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sexta-feira, 12 de agosto de 2005

Perspectiva época 05/06

Há uma palavra que não sai da boca de qualquer Beiramarense: “subida”! Depois de uma inesperada descida de divisão, o pensamento dos actuais dirigentes e adeptos só pode ser mesmo subir de divisão. Esta ideia de essencialidade, na minha opinião, pode ser perigosa. Se repararmos (eu pelo menos reparo), o discurso dos dirigentes tem um sentido obrigatório, uma perspectiva de sucesso e nem outro cenário é admitido ou equacionado. Não há “plano B”! O que na minha perspectiva é um risco, um grande risco. Parece-me pouco razoável ter tantas certezas quando estamos a falar de futebol. Apesar de, cada vez mais, o futebol incluir o estudo científico, ninguém pode afirmar que o futebol é uma ciência, muito menos, que será uma ciência exacta. Entre muitos outros exemplos, repare-se no percurso “glorioso” do Futebol Clube do Porto de José Mourinho. Se a exactidão do futebol residisse na lógica dos números, jamais o clube português teria conquistado uma Liga dos Campeões perante adversários milionários. No mesmo sentido, com o orçamento que apresentava, o Futebol Clube do Porto da época passada teria sido o natural campeão nacional… Desmontando a ideia que os cifrões não são, de facto, o único factor que pode desequilibrar, podemos mudar a direcção da nossa atenção para o peso institucional dos clubes. Nesse campo, ninguém duvida que os crónicos três “grandes” levam sempre vantagem no âmbito do futebol português. Mas, que peso tinha o Futebol Cube do Porto na Europa antes de conquistar a Taça UEFA e a Liga dos Campeões?! Que peso tinha a Grécia antes de se sagrar campeã europeia em 2004? Ou a Dinamarca de 1992? Ou até o Rio Ave que fez um belíssimo campeonato na época passada? Pois bem, estes exemplos demonstram claramente que, apesar de poderem dar uma grande ajuda, não são os cifrões nem o peso institucional que garantem o sucesso futebolístico de um clube ou selecção. Pegando noutro parâmetro, analiso a competência. Existirão, por ventura, vários critérios de avaliação da competência. Contudo, vou agarrar-me àquele que é, deveras, o mais “palpável”, ou seja, o curriculum. Voltando ao exemplo de José Mourinho, ninguém contesta a sua competência. É apontando quase unanimemente como sendo o melhor da sua área. Em poucos anos ganhou aquilo que muitos não sonham sequer ganhar numa carreira inteira. Na época passada, à frente do Chelsea, um dos clubes com mais argumentos financeiros do mundo, foi campeão inglês e venceu, salvo erro, a Taça da Liga. Ainda assim, não conseguiu vencer a Taça de Inglaterra nem a Liga dos Campeões. Com isto, quero dizer que a competência é fundamental, mas, só por si, também não é o garante único do sucesso. Resta-me olhar em volta e ver o que pode realmente desequilibrar positiva ou negativamente a performance de uma equipa de futebol. Há quem evoque as condições de trabalho. A diversidade e a qualidade dos equipamentos de treino, a começar pelos campos relvados, etc. Outros apontam como alicerce as condições de trabalho, como por exemplo, o recebimento do salário sem atrasos. Para outros, são aspectos cruciais como o apoio de especialistas – médicos, psicólogos, professores... – que fazem a diferença. Na verdade, não me parece que exista de facto um “chavão” para o sucesso no futebol. Será a congregação de todos os factores supracitados e mais alguns que, por agora, me tenha esquecido a ditar o sucesso desportivo. Por isso, parece-me evidente que por melhor que se trabalhe e se atente a todos os aspectos, haverá sempre algo que falhará. Algo que não foi possível prever e que pode determinar a obtenção ou não do sucesso, no nosso caso, a subida de divisão. Tais falhas próprias da condição humana, serão decisivas ou não dependendo do grau de incidência também nos nossos adversários. Eles, certamente, também falharão. Acredito que quem menos falhar ou quem não falhar naqueles que são os aspectos considerados decisivos, cumprirá os seus objectivos. Ainda assim, outros aparecerão no decorrer da prova a lutar por objectivos não assumidos, o que ainda dificultará mais a missão dos candidatos a candidatos. Falo em “candidato a candidato” porque, até ao momento em que tudo se decidirá, o SC Beira-Mar e os outros que se assumem não passam disso mesmo: meros candidatos a candidatos.
Uma última palavra para os dirigentes, sócios e fiéis adeptos do nosso clube. Não entrem em euforias nem em dramatismos precipitados após os primeiros embates a sério. O campeonato é uma prova longa, que premeia a regularidade das equipas. Não é com grandes jogadores que subiremos de divisão. Será com uma grande equipa!

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