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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006

Referendar o quê?

Em artigo publicado hoje no Diário de Aveiro (também postado no seu blog Tomar Partido), Jorge Ferreira, do partido Nova Democracia, defende a ideia de um referendo local para a definição do futuro do "velhinho" Mário Duarte. Pois bem, caro Jorge Ferreira, na qualidade de Aveirense (sou eleitor em Aveiro apesar de ter nascido em Coimbra) e Beiramarense, respondo-lhe que muito me agradaria tal possibilidade. Até lhe digo mais. Adorava que fosse possível recuperar o "Mário Duarte", modernizá-lo, e o Beira-Mar voltar para aquela que foi a sua casa durante muitos anos. Mas a verdade é que tal já não é possível nem viável. Aveiro construiu um estádio que terá custado cerca de 12 milhões de contos (se estiver errado, corrijam-me). O referido estádio, por mais impessoal, frio, pouco cómodo e deslocado, precisa do Beira-Mar. Por isso, que adianta a Câmara Municipal referendar o destino do velhinho Mário Duarte? É óbvio que a população iria votar pela preservação do estádio, nem que fosse para não sofrer a dor de o ver demolido. A mim também me dói pensar nisso. Contudo, a mudança do Beira-Mar para o novo Estádio Municipal já custou muito dinheiro, tanto ao clube como à autarquia (EMA incluída). Não há volta. Depois de canalizados os esforços de instação do clube no Estádio Municipal, deixou de ser defensável um possível regresso ao "velho" Mário Duarte. Assim sendo, importará à CMA realizar dinheiro com a venda desses terrenos. O EMA tem custos de manutenção elevados. Quem é que os paga? Saiba, caro Jorge Ferreira, que o Beira-Mar e a EMA são responsáveis pela manutenção do EMA, suportando esses custos. Saiba, também, que a EMA tem uma dívida para com o Clube de cerca de 500 mil euros. Sem esse dinheiro, a própria sustentabilidade do clube e o cumprimento dos compromissos assumidos são postos em causa. Um possível referendo sobre o velho estádio seria uma medida extremamente popular e desejável... se tivessemos possibilidades de escolha. Assim sendo, por mais que goste do "velhinho" Mário Duarte, sou obrigado a aceitar os custos do progresso. Depois de inviabilizada a venda do estádio à Universidade, que a meu ver, seria uma solução agradável, não resta margem para escolhas. As "Antas", o "José Alvalade" e a "Luz" tiveram que ser demolidos para viabilizar a construção dos novos estádios. Não me parece que a CMA e o Beira-Mar estejam interessados em suportar os prejuízos do novo Estádio e, ainda, a manutenção de uma infra-estrutura "velha" cujo retorno da sua utilização já não a justifica.

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