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domingo, 31 de janeiro de 2010

Distância maior desde que assumimos a liderança

  • Terceiro classificado pela primeira vez a 4 pts de distância.
  • Gil Vicente a 12 pts e Estoril a 13 pts.
  • Apenas cinco equipas (St Clara, Portimonense, Feirense, Oliveirense e Trofense) a menos de 10 pts de distância.
  • E a certeza de que falta ainda muito campeonato....Força!

Sempre candidatos

"Quero uma equipa unida e de profissionais solidários", afirmou o eng. Mano Nunes ao "Suplemento Beira-Mar" do dia 22 de Maio de 2009. Entrevistado por Alexandre Silva, o presidente da anterior Comissão Administrativa dava o mote para a época que se avizinhava. E como não é homem "de palavras", mas de palavra, agiu. O resultado está à vista. Temos uma equipa de futebol que dignifica o emblema e fortalece, a cada dia que passa, o nosso orgulho beiramarense.
Aconteça o que acontecer até final do campeonato ( eu acredito num desfecho glorioso), não devemos poupar elogios aos nossos profissionais. Apesar dos momentos complicados que viveram, nunca deixaram de respeitar o emblema. Dignos, combativos, evitaram que interesses pessoais se sobreposessem ao colectivo.
Leonardo Jardim, a par da grande qualidade técnica, soube ser líder nas situações mais complexas. Competente, organizado, ambicioso, disciplinado e disciplinador, o treinador madeirense tem todas as condições para trabalhar seja em que clube for. Dentro de quatro anos ( meta por si estabelecida), estará, com certeza, à frente de uma equipa com grande dimensão.
Inteligente, Jardim, procura retirar pressão ao seu grupo de trabalho, afastando qualquer tipo de "candidatura" que não seja a de vencer o jogo seguinte. Mas ele sabe, tal como nós, que o SC Beira-Mar não sobrevive a muitos anos de liga secundária. E compreende que, esta temporada, pode ser decisiva.
O nosso clube não precisa de assumir-se como candidato. O seu nome, a sua história são, por si só, suficientes. Quem enverga a camisola "auri-negra" sabe ( e os jogadores sabem. E têm-no provado em campo!) que o lugar do SC Beira-Mar é a divisão principal do futebol português. Não é por acaso que, mesmo em anos maus sob o ponto de vista desportivo ( como na época passada), os adversários encarem os jogos com a equipa aveirense com cuidado e motivação especial. E também não é por acaso que a generalidade das equipas tenham mais público quando recebem a formação beiramarense. Não são as camisolas que jogam, são os jogadores, é verdade, mas o carisma do SC Beira-Mar, construído ao longo de 88 anos, imortalizou-se.
Tudo pode acontecer, o futebol é fértil em surpresas. Mas estou absolutamente convencido de que, com o nosso apoio, este treinador e estes jogadores vão recolocar-nos no escalão de que nos afastaram de forma pouco séria. Não esqueço das arbitragens com Leiria, Naval, Benfica, Paços de Ferreira e Académica no ano em que descemos. Fomos empurrados para a divisão secundária.
Felizmente temos uma equipa " à Beira-Mar". À beira de um sonho tão importante que pode ser a fronteira entre o morrer e o viver.

Basquetebol - Derrota por 20 no Porto

14ªJornada
FCPorto B 110 Beira-Mar 90
Olivais 58 Salesianos 66
Guifões 69 Valença 77
Vale de Cambra 81 Atómicos 32
Gaia 70 Sanjoanense 52
Infante Montemor-U.Madeira (Dom)

CLASSIFICAÇÃO

CNB1 ZONA NORTE

J

V

D

PM-PS

FCPorto B

14

13

1

312

Vale de Cambra

14

11

3

182

FC Gaia

14

10

4

112

Guifões

14

8

6

63

Beira-Mar

13

7

6

24

Infante de Montemor

13

7

6

33

Valença

14

7

7

5

Sanjoanense

14

6

8

-6

Olivais

14

6

8

-27

10º

Salesianos

14

5

9

-152

11º

União da Madeira

12

1

11

-231

12º

Atómicos

14

1

13

-315



Os próximos jogos são decisivos para a equipa estabilizar no seu objectivo de ida aos playoff - Sábado, 6 Fev, 21h30 em casa frente ao Olivais; Sábado, 13 Fev, 18h visita ao pavilhão do Guifões.
Força Beira-Beira!

sábado, 30 de janeiro de 2010

Excelente jogo no Alboi!

Hoje tive a oportunidade de assistir à segunda parte do jogo entre o Beira-Mar e o Covão do Lobo (séniores). O encontro terminou empatado 5-5, com os últimos dois golos da partida (um para cada equipa) a serem obtidos no derradeiro minuto da partida. Foi um jogo cheio de emoção, com muitas oportunidades de golo desperdiçadas e indecisão no resultado até ao final. Um grande espectáculo de futsal (de lamentar apenas alguns erros difíceis de aceitar por parte da equipa de arbitragem) onde brilhou o jovem Hernâni, autor de três golos, atleta que completou a sua formação no Beira-Mar e ascendeu à equipa sénior na época passada.
Depois do empate frente ao Bom Pastor e da vitória em Alfarelos, o resultado de hoje frente ao líder do campeonato demonstra que a entrada de Jorge Martinho para o comando técnico fez muito bem à equipa. (ver classificação)

Juniores de novo na luta

Pos.EquipaPJVEDGMGS

1Sanjoanense391912345121

2Sp. Espinho391911623718

3Beira-Mar381912254620

4Oliv. Bairro361911354018


Conjugação de resultados favorável (Vitória por 3-0 ao Vildemoinhos, empate de Espinho em Paços de Ferreira e derrota de Sanjoanense na Covilhã) permite recolocar o Beira-Mar na luta pela subida de divisão, pese embora o difícil calendário que se avizinha a 3 jornadas do fim (inclui deslocações a Oliveira do Bairro e Paços de Ferreira). Força miúdos!

Marcelinho "Formiguinha"


O "Formiguinha" vestiu a camisola auri-negra entre 2001 e 2006 , era um jogador franzino mas com uma garra impressionante. Foi mais um jogador que me ficou na memória pela sua passagem em Aveiro, infelizmente, e devido a lesão, não pode contribuir ainda mais para o sucesso do nosso clube. Actualmente e com 31 anos, Marcelinho está afastado do futebol profissional.

Ficam aqui três vídeos para recordar:





sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Velocidade de decisão na justiça desportiva


Desta vez não trago aqui nenhum assunto que diga directamente respeito ao Beira-Mar. Mas parece-me que o tema, apesar disso, merece alguma reflexão no Bancada Norte.
Tendo presente o “caso” do túnel do Estádio da Luz, jogo disputado em Dezembro, antes do Natal, e que, até ao momento, não teve qualquer desenvolvimento a não ser a suspensão preventiva dos jogadores do F.C.P., e o “caso” de Cristiano Ronaldo no jogo do Real Madrid do passado fim-de-semana, fica a pergunta a quem de direito (e, já agora, a quem de Direito), qual é a dificuldade de aplicar em Portugal um sistema igual ao espanhol.
Para aqueles que desconhecem o caso “Cristiano Ronaldo”, tudo começou no passado fim-de-semana, quando o CR9 foi expulso do jogo do Real Madrid por ter aproximado demasiado o seu braço do nariz do seu adversário, com se vê facilmente na imagem, causando-lhe uma fractura.
Na 3ª feira, o jogador foi castigado pelo Comité de Competição, órgão de primeira instância da justiça futebolística em Espanha, com 2 jogos de suspensão.
O Real Madrid recorreu da sentença e, na 5ª feira, o Comité de Apelação apreciou e recusou o recurso do Real Madrid.
Recorre novamente o Real Madrid, desta vez para a última instância possível, o Comité Espanhol de Disciplina Desportiva, o qual reúne hoje, 6ª feira, e cuja decisão permitirá saber se o CR9 poderá ou não jogar no Real Madrid de amanhã. Ou seja, numa semana, assunto arrumado, com 3 instâncias jurídicas a pronunciarem-se e a decidirem definitivamente a situação.
Em Portugal é quase igual...
A pergunta que fica é simples. Custa assim tanto copiar este modelo que funciona bem? E, já agora, a quem interessa que em Portugal os assuntos não sejam resolvidos em tempo útil?

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Beira-Mar mostra coração e segue em primeiro!


Na 17ª jornada a nossa equipa recebeu o Portimonense, equipa que nos seguía a apenas a 1 ponto. O Beira-Mar mostrou cedo querer mandar no jogo e o Portimonense jogava claramente na expectativa, deixava o Beira-Mar jogar tentando surpreender no contra-ataque com elementos muito velozes como Wilson Eduardo, Ivanildo e Pires.

A primeira oportunidade de golo pertenceu aos forasteiros. Ivanildo disfere um remate forte a bola sofre uns efeitos estranhos, e, mostrando grandes reflexos Bruno Conceição desvia com a perna para canto. O Beira-Mar respondeu com Kanu a cruzar já dentro da grande, Varela falha o remate e na insistência Élio atira para fora, sendo que a bola é ainda desviada por um defesa da equipa algarvia. O Beira-Mar chegou à vantagem perto do minuto 25, jogada pela esquerda do ataque auri-negro excelente cruzamento de Élio, falha de Alê (ex-guardião auri-negro) e Artur a finalizar à ponta de lança. O Beira-Mar saia assim a ganhar para os balneários com inteira justiça diga-se. O Beira-Mar apresentou períodos de grande dinâmica na circulação de bola praticando um futebol, em espaços, de grande qualidade.

No segundo tempo os papeis inverteram-se naturalmente, o Beira-Mar a tentar usufruir do contra-ataque para "matar" a partida e o Portimonense a tentar desesperadamente atingir a igualdade. Litos fez entrar Yero (uma autêntica torre) no entanto, quer Hugo, quer Kanu foram dando conta das despesas. O Beira-Mar podia ter sentenciado a partida, sempre através de Rui Varela porém o ponta de lança auri-negro encontrava-se desinspirado no que à finalização diz respeito. Bruno Conceição mostrava-se extremamente inseguro a jogar com os pés mas mostrou grande personalidade ao reagir sempre com segurança e boas defesas entre os postes, foi um dos homens do jogo anulando todas as jogadas forasteiras com algumas defesas de elevado grau de dificuldade. Pedia-se Wang Gang na bancada, porém o técnico Leonardo Jardim não fez a vontade aos aficionados auri-negros. Desta feita Rondon, o mais recente reforço da nossa equipa, revelou-se opção válida para o que resta da temporada mostrando grande velocidade no lance que fechou a vitória auri-negra. Alivio de Pedro Moreira para a frente e Mário Rondon a deixar tudo e todos para trás em velocidade, tirou Alê do caminho perto da quina da grande área e perante a baliza deserta, fez o 2-0 final.

Vitória importantíssima na luta pelos lugares cimeiros da classificação, ficando apenas o Santa Clara com oportunidade de se manter a 1 ponto de distância. Mostrámos capacidade de sofrimento, garra e grande vontade de continuar na frente do campeonato, contagiando os adeptos que apesar de o jogo se realizar a uma quinta-feira e à hora de jantar compareceram em número muito aceitável para alguns já verificados esta temporada.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

LIGA BN - 17ª Jornada - I Liga




SC Beira-Mar - Portimonense
Quinta-Feira, dia 28, às 20.15 Horas
I Liga

Sem alterações na I Liga

1 Mário Marinho 15 25
2 Pedro Moreira 14 24
3 João Oliveira 15 23
4 Vitor Peixoto 12 18
5 Jota 15 16
6 Nuno Q. Martins 14 13
7 Ana Vinagre 14 13
8 Jqam/João Quintaneiro 7 12
9 Rui Nunes 15 11
10 Gabriel Baltazar 9 9
11 Su/Susana 10 9
12 Pedro Neves 14 9
13 João Cardoso 12 7
14 Pedro Ribau 9 4
15 Da Rocha 8 3
16 Acácio Sequeira 4 1

LIGA BN - 17ª Jornada - II Liga




SC Beira-Mar - Portimonense
Quinta-Feira, dia 28, às 20.15 Horas

II Liga

Novo lider, o regresso de LS Cantanhede são as únicas novidades.

1 + BM2 15 26
2 Márcio Pinto 14 25
3 Carlos Almeida 15 25
4 PN 14 22
5 António Neves 15 22
6 S. Cruz 15 19
7 André Raio 12 18
8 Sportsman 12 16
9 Tô Pissudo 11 15
10 Adm + BeiraMar 15 15
11 Bully 13 13
12 Vera Lisboa 12 11
13 Hugo Fernandes 9 8
14 Diogo 4 3
15 José Cravo 8 2
16 LS Cantanhede 1 1
17 Bebe Agua 1 1
18 Ricardo Pereira 2 1
19 Lei Sem Código 1 0
20 Ricardo Fernandes 1 0

Eliminação em Chaves

A eliminação do SC Beira-Mar em Chaves acaba por ser a segunda desilusão da época. Depois da saída da Taça da Liga, esta eliminação da Taça de Portugal afasta a possibilidade do nosso clube defrontar um dos "grandes" do futebol português esta época, perdendo assim a visibilidade e a receita que daí poderia advir, para além do natural sonho dos adeptos, que se renova todos os anos, de ver as cores auri-negras numa final.

Relativamente ao jogo de Chaves, pouco há a dizer. Num relvado em muito más condições, os nossos atletas tentaram jogar um futebol apoiado (asneira!). O adversário, por seu turno, entrou em campo consciente que esta eliminatória seria ganha pela equipa que colocasse mais agressividade e concentração em campo. O SC Beira-Mar teve nas mãos a possibilidade de definir o cariz do jogo, mas Rui Varela falhou uma grande penalidade que poderia ter dado vantagem aos auri-negros. Nestas coisas, já se sabe que o efeito psicológico é contrário nas equipas. O Chaves empolgou-se e o SC Beira-Mar afundou-se. Como um mal nunca vem só, os visitados chegaram ao golo ainda antes do intervalo e "atiraram" os auri-negros às "cordas".

Na segunda parte, o futebol do SC Beira-Mar continuou desarticulado e, sobretudo, desconcentrado. Com os minutos a passar, os da casa foram aumentando a confiança e estiveram sempre mais perto de aumentar a vantagem. Só no período de compensação é que o SC Beira-Mar esteve muito perto de marcar.

No cômputo geral, a vitória do Chaves é justa e não merece contestação. Notou-se que os locais tiveram uma boa abordagem ao encontro e estavam fortemente motivados. Ao SC Beira-Mar, julgo que faltou concentração, agressividade e pragmatismo. Não consegui discernir nenhum jogador auri-negro que tenha realizado uma exibição individualmente positiva. Estiveram todos em dia "não". No capítulo táctico, penso que Leonardo Jardim fez tudo o que estava ao seu alcance.

Agora, as atenções do SC Beira-Mar centram-se na Liga Vitalis onde, na próxima Quinta-Feira, a equipa terá um encontro muito importante, frente ao Portimonense. Espero que os sócios e adeptos compareçam em bom número e com espírito de apoio à equipa.

Uma palavra para os Ultras Auri-Negros que têm estado sempre ao lado da equipa. Nas últimas três semanas, os "sempre presentes" estiveram no Cartaxo, na Covilhã e em Chaves. Muitos kilómetros percorridos e algum dinheiro investido num curto espaço de tempo para apoiar o SC Beira-Mar.
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Neste fim-de-semana, merecem uma especial felicitação as equipas séniores de futsal e basquetebol pelas vitórias alcançadas nos respectivos campeonatos, bem como, a equipa de Iniciados A (Academia de Futebol) pelo apuramento para a 2ª fase do campeonato nacional.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Basquetebol - derby duro dá vitória importante

13ªJornada
Sanjoanense 76 Beira-Mar 84 (ap)
Gaia 68 Vale de Cambra 49
Atómicos 40 Infante Montemor 76
Salesianos 72 FCPorto B 88
Valença 84 Olivais 66
Uniao Madeira-Guifões(Dom)
FCPorto B 98 Valença 49 (Dom)

















Próximo Jogo: Visita ao pavilhão do líder em Matosinhos
FCPorto B - Beira-Mar, Sábado 30 Janeiro, 17h30

sábado, 23 de janeiro de 2010

Ainda as escutas do SC Beira Mar - FC Porto

Vieram agora a público as célebres escutas em que, indirectamente, o nosso Clube aparece envolvido a partir do momento em que Pinto da Costa recebeu em sua casa, dias antes de o FCP defrontar o Beira-Mar, o árbitro do jogo. O processo, independentemente da apreciação jurídico-desportiva - e essa está profundamente descredibilizada pela actuação do rapazito que está à frente dos destinos da Comissão Disciplinar da Liga - seguiu para os Tribunais comuns, com acusação deduzida pelo Ministério Público contra Pinto da Costa.
Independentemente do que veio a ser a decisão final desse processo judicial, ele encerra uma das maiores dúvidas que me assaltam sobre a rectidão dos dirigentes do nosso Clube à data em que os factos foram para Tribunal - e esclareço que não sei de memória quem eles eram, nem me quis dar ao trabalho de ir ver quem eram, porque para mim isso é absolutamente irrelevante. O que me importa é o seguinte: à face dos factos apurados e das escutas e demais provas carreadas para o processo, o Ministério Público acusou Pinto da Costa, se a memória me não atraiçoa, do crime de corrupção desportiva activa. Ora, numa situação destas, pergunto - por que não se constituiu o Beira-Mar assistente no respectivo processo? Por que não acompanhou a acusação do Ministério Público? Tendo havido a possibilidade de o Clube ter sido objectivamente lesado e prejudicado no jogo em causa por acto supostamente ilegal, qual a razão pela qual o nosso Clube ficou «mudo e quedo», quietinho, e nem ao processo quis ir? Era simples, muito simples: bastaria um simples requerimento de 3 linhas e o nosso Clube ter-se-ia constituído assistente no processo (esclareço, para quem não domine as matérias jurídicas: a figura do assistente é a que desempenham todos os que se consideram vítimas ou lesados em processos onde o Ministério Público deduz uma qualquer acusação, podendo acompanhar essa mesma acusação do MP). Ao não o fazer, ao não intervir no processo e ao não se constituir assistente no mesmo, para todos os efeitos, contrariamente ao que sustentou o próprio MP, o Beira-Mar achou absolutamente normal que o árbitro do seu jogo com o FC Porto fosse a casa de Pinto da Costa na véspera do jogo!
No fundo, eu sei e todos nós sabemos a razão pela qual isso sucedeu. Chama-se a isso medo ou temor reverencial pelas consequências que daí pudessem resultar no futuro por afrontar quem é tido ainda como o Papa do sistema. Mas continuo a ter para mim que não é com atitudes desta natureza e com omissões deste jaez que as coisas vão mudar.
Eu sei - sei muito bem! - o quanto pode custar a frontalidade e a não pactuação com o dito «sistema». Mas também sei que enquanto ele prevalecer a verdade desportiva pelo qual tantos dizem pugnar continuará bem longe dos nossos campos de futebol. Quem tiver dúvidas que oiça as escutas.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O Protocolo e a venda do terreno das piscinas

Muito se tem falado sobre o Protocolo celebrado entre o SC Beira-Mar e o Município de Aveiro em 4 de Dezembro de 2008. Naturalmente, quando um acordo se revela ineficaz, uma de duas atitudes são possíveis: Ou se o renegoceia, ou a parte beneficiada defende intransigentemente a sua bondade. Aprendi com os meus antepassados e confirmei na minha vida pessoal que o reconhecimento da ineficácia, quando somos parte interessada, requer uma postura de humildade que não está acessível a qualquer um.
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Vamos aos factos. Quando a Comissão Administrativa (CA) que integrei se apresentou à Assembleia Geral do Clube, fê-lo porque teve garantias, transmitidas pelo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Aveiro, de empenhamento do executivo municipal na resolução rápida dos protocolos que existiam entre a CMA e o SC Beira-Mar, entre os quais, o que se referia ao celebrado com a EMA, EM. cujo incumprimento por parte daquela empresa municipal já se arrastava há 3 anos. Convém recordar que, em sessão da Assembleia Municipal de Janeiro de 2008, o Senhor Presidente da CMA, contabilizou a dívida da edilidade e da EMA em cerca de 3,9 milhões de euros, valor que serviu de referência na avaliação e enquadramento do dito “negócio das piscinas”.
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Uma vez assumidos os destinos do Clube, a CA nomeou um seu Vice-Presidente, o Senhor Manuel Madaíl e o Senhor Eng.º Alberto Roque, entretanto nomeado assessor da CA, como os seus representantes na mesa de negociações com a CMA, tendo as mesmas se iniciado de imediato. O quadro exposto pela Edilidade, e que era do conhecimento público, revelava a impossibilidade de satisfazer os compromissos em dinheiro, por duas ordens de razão: A situação de asfixia financeira da CMA e a impossibilidade da EMA de satisfazer a sua parte do débito pelo mesmo motivo por outros constrangimentos entretanto surgidos.
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Surge assim, como única solução, a opção por pagamento em “géneros” consubstanciando o terreno das Piscinas o instrumento de realização financeira dos créditos do SC Beira-Mar sobre o Município. É desenhado um quadro de utilização do terreno, por parte da Edilidade, de optimização do seu valor, traduzido por um destino de ocupação para um equipamento comercial-ludico-desportivo e uma ocupação efectiva compatível. O terreno atinge, antes da declaração da crise financeira, um valor de mercado de 7,25 milhões de euros, valor este confirmado por um consórcio de empresas interessadas na sua implementação.
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Este valor colocava um elevado desvio relativamente ao reconhecido como dívida ao SC Beira-Mar, assumindo as partes, CMA e SC Beira-Mar, que parte das mais-valias deveria resultar a favor do Município, daí a opção pelo pagamento por parte do SC Beira-Mar de um preço pelos valores dos terrenos das piscinas e do dos futuros campos de treino e pavilhão junto ao Estádio Municipal de Aveiro e não o que seria normal num quadro destes - a doação -, atendendo a que o terreno das piscinas era, há mais de duas décadas, utilizado pelo Clube e que os terrenos na zona do Parque Desportivo de Aveiro têm uma finalidade de construção de infra-estruturas desportivas, as quais são fundamentais para que o SC Beira-Mar tenha as condições para prosseguir a sua actividade conforme protocolo anterior como contrapartida à saída do antigo Estádio Mário Duarte.
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Se assumirmos o débito de 3,9 M€ do Município e EMA, EM. ao Clube a Dezembro de 2007; se considerarmos cerca de 0,5M€ o valor a acrescentar de débito pelo protocolo com esta empresa municipal, respeitante ao período de Janeiro a 31 de Dezembro de 2008, data limite prevista para a aplicação do Protocolo assinado em Dezembro de 2008; se considerarmos que o SC Beira-Mar se comprometia a demolir o Pavilhão do “Alboi”, criando condições ao Município para integração do seu espaço no futuro Parque da Sustentabilidade e se comprometia a construir um novo, facilmente chegamos a um valor entre 5 a 5,2 M€, necessários para que o SC Beira-Mar pudesse realizar os compromissos estabelecidos neste último Protocolo.
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O diferencial entre aquele valor e o valor de mercado do terreno das piscinas na altura da aprovação do Protocolo situava-se em cerca de 2M€, valor que o SC Beira-Mar restituía ao Município – o mesmo é dizer que restituía à comunidade - pagando um preço pelos terrenos na mesma ordem de grandeza, apesar dos direitos anteriormente consignados.
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Temos aqui que referir que em todo o processo existiu o conhecimento, das diversas variáveis e contornos do negócio em perspectiva, pelas partes envolvidas, i.e., SC Beira-Mar, CMA e o consórcio investidor.
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É neste quadro que o SC Beira-Mar e o Município assumem a redacção do protocolo e o assinam em 4 de Dezembro de 2008. Infelizmente, a crise entretanto declarada evolui de financeira para económica e o consórcio interessado vê-se obrigado a desistir do negócio, tendo sido necessário encontrar novos interessados e, desta forma, o prazo estabelecido para implementação do Protocolo, 31 de Dezembro de 2008, resultou prejudicado.
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Entretanto, surgem novos elementos de perturbação para a aplicação de protocolo, nomeadamente, uma penhora sobre os terrenos das piscinas da responsabilidade de um credor da CMA e a detecção da incorrecta inscrição matricial do terreno, bem como, outras deficiências jurídico-administrativas.
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A morosidade na resolução destes novos elementos e as dúvidas colocadas e não desfeitas pelo Município sobre a viabilidade de utilização do terreno tal qual descrito no Protocolo, já com o primeiro trimestre de 2009 a decorrer, levam o novo potencial comprador do terreno a desistir. Todo este processo arrasta-se no tempo e esgota-se a capacidade de endividamento da Comissão Administrativa. Os salários dos trabalhadores do Clube registam um atraso de três meses na sua liquidação, a época desportiva estava a terminar e uma outra estava à porta, a qual exigia preparação de imediato, sem que o Clube conseguisse reunir os recursos financeiros necessários para criar as condições de manutenção na Liga Profissional de Futebol.
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A CMA continuava a não encontrar soluções alternativas para resolver a dívida da EMA e não aceitava, conforme por diversas vezes foi proposto, a renegociação do Protocolo, fundamentando a sua posição com a inoportunidade política, mas confiando-nos que se o terreno das Piscinas não cumprisse o objectivo de liquidação dos diversos créditos do SC Beira-Mar, que abriria um novo processo negocial após o processo eleitoral.
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Surge, entretanto, um novo interessado, mas conhecedor da real condição do terreno não aceita pagar mais de 2,5M€. Procurámos outros potenciais interessados, mas a crise que se revelou mais grave do que originalmente se perspectivava, não nos permitiu encontrar alternativas mais favoráveis. A CMA acompanhou, uma vez mais, todo o processo e respectivas negociações.
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Estávamos em finais do mês de Maio e o SC Beira-Mar asfixiava financeiramente. A CMA reafirmava não estar em condições de encontrar soluções alternativas para solver os seus compromissos com o SC Beira-Mar e não restou outra alternativa à CA senão estabelecer com este interessado um contrato-promessa de compra e venda do terreno das piscinas, na condição da CMA resolver num prazo de 60 dias a penhora que recaía sobre o terreno, assim como, os obstáculos de natureza administrativa que se colocavam, tendo nestas condições o SC Beira-Mar recebido um adiantamento de 0,5 M€.
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Deste modo, foi possível proceder às regularizações financeiras que punham em causa, novamente, a inscrição do Clube na época desportiva 2009-2010.
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Dizer-se que com a assinatura do Protocolo a CMA liquidou a sua dívida ao SC Beira-Mar poderá, eventualmente, colher no plano jurídico (apesar de apenas um de vários itens do Protocolo se ter cumprido e com um atraso de cerca de 7 meses - atraso este da única e inteira responsabilidade da Autarquia), mas no plano ético, o Senhor Presidente da CMA não pode sustentar este discurso, pois sabe que o valor do pagamento do preço pelos terrenos existiu apenas porque se perspectivava uma elevada mais-valia na venda dos terrenos das piscinas para além do que era devido pela Autarquia e EMA. O Senhor Presidente da CMA monitorizou as negociações com todos os interessados no terreno, foi conhecendo a evolução das ofertas e as razões que determinaram a sua desvalorização. Conhece, igualmente, as razões que impediram o Clube de, sobre aquele terreno, poder ter realizado em tempo uma operação financeira que permitisse reter a sua propriedade por mais algum tempo, aguardando uma evolução mais favorável da economia e ou o aparecimento de novos interessados que reposicionassem o valor no anteriormente expectável e não pode negar que a CA lhe propôs por diversas ocasiões a renegociação do Protocolo e que sempre a recusou, com a promessa de após as eleições para o executivo Municipal se encontrarem mecanismos de compensação.
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O SC Beira-Mar é uma das mais representativas instituições do Concelho, deve pelo seu historial de Utilidade Publica e prestígio nacional ao qual se cola a imagem da Cidade não deve ser tratado com tanto despudor pelos poderes públicos.
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Esperamos que o bom senso impere e que a Autarquia assuma a instituição SC Beira-Mar como um poderoso parceiro para o desenvolvimento social da nossa cidade, assim tenham engenho e arte, porque áreas de intervenção comum não faltam.
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Emídio Martins
Ex. Vice-Presidente do SC Beira-Mar
Artigo publicado no Diário de Aveiro (21-01-2010)

Escutas do caso Beira-Mar x FC Porto

Não é preciso ser tendencioso para perceber que houve um encontro claro entre Augusto Duarte e Pinto da Costa, intermediado.

Para escutar enquanto é possível.