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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Lá... como cá...

A atual direção do Vitória de Guimarães, a braços com uma situação financeira extremamente delicada, avançou para um PEC (Procedimento Extrajudical de Conciliação). Trata-se dum instrumento legal que se destina a entidades em situação económica difícil, permitindo-lhes reestruturar o pagamento das suas dívidas junto dos credores, possibilitando a manutenção da atividade e a libertação de receitas. Em 2009, quando o clube tinha uma Comissão Administrativa dirigida pelo atual presidente António Regala (e ainda não existia a SAD), tive oportunidade de propor esta solução. Obviamente que sabia não se tratar duma "solução milagreira", mas seria uma via possível para o clube, a par com a constituição duma SAD (instrumento fundamental para captar investimento para o futebol profissional), garantir a libertação de receitas permanentes com vista à amortização do passivo (que incluía os créditos dos ex-dirigentes).
Na altura, senti que a Comissão Administrativa, crente na subida de divisão da equipa de futebol profissional à 1ª liga (como se essa fosse a solução para todos os problemas), menosprezou esta estratégia. Rejeitou-se esse projeto de SAD e o clube avançou para eleições, com Mário Costa à cabeça, sem qualquer orientação estratégica, entregando-se a uma gestão do tipo "navegação à vista" que não pude deixar de criticar.
Volvidos três anos, vejo que o Vitória de Guimarães (VSC) se debruça com um problema semelhante ao do Beira-Mar nessa altura. O passivo do Vitória é significativamente maior que o do Beira-Mar, mas admito que a capacidade do VSC gerar receitas também seja superior.
O VSC avançou precisamente para um PEC, mas está a ter dificuldades em conseguir o acordo dos seus antigos dirigentes. Um filme já visto por estes lados, ainda que com contornos ligeiramente diferentes.
Porque em tempos de crise, a tendência é "pôr tudo no mesmo saco", não posso deixar de referir que, ao contrário de alguns ex-dirigentes que tudo têm feito - penhorado e executado o clube - para receberam os seus créditos (mesmo sabendo que prejudicam gravemente a atividade do clube), outros ex-dirigentes (que aceitaram assumir os destinos do clube numa altura de vazio diretivo e tiveram que se atravessar para tapar os buracos que outros abriram) permanecem avalistas de quantias emprestadas ao clube por entidades bancárias, assumindo mesmo os pagamentos em momentos de incumprimento por parte do clube, sem que se conheçam quaisquer intentos judiciais destes contra o clube. Muito gostaria - e penso que a maioria dos sócios também - que fosse a própria direção do clube que fizesse publicamente essa distinção.
A propósito, consta em edital (ver ponto 9) que a Assembleia Municipal vai analisar e discutir o protocolo celebrado em Dezembro de 2008 entre o Município, a EMA e o Beira-Mar. Faço votos para que a introdução deste assunto resulte na apresentação duma proposta de renegociação daquele protocolo (ideia que defendi em Abril de 2009 em reuniões que tive com o Sr. Presidente Élio Maia e o Sr. Vereador Carlos Santos, na altura, para tentar evitar a venda do terreno das piscinas), de forma a resolver o diferendo judicial entre o clube e a autarquia, passar a gestão do estádio para o clube (penso que este ainda será um anseio de Majid Pishyar) e viabilizar a construção das infra-estruturas desportivas que o clube carece.
No entanto, não posso deixar de referir que, caso o clube e a autarquia consigam um acordo que mereça aprovação da Assembleia Municipal no qual esteja incluída a transmissão da gestão do estádio, esta não deverá ser transmitida para a SAD sem uma renegociação dos protocolos existentes entre o clube, a SAD e o 32 Group.

9 comments:

Anónimo disse...

A preocupação expressa no ultimo parágrafo faz sentido, mas estatutáriamente a direção não pode alienar qualquer bem, nem para a sad, sem autorização da Assembleia Geral do clube.

C. Silva disse...

Dr Nuno, bem-haja, espero vê-lo a dirigir os destinos do nosso clube a partir do próximo ato eleitoral.

Anónimo disse...

Numa das ultimas intervenções do presidente (noticia terranova), dizia que o clube ainda não tinha cumprido o prometido ao Sr. Majid, mas tem que perceber que não está mandatado para ceder património, terá que ser autorizado pelos sócios.
Mario Rui

Anónimo disse...

Quem são os credores que não exigiram ser ressarcidos?
Silva Vieira? Talvez
engº Pascoal? Concerteza

Anónimo disse...

Já não acredito neste Sr. Majid.
Afinal o que pretende mesmo são os terrenos que envolvem o Estádio, o clube (SAD) serve de tranpulin. Não me parece que esteja interessado em ajudar o Clube a avaliar pelo que se tem estado a passar.

Anónimo disse...

Nesta SAD pior que a merda são as moscas.
T.S.F.

Anónimo disse...

Alguma curiosidade quanto ao ponto 9. Estas agendas tem certamente documentação anexa que deverá ser já do conhecimento dos deputados e por isso pública, será possivel divulgar?

Joao Oliveira disse...

Caros,

Infelizmente não vai ser necesária qualquer AG, o que não quer dizer que a Direcção não a faça...

Porque a gestão do estádio não é um "património" do clube... Espero, como o Nuno, que o acordo seja feito com o clube e que por isso tenha que ser considerado um novo protocolo...

Anónimo disse...

o clube se não confia pelo menos desconfia da sad. A sad não confia na direção.
O resultado só pode ser o divórcio.