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domingo, 6 de junho de 2010

Levar o barco a bom porto

Decorreram ontem as eleições para os Órgãos Sociais do SC Beira-Mar com os seguintes resultados: 206 votos na lista única submetida a sufrágio, 6 votos em branco e 1 nulo.

Está assim restabelecida a normalidade directiva na vida do clube com novos Órgãos Sociais eleitos para um mandato de 3 anos. Aos recém-eleitos dirigentes, desejo as maiores felicidades e espero que consigam cumprir o que prometeram, aproveitando os ventos que sopram a favor para levarem o barco a bom porto.
Neste momento de felicitação, permitam-me, no entanto, tecer alguns "avisos à navegação" que, espero, sejam entendidos de forma construtiva:


Voltuntarismo vs Programa/Estratégia

Nos próximos 3 anos, espero que a nova Direcção evite os lamentos públicos e a auto-vitimização que marcaram, por exemplo, a sessão de apresentação da sua lista.

A esse propósito, compreendam que respeito o voluntarismo e o Beiramarismo desta nova Direcção, mas isso não me tolda a lucidez, nem me retira o sentido crítico. O SC Beira-Mar precisa de gente que o ame, que o sinta, que tenha vontade de trabalhar, mas precisa também que esta gente tenha um rumo, uma estratégia, sob pena de todo o trabalho a desenvolver não produzir os resultados esperados. É que Beiramarismo e voluntarismo eram predicados reconhecidos, por exemplo, a Artur Filipe - o último presidente duma direcção eleita que o clube teve -com os resultados ao nível da gestão que são do conhecimento público.

Bem sabemos que o SC Beira-Mar vive um momento muito delicado, mas não nos esqueçamos que foram os elementos desta nova Direcção, enquanto membros da CA, que assumiram em Assembleia Geral que o clube estava em condições de ir a eleições e que os próprios estavam disponíveis para concorrer a elas. A CA capitalizou a confiança dos associados para uma solução directiva formada pelos próprios, afastando a possibilidade de se constituir uma SAD para o futebol profissional ou, em alternativa, permitir a candidatura de José Cachide (publicamente demonstrou disponibilidade para assumir os destinos directivos do clube caso os membros da CA não se quisessem candidatar). Foi o próprio Mário Costa (agora presidente), conhecedor da situação do clube, a prometer em Assembleia Geral a libertação de 1 milhão de euros para amortizar o passivo no próximo exercício. Ora, em face deste discurso que motivou o apoio quase consensual dos associados em torno desta candidatura, não posso aceitar que esta Direcção venha agora lamentar-se da situação do clube, pois já a conheciam quando comunicaram a sua disponibilidade para concorrer ao acto eleitoral.
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Como associado, quero é conhecer e debater as soluções que a nova Direcção preconiza para os problemas do clube, deixando as lamúrias para trás das costas.


Comissão Administrativa vs Direcção

Importa, por isso, começar por distinguir bem a natureza duma Comissão Administrativa face à natureza duma Direcção no âmbito do clube. As CA são soluções de recurso, geralmente incorporadas por gente que não tem qualquer ambição directiva e cuja missão é, essencialmente, garantir o funcionamento e a manitenção da actividade da instituição. O seu mandato tem uma duração incerta, podendo ir até à Assembleia Geral Ordinária ou Extraordinária que se seguir, conforme decisão da Mesa da Assembleia Geral (art. 16º dos Estatutos), o que desde logo coloca vários constrangimentos, por exemplo, no que diz respeito à avalização pessoal de financiamentos e a assunção de compromissos perante terceiros. No âmbito duma Direcção, a gestão do clube é perspectivada para um espaço temporal de 3 anos. Cumpre, a quem se candidata, reunir os recursos financeiros necessários para desenvolver o seu projecto. Sabe, à partida, o tempo que terá para recuperar os investimentos que entenda efectuar, podendo ainda recorrer ao mecanismo previsto no art. 40º, #3 dos Estatutos no caso de investimentos que onerem o clube para além do termo do seu mandato.


As minhas expectativas

Da Direcção agora eleita, espero que consigam sanear financeiramente o clube, cumprindo a gestão rigorosa que prometeram e que, utilizando as palavras de Mário Costa, devolvam a "credibilidade" ao clube, nomeadamente, honrando sempre os compromissos assumidos. Contudo, o sucesso do processo de saneamento financeiro do clube depende da capacidade para se perspectivar o desenvolvimento sustentado do clube nas suas principais áreas de actividade.

Espero, ainda, que esta Direcção diga como pretende atingir o objectivo dos 10.000 sócios em 3 anos - fasquia assumida por Mário Costa em entrevista ao Diário de Aveiro que, acredito que tenha sido por lapso, não consta de nenhum dos 12 pontos programáticos da sua candidatura.
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Relativamente à revisão estatutária e à eventual autonomização das modalidades, são temas que merecem um tratamento aprofundado, pelo que, remeto uma análise para outra oportunidade.

Importa, ainda, saber como pensa a Direcção resolver o diferendo com a Câmara Municipal de Aveiro. Chamo particular atenção para dois aspectos. O primeiro, prende-se com a gestão do EMA. Tenho a convicção que a grande prioridade da CMA é entregar a gestão do equipamento ao Beira-Mar, pelo que, a mesma será proposta ao clube de forma sedutora. O problema virá depois... Será que a CMA assumirá e estará disposta a liquidar a dívida da EMA ao clube? Será que a CMA reconhecerá o fracasso do protocolo de 2008 e devolverá a si a responsabilidade da construção dos campos de treino junto ao EMA? Não creio...

O segundo aspecto prende-se com o Parque da Sustentabilidade e com o facto de, no final da próxima época desportiva, o SC Beira-Mar ter que abandonar o actual campo de treinos do antigo Estádio Mário Duarte. E depois? Para onde irá a Academia de Futebol?


Em conclusão...

A ambição é algo que se mede em função das expectativas que são criadas.

A expectativa que tenho é que esta Direcção, conhecendo o clube como teve oportunidade de conhecer nos seis meses de funções que exerceu como Comissão Administrativa, candidatando-se voluntariamente e retirando o espaço a eventuais soluções alternativas, aproveite o seu "estado de graça" e apresente um plano para abordar estas matérias que me parecem ser essenciais para o futuro imediato do clube. Acho que não estou a ser excessivamente "ambicioso" nem "irrealista" ao esperar isto. É mesmo o mínimo que se pode esperar.
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Com realismo.

4 comments:

Anónimo disse...

Não percebo como é que se pode afirmar que a candidatura da CA à Direcção do Beira-Mar retirou espaço ao aparecimento de eventuais soluções alternativas???

Então o Beira-Mar é alguma ditadura?

Se os candidatos alternativos não apresentaram uma lista para ir a votos, a culpa de certeza que não é desta Direcção.

Tiveram receio de uma derrota? Ou não conseguiram encontrar pessoas capazes para formar uma equipa?

Vamos deixar estes trabalhar e esperar que façam melhor trabalho que as últimas direcções.

Força Beira!!

Hugo

Anónimo disse...

Concordo integralmente com as ideias expressas, e acrescento que esta Direcção está a alinhar em mais um esquema com a CMA, que passa por não voltar para o antigo estádio, e assim o clube vai ficar sem campos para treinar, e com alguma probabilidade também sem campo para jogar já que é impossível manter o EMA às custa do clube. Esperem que no final da época vão ver mais um frete politico e um grupo de dirigentes que continua a não defender os interesses do clube.

Anónimo disse...

Só se safam se o barco da imagem for à pesca de bacalhau, porque se assim não for é o Sr. Bacalhau que vai á sede do Beiramar.

Anónimo disse...

Não vale a pena gastar tempo a aconselhar esta direcção, eles são autistas e o presidente é bipolar.
Está bem esgalhado este post, mas poucos o percebem e as pessoas tambem não fazem esforço em se informar. Nós dependemos de a bola entrar ou não, estes directores sem fazerem nada, ela entrou, hoje são os maiores e os salvadores. Nunca disseram que a anterior CA lhes deixou 700 mil euros, uma equipa e o Mano Nunes a orientá-los e a pôr ordem nas tropas, foi ao balneário quando foi preciso, falava e apoiava o treinador. Mas antes foi ele que arranjou estes trastes que o cornearam quando se sentiram na liga sagres, nas mais elementares medidas, depois como a bola não entrava e os pontos de avanço se esfumaram, vieram novamente a pedir-lhe que não os abandonasse, pois para eles era sempre o "Presidente". Por amor ao Clube, arranjou-lhes mais 250 mil euros, pois os jogadores j´estavam com dois meses de salários em atraso e acompanhou-os de perto até á subida. Nesse dia despediu-se e deixou-os brilhar.
Muita gente sabe estas verdades, mas o futuro se encarregará de as tornar evidentes. Só lamento que este HOMEM e a sua CA, tenham sido
tão mal tratados, por esta gente.
A partir de agora é que temos que medir a qualidade desta gente, pois estão entregues a si mesmos e ao seu conselheiro actual, que é o Pedro Coelho. São eles que vão afundar o barco. Não esperem mais milagres, eles não sabem e são muito vaidosos, a primeira demissão não tarda, mas a ilegalidade que vão referir já a sabiam antes de formar a lista.
O Sr. Presidente da AG, vai ter o menino nos braços no inicio do ano.