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domingo, 22 de janeiro de 2006

Uma "fogaça" para cada lado

Pela primeira vez esta época, abro um comentário a um jogo com uma nota de destaque muito positiva para o bom número de adeptos do Beira-Mar que se deslocou a Santa Maria da Feira. É certo que estamos em primeiro, é certo que neste fim-de-semana se celebra a festa das fogaças em Santa Maria da Feira e é certo que estamos em primeiro. Ainda assim, além do factor proximidade, acredito que tenha sido a exibição agradável do Beira-Mar no último jogo em casa frente ao Santa Clara a motivar excepcionalmente as pessoas a deslocar-se. Com os novos reforços de Inverno (o último, pelos vistos, chama-se Francis Ikome), a equipa apresenta-se mais consistente e a praticar um futebol mais condizente com o estatuto de principal candidato à subida de divisão. O jogo foi morno na primeira parte. Maior controlo da posse de bola por parte do Beira-Mar e o Feirense em contra-ataques a criar algum perigo. Uma bola ao "ferro" de cada baliza e três intervenções (uma delas deverá ser considerada uma "não intervenção") deficientes de Srnicek reveladoras de alguma insegurança pouco habitual no guardião checo. Na segunda-parte, o Beira-Mar empurrou o Feirense para o seu meio-campo. No entanto, a equipa revelava-se pouco objectiva e pouco rematadora. Contra a corrente do jogo, o Feirense numa das poucas vezes que desceu à área auri-negra fez golo. Mais uma vez, Srnicek não está isento de culpas. O Beira-Mar despertou com o golo do adversário (já vai sendo hábito...) e empatou logo a seguir, através de Miran que apareceu isolado frente ao guardião da "casa". Até final, só deu Beira-Mar. Terá, porventura, ficado por assinalar uma grande penalidade a favor do Beira-Mar. Não tomo posição porque não me apercebi com nitidez do lance. Aliás, quando penso em grandes-penalidades não assinaladas, lembro-me logo daquela no Barreiro sobre o Roma. Se essa não foi marcada, sou capaz de acreditar que seja necessário haver sangue para o árbitro apitar...
No cômputo geral, o Beira-Mar fez um jogo aceitável. O resultado sabe a pouco mas não deixa de ser positivo. A arbitragem, não fosse o tal lance do penalty, foi de um nível muito bom. Pedro Henriques sabe o que faz.
A última nota, esta negativa, relaciona-se com a nova bola adoptada para o mundial. Aquilo não é uma bola, é um balão. Os jogadores do Beira-Mar mais dotados tecnicamente (Jorge Leitão, Zé Roberto, Rui Lima, Alcaraz, por exemplo), quando tentavam pôr a bola no chão para "sair a jogar" sentiam enormes dificuldades para controla-la. Talvez por o piso do Feirense ser mais duro... não sei. A verdade é que a qualidade de jogo foi menor graças a esta bola. Chega a dar vontade de pôr em campo daquelas bolas de futsal pesadas para se jogar a bolinha no chão.
FUTSAL: Empate 3-3 frente ao Fundo Vila e incidentes
Depois do jogo em Santa Maria da Feira, o autocarro auri-negro foi a "todo o vapor" para São João da Madeira onde às 17h começava o jogo Fundo Vila X Beira-Mar a contar para o campeonato da 1ª Divisão Distrital da AF Aveiro. Chegamos ao pavilhão sensivelmente a meio da primeira parte do jogo. O resultado estava 0-0 mas, por incrivel que pareça, ambas as equipas já tinham atingido as 5 faltas?! Não demoramos muito a perceber o que se estava a passar. Num jogo perfeitamente normal, competitivo mas leal, os árbitros fizeram questão de aparecer no jogo e tornarem-se os protagonistas principais. Enfim, de tirar a paciência a um santo... Deplorável, inacreditável... Não há palavras para descrever uma actuação tão negativa destes dois árbitros. Como consequência, o Beira-Mar, claramente melhor equipa que o adversário passou por enormes dificuldades face a uma dualidade de cretérios gritante. A poucos segundos do final, numa altura em que o jogo já se encontrava empatado 3-3 (o Fundo Vila chegou ao empate num livre directo inventado que resultou do facto do Beira-Mar já ter as cinco faltas - também elas quase todas inventadas...), em resultado de mais uma decisão absurda da equipa de arbitragem, os jogadores já com os nervos à flor da pele pegam-se em campo protagonizando uma cena de pancadaria. Jogadores, treinadores, dirigentes... tudo ao barulho em chapadas e pontapés. A polícia preocupou-se mais em acalmar os ânimos na bancada onde praticamente só haviam adeptos do Beira-Mar e não se registaram quaisquer incidentes em vez de controlar a situação dentro de campo que estava a assumir proporções perigosíssimas. Porque ainda faltavam alguns segundos para o final, quando foi possível retomar o jogo, o jogador Zeca do Beira-Mar foi expulso com vermelho directo e o seu adversário (co-protagonista nas cenas que desencadearam o resto) levou o segundo amarelo... Enfim, daquelas situações simplesmente "no comments". No final mais alguns focos de confusão mas tudo se resolveu. Os principais responsáveis por tão má propaganda para a modalidade e para o desporto foram tomar o seu banhito tranquilos da vida como se nada tivesse acontecido.
Penso que está na altura do Beira-Mar assumir uma posição firme na Associação de Futebol de Aveiro. O que tem acontecido nos últimos jogos fora é inaceitável. Arbitragens deploráveis que põem em causa todo o trabalho dos dirigentes, treinadores e jogadores e, ainda, o esforço dos adeptos que apenas pretendem apoiar a equipa em festa sem chatices. Os senhores que arbitraram este jogo não são competentes para exercer as funções que lhes atribuiram. Alguém lhes deve dizer isso. O comportamento dos jogadores em campo não condiz com tantas faltas mal assinaladas e cartões mal mostrados. A situação tensa que se viveu podia custar a época ao Beira-Mar. Nesta fase da competição, alguns jogadores serem expulsos e apanharem vários jogos de castigo seria o suficiente para colocar em risco todo o esforço que tem sido aplicado pela secção para que a subida aos nacionais se concretize. É bom para Aveiro que o Beira-Mar dispute os campeonatos nacionais. Com isto, não pretendo que o nosso clube seja beneficiado, nada disso. Trata-se de uma competição amadora onde os princípios da lealdade desportiva e do fair-play devem pontificar. Aquilo que está a acontacer ao Beira-Mar não é bom para a modalidade nem para o desporto regional.

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