos os protocolos anteriores. Assinado no início de Dezembro, aquele documento previa que, entre outras obrigações, a autarquia transmitisse o terreno das piscinas para o clube por 1,28M€ até 31 de Dezembro de 2008. Outra das obrigações consistia na transmissão para o Beira-Mar dos terrenos adjacentes ao novo Estádio para a construção dos novos campos de treino e do novo pavilhão, por 750 mil euros. Nesse pressuposto, o Beira-Mar desocuparia o antigo estádio e assumiria a gestão do novo mediante um contrato próprio cujos termos nunca chegaram a ser discutidos.
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A CA aceitou este protocolo na plena convicção de que a venda do terreno das piscinas permitiria o clube encaixar uma verba na ordem dos 7,25M€. Este valor permitiria amortizar o passivo do clube, construir os novos campos de treino, o novo pavilhão e pagar aos ex-dirigentes. Existia, ainda, a intenção da CA propor aos sócios a construção das novas piscinas junto ao novo estádio, centralizando as infra-estruturas desportivas do clube, abdicando das mesmas no local onde elas ainda existem, segundo consta do Protocolo. A expectativa do clube, a qual a autarquia tinha conhecimento, residia naquele valor pois já existia um investidor interessado e em fase avançada de negociação. No entanto, por motivos que foram totalmente alheios ao clube, o dito terreno só pôde ser transmitido em Julho de 2009! Sete meses depois do previsto e protocolado! Entretanto, instalou-se a crise dos mercados financeiros e o primeiro investidor desinteressou-se pelo negócio. Ao longo deste período, a CA e vários elementos dos órgãos sociais do clube desenvolveram inúmeros contactos junto de potenciais interessados. No entanto, o único que se mostrou interessado e atingia os valores inicialmente expectáveis, fez depender o seu interesse da possibilidade de ali poder construir um centro comercial “puro e duro”, o que o PDM não permite.
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Durante todo este tempo, foram algumas pessoas que aguentaram financeiramente o clube com o Presidente Mano Nunes à cabeça com a maior quantia despendida. Foram longos meses de agonia à conta de um protocolo que, por motivos que são totalmente alheios ao clube, demorou mais de 7 meses a iniciar-se a sua implementação. Tendo esgotado a sua capacidade de endividamento, a CA não teve outra solução que não vender o terreno por 2,5M€. Foi o melhor preço que se conseguiu. Se não tivesse feito o negócio, o clube teria que encerrar as piscinas (o seu funcionamento comportava prejuízos elevadíssimos todos os meses), não teria dinheiro para indemnizar os trabalhadores, não poderia inscrever a equipa de futebol na presente edição da Liga Vitalis e os homens que seguraram o “barco” durante toda a época arriscavam-se a perder o seu dinheiro. A situação era asfixiante.
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Com a venda do terreno das piscinas e com o compromisso da autarquia em renegociar o protocolo na legislatura seguinte, a CA tinha a confiança de poder formar uma direcção e candidatar-se às eleições do clube. Chegaram a realizar-se várias reuniões tendo em vista esse objectivo. No entanto, continuava a existir uma dúvida que se afigurava fundamental esclarecer: Dada a circunstância do negócio da venda do terreno das piscinas ter ficado aquém das expectativas, poderia a CMA abdicar de receber o valor da venda (1,28M€), previsto no Protocolo, por conta dos créditos muito superiores que o clube reclamava da autarquia e que serviram de pressuposto ao Protocolo?
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Sobre esta questão, uma vez que está a decorrer uma investigação da Polícia Judiciária que incide sobre esta matéria, entendo que não me devo pronunciar aqui. No entanto, que fique claro que o dinheiro recebido da venda das piscinas não foi apropriado por ninguém! A CA, durante os 15 meses do seu mandato, além de suportar os custos da actividade do clube, teve que pagar cerca de 800 mil euros (de cerca de 1,4M€) de dívidas herdadas da anterior direcção, tendo ressarcido o Eng. Mano Nunes e outras pessoas (não seria exigível a ninguém que deixasse ficar o seu dinheiro num clube que tem todos os seus activos penhorados) dos valores que estes colocaram no clube para aguentar a situação, excepto, os 300 mil euros referentes à livrança subscrita por Manuel Madaíl e Mano Nunes no inicio de funções (valor que continua no clube). O restante valor da venda do terreno (cerca de 700 mil euros) foi pago ao Beira-Mar através duma letra que ainda não foi descontada, tendo este crédito sido arrestado recentemente pelos ex-dirigentes por conta de um novo processo contra o clube respeitante a uma conta caucionada no valor de 1M€, da qual todos os ex-dirigentes (Artur Filipe, José Cachide, Caetano Alves, Miguel Capão Filipe, João Manuel Silva, Orlando Neves e Carlos Nuno) eram avalistas. Quem tiver dúvidas sobre os valores, poderá dissipá-las aquando da votação do Relatório e Contas, o que está para breve.
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Devido ao problema com a autarquia originado pela devolução do cheque de 1,28M€ referente ao pagamento da venda do terreno das piscinas do Município ao Beira-Mar, Mano Nunes ficou sem condições para encabeçar um projecto directivo para o clube, apresentando de imediato a demissão no início de Agosto (não aceite pelo Presidente da Assembleia Geral que lhe solicitou que se mantivesse em funções até às eleições que estiveram marcadas para Setembro).
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Face às penhoras de todos os activos do clube e perante a perspectiva de arrestos e novas penhoras de novos processos movidos pelos ex-dirigentes ao clube (é de prever que ainda esteja, pelo menos, mais um para vir), não restou outra alternativa à CA que não demitir-se em bloco.
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Claro que, face às expectativas iniciais que a CA tinha, torna-se muito fácil vir agora dizer que a CA vendeu mal o terreno das piscinas, mas não deixa de ser curioso que todos se esqueçam que os valores em causa são semelhantes aos valores que estiveram em cima da mesa quando o negócio esteve em vias de se realizar pelas mãos da anterior direcção. É muito fácil acusar a CA por se ter demitido e deixado o clube cair no actual vazio directivo, mas quando o Dr. Jorge Greno foi abordado no sentido de liderar um processo de entendimento com os ex-dirigentes no sentido destes viabilizarem uma solução directiva que possibilitasse ao clube manter-se vivo e encontrar, com a autarquia, soluções de viabilidade (nomeadamente, tendo em conta aquelas que eram as legítimas expectativas em torno do Protocolo que acabaram frustradas), a resposta dos ex-dirigentes foi procederem ao arresto do crédito de 700 mil euros da letra referente ao valor remanescente da venda do terreno das piscinas, o qual possibilitaria a uma Comissão Administrativa aguentar o clube durante alguns meses, os suficientes para desenvolver um plano de reestruturação do clube e renegociar o Protocolo com a edilidade.
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Este plano mereceu o apoio de Mano Nunes e de Manuel Madaíl (que ainda têm dinheiro a receber do clube). A autarquia, segundo as informações que são conhecidas da última reunião onde estiveram presentes os presidentes dos órgãos sociais do Beira-Mar, está disposta a ajudar o clube. Nesta altura, falta apenas que os ex-dirigentes compreendam que esta é a única solução para se salvar o clube e os próprios terem alguma expectativa de reaver os seus créditos (os quais eu acho que, pela via judicial, dificilmente lhes serão reconhecidos).
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Por tudo o que expus e pelo enfoque que foi dado pela autarquia na disponibilidade de apoiar o clube em projectos vocacionados para a formação desportiva e para o ecletismo face aos constrangimentos legais dos apoios públicos à competição profissional, urge discutir-se, internamente, um modelo de refundação do SC Beira-Mar (tema que me proponho a desenvolver noutra oportunidade). No modelo actual, é importante que os sócios tenham a noção que, todos os anos, mesmo com uma gestão equilibrada, cerca de meio milhar de euros é absorvido pelo défice de exploração que, comprovadamente, se verifica com uma equipa de futebol profissional a competir na Liga Vitalis, dada a exiguidade de receitas numa 2ª liga e uma estrutura de custos muito semelhante à de um clube pequeno de 1ª liga.
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Neste cenário, é fácil de ver que se torna difícil encontrar pessoas que estejam, de forma reiterada, disponíveis para injectar dinheiro no clube na expectativa de subir de divisão, o que nos demonstra que o actual modelo está esgotado.
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Contudo, penso que se devem encontrar, no imediato, algumas soluções de financiamento que permitam à equipa de futebol profissional concluir esta época. Os compromissos estão assumidos e a sua quebra a meio da época terá um impacto extremamente negativo a diversos níveis. Ainda assim, é fundamental que se comece a delinear, desde já, um novo modelo para o clube, pois sabemos que o futuro duma instituição quase nonagenária, com um papel social reconhecidamente relevante, não pode ficar dependente dos resultados desportivos de uma equipa de futebol profissional. Apesar da grave crise que vivemos, este parece-me ser o momento para se agarrar uma grande oportunidade, diria que histórica, conseguindo emergir desta crise as soluções para um Beira-Mar revigorado e, como a comunidade bem reclama, que seja autónomo e capaz de prosseguir o seu caminho sem a necessidade de reivindicar apoios públicos para se manter vivo.
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Quero ainda realçar que, não deixando de ser uma questão de grande relevância (sobretudo, à luz do protocolo assinado com a EMA em 2003), não é a questão da rentabilidade nem dos custos de manutenção do Estádio Municipal de Aveiro que asfixia o clube.
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Ao trazer a este texto alguns episódios passados, pretendi apenas contextualizar, na medida do estritamente necessário, algumas decisões tomadas que possam suscitar controvérsia. Peço, encarecidamente, que não vejam nesta minha análise nenhum tipo de ataque a ninguém. Não foi essa a minha intenção. Todas as pessoas que assumem responsabilidades cometem erros e, por isso mesmo, são susceptíveis de crítica. No entanto, maior crítica merecem aqueles que nunca fizeram nada pelo clube, mas que não se coíbem de criticar quem tenta fazer alguma coisa.
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Assim, permitam-me que termine estas linhas apelando aos ex-dirigentes que viabilizem uma solução directiva capaz de estabelecer um plano de acção que salve e reestruture o nosso clube. Compreendam que, depois de terem tomado a posição de moverem penhoras e arrestos ao clube, que inviabilizam qualquer outra solução directiva e cujas acções ainda não conheceram decisão judicial, não estão em condições de assumir uma posição negocial com a autarquia.
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É chegada a hora de promover a união dos Beiramarenses em torno de soluções consistentes que, acima de tudo, defendam o clube. Todos podem ser parte da solução.
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Alerto, desde já, que aceitarei comentários discordantes do que aqui escrevi, bem como, eventuais correcções ou esclarecimentos que alguém queira prestar. No entanto, reservo-me no direito de só o fazer se os respectivos autores se identificarem convenientemente. Eventuais comentários anónimos de índole difamatória ou que nada acrescentem a esta reflexão, serão liminarmente eliminados.