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quarta-feira, 14 de março de 2012

Duas notas sobre o futebol português

O Conselho de Presidentes, órgão da LPFP "criado" por Fernando Gomes quando foi Presidente da Liga, reuniu na passada Segunda-Feira e, entre outras questões, decidiu mandatar o Presidente da Liga para fundamentar num estudo económico a preparação da instrução de uma eventual queixa – a deliberar em reunião futura - na Direcção Geral da Concorrência da Comissão Europeia, até 30 de Junho de 2012, que tenda a declarar nulos os contratos de cessão de direitos de transmissão televisiva dos clubes participantes nas competições profissionais de futebol em Portugal e permita centralizar a negociação desses direitos na Liga Portuguesa de Futebol Profissional.
Devo dizer que sou um defensor da centralização da negociação dos direitos de transmissão televisiva como forma de reforçar o poder negocial dos clubes junto dos eventuais operadores interessados, mas parece-me que a mesma só se poderá concretizar com uma cessão, gradual, desses direitos dos clubes para a LPFP. Estes "esquemas" de carácter jurídico, quanto muito, poderão servir como meio de pressão, mas cuja eficácia não acredito. Do ponto de vista estritamente jurídico, parece-me que esta eventual queixa será abusiva, porquanto os clubes negociaram livremente os respetivos contratos.
Noutro âmbito, têm sido várias as vozes públicas de descontentamento dos clubes que, na Assembleia Geral da LPFP, votaram contra o modelo de alargamento da Liga Zon Sagres. Lamentavelmente, parece-me que o presidente da LPFP "esticou-se" nas promessas eleitorais que fez e agora está refém dessas mesmas promessas. Só assim se entende toda esta polémica que o futebol bem dispensava. A este propósito, subscrevo a posição assumida pelo Pedro Miguel Branco [ver aqui].
Todo este imbróglio remete-nos para um ambiente institucional que julgava ultrapassado, no qual alguns dirigentes vão para os órgãos da LPFP defender exclusivamente os interesses dos seus clubes, descurando e até prejudicando os interesses coletivos da indústria que integram.

terça-feira, 13 de março de 2012

Parabéns, grande líder!

Hugo, defesa central do Beira-Mar, ganhou o prémio de Jogador do Ano, atribuído na 15.ª Gala dos troféus desportivos O Minhoto, que premiou os melhores atletas nascidos no Minho. O jogador dos aveirenses venceu Adrien Silva, da Académica e Paulo Jorge, que joga nos cipriotas do Apoel Nicósia. Hugo, que também passou por SC Braga, Sampdoria, Sporting e V. Setúbal, dedicou o prémio à família. «É um prémio pela minha carreira e por tudo o que fiz pelo futebol português», afirmou o central. [ver aqui]

Os horários do futebol

No dia em que a oito jornadas (!) do final do campeonato a Liga Portuguesa decide o alargamento do próximo campeonato a 18 equipas, nada como analisar o horário da próxima jornada da nossa liga para se perceber o estado em que se encontra o futebol português. Dos oito jogos que compõem a jornada, temos quatro dias de futebol, de sexta a terça, e nenhum jogo é realizado em simultâneo. Há cerca de um ano ouvi uma entrevista numa radio nacional com o provedor do adepto da Liga Portuguesa que, quando questionado com os horários do nosso futebol, dizia que até era um factor positivo porque permitia aos adeptos ver in loco mais do que um jogo na própria jornada. Claro que com argumentos deste calibre, qualquer visão empírica dos factos fica completamente desarmada. Estamos na fase de estar à frente de todas as outras ligas da Europa, onde todos os outros estão errados e apenas nós estamos no caminho correcto. A verdade é que desde há muito tempo, o nosso futebol é comandado por uma empresa que aproveitando o estado de bancarrota da totalidade dos clubes em Portugal, conseguiu o monopólio das transmissões televisivas, gerindo a seu bel prazer os horários dos nossos jogos. Desta forma o futebol passou a ser orientado para o adepto de sofá e não para o adepto que vai ao estádio. E contra este monopólio não há clube que se atreva a contestar porque cada vez mais os clubes precisam do balão de oxigénio proveniente das receitas televisivas. O episódio do alargamento do campeonato do próximo ano mostra bem o desnorte da nossa liga. A lógica é apenas uma: mais jogos (independentemente da sua qualidade) significam mais transmissões e, portanto, mais receitas. A questão de fundo é que, salvo raras excepções, o espectáculo é cada vez mais deprimente e os estádios vêem-se gradualmente com menos público. Por este andar corrermos o risco de ver jogos à porta fechada, cujas receitas de bilheteira, na grande maioria, não chegam sequer para para cobrir os custos com a organização dos jogos. A exagerada diferença de receitas entre a primeira e a segunda liga é, na minha opinião, a primeira causa para o descalabro financeiro dos nossos clubes. O cenário de uma descida divisão significa muito mais do que um fracasso desportivo: é também um pesadelo financeiro, uma vez que os custos descem marginalmente, enquanto as receitas caem de uma forma exponencial. Este facto explica as loucuras cometidas para que as equipas se mantenham na primeira divisão. Este sim, deveria ser o primeiro passo no sentido de tentar tornar as nossas ligas profissionais mais equitativas. Ao invés encontra-se a solução mais fácil, com efeitos no curto prazo, mas errada naquilo que deveria ser o rumo a médio prazo dos nossos campeonatos.

segunda-feira, 12 de março de 2012

O Beira-Mar voltou!

Volvidos praticamente três meses o Beira-Mar regressou às vitórias, ante um Gil Vicente que tem vindo a realizar um campeonato tranquilo e simpático. Num jogo sem interesse, fraco, táctico e sem oportunidades claras de golo valeu pelo tento assinado por Zhang Chengdong, que já leva 4 esta temporada, 3 de cabeça.
A nossa equipa apresentou-se com três jogadores da formação (Jaime, Dias e Artur), mostrando que a saída de Rui Bento e a entrada de Ulisses Morais já dá frutos. Os jogadores vestem o “fato-macaco”, mostrando-se altamente solidários uns com os outros, e vislumbra-se um fio-de-jogo construtor e organizado, algo que carecia há uns tempos. Além do mais a mentalidade é outra: a equipa assume o jogo de frente e supera a timidez evidenciada em outrora, controlando as operações. É verdade que o ataque ainda se mostra bastante debilitado, contudo a bola chega à frente de forma mais inteligente e jogável. Cássio, a “anos-luz” do que fez no União de Leiria, não trouxe nada de novo. Artur parece algo cansado e “preso”, aguentando no máximo 55/60 minutos. Ao invés, nota bem positiva para Jaime (agradável surpresa a lateral), Dias (temos um grande jogador de futuro), André Marques (sempre certinho, nem parecendo que vem de uma longa paragem), Zhang (pelo esforço demonstrado e pelo bom golo) e Camará (bons pormenores, energizando o ataque).
O Povo provou ter razão e exigiu a saída de Rui Bento, ao contrário do que a SAD de Coimbra pretendia: segurar Rui Bento a todo e qualquer custo, porque é um “treinador competente, motivador e que colhia a simpatia dos atletas”. A saída do treinador idolatrado pela SAD de Coimbra peca por tardia, demasiadamente tardia. É o reflexo de uma atitude teimosa de pessoas não-beiramarenses que buscam a valorização de jogadores com vista à sua futura venda. Só! Se fosse por eles o Míster Bento ainda por cá andava. Mas estou crente que ainda iremos a tempo dos objectivos, por dois motivos: uma nova mentalidade e atitude incutida na equipa e… porque os outros não fazem melhor.

A política de bilhética é a prova cabal que a SAD de Coimbra nada percebe do clube e da cidade. 2300 espectadores, entre os quais cerca de 100/150 barcelenses, é o reflexo da falta de capacidade em cativar pessoas para a bola. Puxando um pouco a “brasa à minha sardinha”, tendo em conta que me disponibilizei a realizar esse trabalho, urge um esforço que una a instituição à cidade, concelho e distrito, através de múltiplas campanhas. Não é oferecer por oferecer que lá chegam. Não é oferecer por oferecer que abrem o coração às pessoas. Além do mais, reitero, esta campanha é um atentado à fidelização do sócio “normal” e, especialmente, do sócio com bilhete anual.

Ao ir para o estádio verifiquei, uma vez mais, muita gente a cortar para o Retail Park, o que me deixa desiludido e descrente. Custa-me aceitar que, jogando o clube da terra, em casa, muitas pessoas prefiram este tipo de passeios de Domingo à tarde. Acredito que muita gente nem saiba quanto ficou a partida desconhecendo, mesmo, que o Beira-Mar jogava ali, a uns acessíveis 1500 metros. E se não foram para o Retail Park ou Fórum preferiram ir tirar uma foto com o pardal Vitória, na inauguração da Casa de um dos “Três Estarolas”! Valores?! Quais quê!

Por falar nisso: o próximo jogo é Sexta-Feira à noite, no estádio da Luz (ou sem).

domingo, 11 de março de 2012

SC Beira-Mar 1-0 Gil Vicente

Voltou-se a festejar em Aveiro!
Na estreia de Ulisses Morais em Aveiro, o Beira-Mar voltou a festejar uma vitória!

Numa primeira parte, que se pode qualificar de um deserto de ideias por parte de ambas as formações, nem Beira-Mar, nem Gil Vicente, conseguiram importunar a baliza adversária saindo para os balneários com uma igualdade justa. Duas notas: a alteração do sistema táctico para uma abordagem mais inteligente parece-me (Artur encostado à ala esquerda e Nildo a playmaker, Zhang ao lado de Dias no sector mais recuado do meio-campo) e a inclusão de André Marques no lado esquerdo da defesa, relegando Joãozinho para o banco de suplentes.

Na segunda parte manteve-se a toada de equilibrio com o Beira-Mar a tomar conta da bola mas sem conseguir importunar Adriano. Apenas registo para três lances de perigo, um por parte do Gil Vicente ( Richard obrigou Rego a boa parada) e dois por parte do Beira-Mar (um deles deu golo, quando aos 62minutos depois de um canto cobrado por Artur, Zhang superiorizou-se no interior da área e de cabeça fazendo o único tento da partida depois da insistência de André Marques). Até final muita luta mas sem que nada alterasse o desfecho final!

Autêntico balão de oxigénio, esta vitória permite-nos deixar Feirense e Leiria, a três e cinco pontos respectivamente!

25ª Jornada: Beira-Mar x Gil Vicente

25ª jornada da Liga Hi-Fi 2000, 2ª do mês de Março.

Apenas 5 concorrentes pontuaram na jornada inaugural deste mês.

Luta renhida na frente da classificação geral: Apenas 4 pontos separam os 4 primeiros: ANjum, ABNC, Paulo José e Mahmoud Ahmadinejad.

Para o jogo vs Gil Vicente, aceitamos palpites (aqui) até às 15h de hoje, dia 11 de Março de 2012.

Algumas novidades na convocatória: Nuno Coelho (lesionado) é a principal baixa. Douglas, em princípio em trânsito para o Brasil, também não foi chamado.

quinta-feira, 8 de março de 2012

O "caso" das quotas

Um dos temas que, na última Assembleia Geral, mais dúvidas levantou (assim como espanto e indignação) foi a transferência indevida de cerca de 110 mil euros resultantes da quotização para a SAD. Nunca, em parte alguma do protocolo celebrado entre o clube e a SAD, é referido que as verbas resultantes das quotas, pagas pelos associados, tinham como destinatário a Sociedade Anónima, tal como tinha prometido a Direcção, e como já me havia afirmado o próprio representante de Majid Pishyar, Nuno Patrão: “os dinheiros das quotas destinam-se às modalidades amadoras.” Esta situação foi denunciada pelo ex-Presidente-Adjunto, António Cruz, que falou em 140 mil euros. Jaime Machado confirmou o sucedido, no entanto afirmou que foram cerca de 110 mil euros a quantia resultante da quotização “desviada” para a SAD.
Não se aceita que por falta de liquidez da SAD sejam usados dinheiros dos sócios, ainda para mais à revelia dos mesmos: é bastante gravoso! Ou seja, a SAD (cujo investidor é detentor de 85% do capital) financiou-se, indevidamente, à custa do clube algo, verdadeiramente, inaceitável. O acordo é peremptório: a verba resultante da quotização é uma receita do clube. Portanto há que assumir, de forma categórica, o erro, avocar responsabilidades e culpas: é uma situação onde a culpa não pode morrer solteira, a bem da transparência. Chega de proferir um discurso em que tudo está bem e que tudo irá acabar melhor, porque é manifestamente mentira. Honra seja feita ao Dr. Jaime Machado que assumiu erros e insatisfação pelo incumprimento porque ele, manifestamente, existe e não vale a pena branquear evidências e factos. Os mesmos que falam em “incumprimento pontual” são os mesmos que daqui a uns meses falarão em “incumprimento definitivo”: espero estar equivocado.
A verdade é que com esses 110 mil euros (ou 140 mil) os pagamentos em atraso às actividades amadoras (basquetebol, futsal e futebol de 7) já poderiam ser realizados, assim como o aluguer de um espaço que albergasse a sede do clube.
Reitero: há que assumir culpas e julgar quem permitiu tal operação. Como sócio exijo que tal seja feito, como sócio sinto-me enganado, porque se o dinheiro que despendo, mensalmente, em quotas tiver como destino a SAD pura e simplesmente não pago.
Convém dizer que os 110 mil euros (ou 140 mil) entraram nos cofres da SAD em Agosto/Setembro. Pois bem, é nesta mesma altura que a verba resultante da quotização é maior, mercê o início da época e, consequentemente, actualização e pagamento de quotas e bilhetes anuais.
Por fim, escusado será dizer que o Beira-Mar ainda não foi ressarcido e é fundamental que tal aconteça, sendo que é a sobrevivência das modalidades que se encontra em jogo.

P.S. 1 – Na Assembleia Geral ficaram por responder duas questões relativamente à atleta Sónia Tavares: quem pagou os 3 mil euros, ao Sporting, pela sua vinda para Aveiro? Quem sustenta o ordenado desta atleta profissional?

P.S. 2 – Cristiano, jogador contratado no último Verão pelo Beira-Mar, rescindiu hoje com o clube, dois meses depois de lhe ter sido instaurado um processo disciplinar, por mau comportamento no jogo com o Sp. Braga. Foram necessários 60 dias para haver uma conclusão definitiva de um processo altamente mal conduzido, com falhas e moroso. Além do mais é só mais um caso entre tantos outros: Vasco Fernandes, assalariado durante 5 meses, nem sequer foi inscrito; Edson Sitta e Tiago Cintra, contratados na reabertura do mercado, lesionaram-se no primeiro treino. Ambos os atletas eram pouco utilizados no Vit. Guimarães e Leixões, respectivamente, sendo que o primeiro não jogava há mais de um ano!!!

terça-feira, 6 de março de 2012

Rescaldo da Assembleia Geral

A Assembleia Geral de ontem à noite, apesar de algumas "crispações" desnecessárias e diálogos cruzados, penso que foi esclarecedora quanto aos seus objectivos. Julgo que, finalmente, os sócios do Beira-Mar se aperceberam que o conteúdo contratualizado com o investidor Majid Pishyar não corresponde, exactamente, ao que foi prometido aos sócios, em Maio último, aquando da aprovação da SAD.
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A este propósito, repare-se que o passivo do clube que o investidor teria que assumir (€ 2.966.501,28 em 08/08/2011), acabou por cair, em sede de negociação, para a SAD (cujo capital social é de 1 milhão de euros e o investidor, através da 32 Group, apenas liquidou 50% da sua participação > € 424.998,50 < diferindo o pagamento dos restantes 50% para o prazo legal > 2 anos < ). Durante a reunião, perante a insistência dos sócios, a direcção foi justificando com "dificuldades de tesouraria" a morosidade da SAD na liquidação do passivo do clube. Convenhamos que, o facto do passivo ter sido assumido pela SAD e não pelo próprio investidor, através do 32 Group, constitui só por si um sinal inequívoco de vulnerabilidade do grau de compromisso do mesmo com o projecto. Contudo, a justificação dada pela direcção fundamentada nas dificuldades de tesouraria da SAD esbarra numa premissa que a direcção contratualizou com o investidor e que era do desconhecimento dos sócios. Na Adenda ao Protocolo entre o SC Beira-Mar e o 32 Group, assinado em 08/08/2011, consta que, durante cinco anos (2011 a 2016), 90% das receitas relativas aos direitos económicos dos jogadores da SAD serão proveito do 32 Group! Ou seja, a mesma SAD que assume o passivo do clube, o qual carece de receitas extraordinárias para ser liquidado com urgência, vê uma parte do seu "core business" alienado ao 32 Group durante os primeiros cinco anos de actividade! Nestes termos, como é que alguém poderia esperar que a SAD conseguisse, rapidamente, libertar recursos para liquidar o passivo do clube?
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No mesmo documento, no ponto 10, refere-se que a SAD será responsável pela liquidação dos débitos do clube, mas não se estabelece qualquer prazo para o efeito...
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Sobre a questão da salvaguarda do Pavilhão do Alboi (foi referido aos sócios como um dos pressupostos de criação da SAD), não encontrei qualquer referência nos documentos.
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Nesta Assembleia, ficámos ainda a saber que a SAD utilizou indevidamente mais de 100 mil euros de receitas do clube provenientes da quotização dos sócios, dinheiro esse que ainda não foi restituído ao clube.
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De referir, ainda, que o único pressuposto de constituição da SAD assumido pela direcção, em Maio último, que se encontra totalmente concretizado é a assunção por parte da SAD do quadro de funcionários do clube. Actualmente, o clube tem apenas um funcionário.
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Nesta Assembleia, ficámos ainda a saber que os 5% de participação dos sócios no capital da SAD (outro dos pressupostos anunciados pela direcção em Maio último) não foi cumprido porque, segundo António Regala, o Sr. Nuno Patrão não terá dado conhecimento dessa situação ao Sr. Majid Pishyar.
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Noutro âmbito, fomos informados que a Câmara Muncipal de Aveiro, no âmbito do programa "parque da sustentabilidade", já notificou o SC Beira-Mar para abandonar o campo de treinos junto ao Estádio Mário Duarte (antigo).
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Quanto à Academia de Futebol, de referir que as equipas de iniciados, juvenis e júniores estão sob alçada da SAD e que as quantias em dívida (cerca de 56 mil euros), nomeadamente a treinadores, estão a ser liquidadas dentro das possibilidades da SAD.
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Por último, registo a posição humilde, sensata e inteligente do Dr. Jaime Machado, membro da direcção e administador da SAD em representação do clube. Das intervenções da direcção, foi a única que me pareceu lúcida e esclarecida, pois reconheceu implicitamente que a negociação com o investidor não foi a melhor e que existe "insatisfação" por parte da direcção do clube perante o "incumprimento" do investidor, o qual só tem dúvidas que se possa accionar judicialmente devido ao teor dos contratos celebrados.
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Crédito: Fotografia que ilustra este post retirada do sempre actualizado Portal Notícias de Aveiro

domingo, 4 de março de 2012

Resignação

Com Ulisses Morais pela primeira vez no banco, o Beira-Mar deslocou-se a Vila do Conde onde foi abarroado por quatro golos sem resposta, perante um Rio Ave que até então era o segundo pior ataque da liga (17 golos, sendo que 10 foram marcados nos Arcos), com uma média de menos de um por jogo: hoje foram 4!!! Além do mais, pasme-se, foi uma das vitórias mais robustas de sempre dos vilacondenses.
Depois do primeiro golo a equipa abriu-se e procurou a igualdade, ao contrário do que fazia o anterior treinador, onde a táctica não era minimamente alterada, sem arriscar, esperando um lance de sorte. Ulisses bem tentou e houve uma manifesta vontade de mudar algo: interveio, bracejou, gritou, mexeu na equipa, abriu a defesa para tornar o ataque mais forte, mas tudo em vão. Quando as debilidades e deficiências são muitas, e já vêm de trás, não há muito mais a fazer. A época, sejamos sinceros, não foi bem planeada: as lacunas e falhas provam isso mesmo. Há jogadores desanimados, pouco lutadores e desmotivados (no lance do terceiro golo cinco jogadores do Beira-Mar ficaram estagnados no meio campo adversário). Ulisses Morais, na conferência de imprensa, disse algo que me chamou à atenção e põe a nu alguma coisa: “os jogadores ou me acompanham ou não me acompanham (…) Falta ânimo.” Tal afirmação prova que, manifestamente, há atletas que podem dar mais do que têm dado. Nesta luta contra o tempo, o treinador tem de constatar rapidamente quem está e não está com ele, ou seja, quem realmente quer dar tudo em prol do objectivo da manutenção. Urge uma reformulação na equipa, urge uma lufada de ar fresco, urge uma mentalidade ganhadora, e encarar de frente os próximos jogos, sem medos.

Esta falta de crença e moral em baixo dos atletas, no fundo, é reflexo de toda a conjuntura de situações que envolve o Universo Beiramarense. Não existe uma liderança forte, toda a gente gosta de falar e ninguém tem pulso forte e firme. A estrutura (leia-se Direcção e SAD) desde há muito que é deficiente e mal… estruturada. Não existe um único elo-de-ligação do clube com a cidade, não existem políticas de marketing capacitadas e exequíveis. Tudo o que se pretende rapidamente é valorizar atletas, a todo e qualquer custo, para que sejam vendidos, a todo e qualquer custo. Não vejo ninguém da SAD (reitero “ninguém”) a vir a público apoiar os atletas, dar aquela palavra de incentivo e ânimo. Lá está: transmite a imagem que o que conta é valorizar atletas, nada mais. Carece o trabalho mais “fundo”. O clube não cresce só por si. Tem de haver um “ diálogo” e interacção constante entre a instituição e cidade (e suas forças). A descaracterização do Beira-Mar é por demais evidente e assusta-me olhar lá para o fundo e não ver aquela luzinha de esperança. E o gravoso é que a “balbúrdia sanguinolenta” não tem fim. Ai promessas, promessas: "as mentiras mais detestáveis são as que mais se aproximam da verdade."

Balboa (na foto, a oferecer a camisola aos UAN) é possivelmente (a par de Rui Rego) o jogador que, perante todas as adversidades, mais procura levar os companheiros para a mó de cima, nunca baixando os braços, e nunca desistindo dos lances. Além do mais tem carácter e humildade, fazendo dele um atleta bem visto entre os adeptos Beiramarenses.

O próximo jogo da equipa está marcado para Domingo, no “elefante branco” de Aveiro, às 16 horas, contra o Gil Vicente.
Amanhã há Assembleia Geral Extraordinária, no auditório Tozé Bartolomeu, no estádio, pelas 21 horas.

Foto, gentilmente, cedida por Rui Almeida.

Beira-Mar goleado em Vila do Conde

O Beira-Mar perdeu, esta tarde, no Estádio dos Arcos, por 4-0.
Pior do que a derrota, foi o facto de, uma vez mais, a equipa não ter mostrado qualidade para vencer.
Ulisses Morais (na foto), depois de sofrer o 2-0, assumiu os riscos e tentou incutir maior capacidade ofensiva, mas foi sempre o Rio Ave que esteve mais perto de marcar. Os auri-negros regressam de Vila de Conde com 17 pontos, os mesmos do Feirense e apenas mais um ponto do que a União de Leiria (joga amanhã com o Olhanense). Se olharmos para cima na classificação, o Vitória de Setúbal já está a três a pontos e o Paços de Ferreira a quatro.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Majid Pishyar na revista Visão

A revista semanal Visão, desta Quinta-Feira, dá um enfoque de duas páginas sobre a figura de Majid Pishyar, e não pelas melhores razões: falsas promessas pelas instituições desportivas por onde passou, falência de clubes, apreensão por parte de quem confiou nele e um mal-estar geral entre os adeptos e sócios, quer do Servette quer, agora, do Beira-Mar, isto porque o Admira Wacker (ou Manchester United da Áustria, como um dia MP prometeu tornar o clube daquele país) já sofreu na pele o rude golpe da insolvência e extinção, provocado pela falta de capital, supostamente garantido pelo nosso amigo iraniano. Desta forma, em 2007 (três anos volvidos desde a chegada ao “poder”), Pishyar conseguiu o impensável: afundar um clube histórico, com 8 títulos de campeão da Áustria, com uma dívida de 3,7 milhões de euros.

Nem de propósito: o artigo da Visão saiu no mesmo dia em que o Servette, na pessoa de Majid Pishyar, declarou insolvência. Na próxima semana o Tribunal poderá decretar a falência do segundo clube mais titulado da Suíça. Por Aveiro, no Beira-Mar, a apreensão é cada vez maior.

Promessas em vão ou, simplesmente, falsas promessas: é assim que tem funcionado o "investidor" da Pérsia de "barba grisalha sempre impecavelmente aparada."

quinta-feira, 1 de março de 2012

Cuidado Beira-Mar!

Se dúvidas havia quanto à capacidade financeira do nosso “salvador”, eis que esta notícia dissipa-as por completo. Ao contrário do meu co-blogger Pedro Marques, dispenso bem a presença do tal “Patrão” que toda a gente fala, e que eu pessoalmente desconheço na próxima assembleia geral. Mas seria interessante ter a presença do recém sócio Majid Pishyar (por falar nisso, as quotas estarão em dia?), que tanta questão fez em estar presente na última AG que determinou a aprovação da constituição da SAD pela larga maioria dos sócios (eu inclusivé). A declaração de bancarrota do Servette deixa antever um cenário negro nos actuais moldes da SAD do Beira-Mar, com as conhecidas dívidas existentes. Mais um assunto “quente” antes da AG da próxima segunda-feira.

É oficial... Servette declarou insolvência

Este blog é só o Sport Club Beira-Mar e não sobre o Servette mas esta informação é importante. Majid Pyshiar declarou a insolvência do clube de Genebra hoje, num comunicado disponível no site oficial e que está reproduzido em parte no Record e outros jornais desportivos.

E agora, Nuno Patrão, Ulisses e António Regala?


quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Dúvidas que me assistem...

Ponto prévio: Abomino teorias da conspiração, caça às bruxas e busca de fantasmas onde eles não existem... Por isso mesmo, defendo processos transparentes nos quais prevaleça o conteúdo sobre a forma, harmonizando os interesses e procurando soluções conciliatórias que dissipem quaisquer fundamentos geradores de desconfiança.
Posto isto, não posso deixar de reparar que a convocatória para a próxima Assembleia Geral, a realizar no próximo dia 5 de Março, fundamenta-se, nos termos da mesma, nas alíneas b) e c) do artigo 24º dos Estatutos, cuja redacção é a seguinte:
A Assembleia Geral reúne extraordinariamente, em qualquer data:
a) (...)
b) a requerimento da Direcção, do Conselho Fiscal ou do Conselho Geral;
c) a requerimento de dois por cento ou mais sócios efectivos, na plenitude dos seus direitos.
d) (...)
Ora, como é do conhecimento público, esta AG teve origem num grupo de sócios que recolheu assinaturas para o efeito, o que está previsto na aludida alínea c). Desconheço que algum dos órgãos enunciados na alínea b) tenha requerido esta Assembleia. O que se sabe, pois foi divulgado na imprensa, resume-se à intenção manifestada pela direcção de convocar brevemente uma AG para votação do relatório e contas relativo ao exercício 2010-2011, o que não é propriamente a mesma coisa, daí que estranhe esta "colagem" de algum órgão do clube (não sabemos qual) ao grupo de sócios que recolheu as assinaturas.
Ainda no que concerne à convocação desta AG, ao contrário do que seria de esperar, constato que a ordem de trabalhos peticionada no requerimento não se encontra integralmente vertida na convocatória. Segundo o requerimento que foi assinado pelos sócios, " (...) os sócios efectivos abaixo-assinados requerem a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária com o propósito de discutir a situação actual do Clube, com enfoque nas questões que contendem com os pressupostos que estiveram na base da aprovação e constituição da Sociedade Anónima Desportiva para o Futebol Profissional.". No entanto, na convocatória oficial pode ler-se apenas "Análise da situação actual do Sport Clube Beira-Mar.". Admito que para a maioria das pessoas considere esta questão irrelevante, mas cumpre-me alertar que a delimitação do objecto da discussão numa AG é fundamental para que o objectivo da sua convocação seja efectivamente concretizado. A generalização do assunto inscrito na ordem de trabalhos em detrimento duma discussão concreta (legitimamente peticionada pelos sócios), só pode ter como consequência a dispersão dos temas a discutir, o que constitui um relevante contributo para que efectivamente nada de concreto se discuta. Mais uma vez, antecipo o final inconclusivo de mais uma assembleia, em que os sócios e dirigentes, sorridentes, abandonam o auditório, dando palmadinhas nas costas uns dos outros, com a crença que tudo vai bem...
Por último, mas não menos importante, o comunicado sobre a intenção da Mesa da Assembleia Geral prescindir da leitura das actas das assembleias anteriores. Acho estranho que a Mesa tenha tomado agora a iniciativa de alterar a metodologia instituída quando se sabe que o tema peticionado no requerimento apresentado pelos sócios contende, precisamente, com a última assembleia, na qual a constituição da SAD foi aprovada.
Em suma, se tivesse sido respeitado na plenitude o requerimento apresentado pelos sócios, tornava-se óbvia a necessidade - eu diria até imprescindibilidade - de se proceder à leitura da acta da última assembleia, a qual deverá reflectir com exactidão os pressupostos anunciados pela direcção (liquidação do passivo do clube, salvaguarda do pavilhão, transmissão dos trabalhadores do clube para os quadros da SAD, assunção de equipas da Academia de Futebol por parte da SAD, etc.), os quais estiveram na base da decisão de aprovação da constituição da SAD por parte dos sócios. Seria, indubitavelmente, o melhor ponto de partida para a discussão que os sócios pretendem.
Mas enfim, se os sócios não estão para se chatear com estas coisas e aceitam tudo o que lhes dão (pelo menos, tem sido esta a postura dominante da massa associativa do clube), também não serei eu a chatear-me... Apenas realço que fico triste, pois sinto que continua a imperar a ausência de massa crítica, esclarecida e informada em torno do clube, o que tem permitido a prevalência de interesses instalados que muito têm contribuído para o definhamento da instituição. Mais triste fico, quando sinto que este "status quo" parece interessar a quem dirige o clube.
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* A foto que acompanha este texto serve para ilustrar a minha pessoa, pois as dúvidas que me assistem terão origem, admito, nalgum defeito meu.

(Direito de) Resposta de Nuno Patrão

Ontem fui contactado pelo empresário Nuno Patrão que se mostrou algo indignado com o último post que aqui fiz, embora ainda não o tivesse lido (havia sido alertado por pessoas), nomeadamente acerca das palavras do antigo Presidente-Adjunto, António Cruz. Se fosse hoje voltaria a escrever o que escrevi (sustentado pela “bengala” de Almada Negreiros), contudo admito o erro de ter ouvido somente o ex-dirigente do clube sem ter escutado a versão de Nuno Patrão. Mas também julgo que não seja grave: os erros acontecem e como ando nestas andanças há pouquíssimo tempo ajudam-me a aprender qualquer coisita. Mas adiante. Nuno Patrão já me havia dito que não lia blogues nem periódicos, no sentido que gosta de realizar o seu trabalho sem influências, nem se chatear com algumas situações. Contudo, ontem, abriu uma excepção já que lhe foram fazer “queixinhas” de um post que nada tem de mal, tirando, lá está, o facto de ter escutado somente uma das partes, tal como referi.
Sobre quem lhe foi fazer “queixinhas” pouco interessa saber quem foi: a corja, faminta de protagonismo mas cheia de (pseudo) vaidades, gosta de provar a falta de moral e valores. É para o lado que durmo melhor.

Já se sabia que a relação entre António Cruz e Nuno Patrão não era, manifestamente, a mais saudável, e dúvidas existissem os acontecimentos de Domingo provaram isso mesmo. O braço-direito de Majid quis esclarecer, especialmente, dois pontos: estágio da pré-época e o tema da agência de viagens que prepara as viagens da equipa à Madeira.
Segundo Nuno Patrão “o estágio estava marcado para Cantanhede, com custos razoavelmente baixos.” No entanto surgiu a possibilidade da equipa ir para Gouveia, e como Patrão é amigo pessoal do Presidente da Câmara local, Álvaro dos Santos Amaro, conseguiu com que “o estágio ficasse praticamente de borla.” Pelo que afirmou nunca esteve contra a ida do Beira-Mar para Gouveia, antes pelo contrário.
Por outro lado foi, com efeito, escolhida, para tratar das viagens à Madeira, uma agência da Figueira da Foz, cujo proprietário é amigo pessoal de Nuno Patrão (preferiu não dizer o nome da mesma, o que respeito). “Tal escolha deve-se ao facto dessa mesma agência ter dado a possibilidade de pagamento das deslocações em Janeiro, três ou quatro meses depois da data dos jogos, ao contrário de outras.”


Nuno Patrão solicitou-me para nada colocar aqui sobre esta espécie de declaração de interesse ou “direito de resposta”. No entanto achei coerente fazê-lo, a bem da transparência.

Tive o cuidado de lhe sugerir, ainda e uma vez mais, a sua comparência na AG de Segunda-Feira, muito menos não seja na condição de convidado, tendo em conta que não é associado. Mostrando-se irredutível na decisão de não ir aconselhei-o, pelo menos, a reflectir sobre essa possibilidade. A ver vamos.