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terça-feira, 27 de setembro de 2005

Uma curta reflexão...

O autocarro organizado pelos Ultras Auri-Negros chega a Marco de Canavezes. Tal como tinha acontecido na Maia e acontece sempre por onde os UAN passam, a população local vem à janela das suas casas, as pessoas que circulam na rua param, aqueles que estão nos cafés interrompem as conversas de ocasião e vêm à porta espreitar a comitiva auri-negra. O impacto da chegada é um momento sublime de afirmação da grandeza do SC Beira-Mar. Os cânticos e o entusiasmo dos UAN não deixam ninguém indiferente!
Mesmo ao lado do autocarro auri-negro, o autocarro que transportou a equipa. Alguns adeptos do Beira-Mar que já se encontravam em Marco, acenam como quem diz "Vamos ganhar!".
Entretanto, dois elementos da direcção dos UAN saem de autocarro para ir comprar os bilhetes, enquanto os restantes elementos esperam ansiosamente pelo momento de sair pela porta do autocarro e receber o pedaço de papel (algumas vezes tão caro...) que garante a entrada no estádio. À distância da vista, alguns elementos da direcção do Beira-Mar junto à entrada dos balneários. O Presidente, Artur Filipe, dirige-se em direcção ao autocarro e pede-me (eu estava junto à porta) licença para entrar. Sobe as escadas do autocarro e dirige algumas palavras de agradecimento e incentivo à comitiva. Um gesto simbólico mas que poucas poucas claques se podem orgulhar. Em pleno território do adversário, à vista de todos, Artur Filipe não manifestou desprezo ou vergonha pela claque do clube. Quantos e quantos dirigentes, por este país fora, nem sequer são capazes de olhar nos olhos dos elementos das suas claques, simplesmente dialogar com os seus adeptos, quanto mais, entrar por espontânea vontade num dos locais mais íntimos de uma claque - o autocarro.
Este gesto simbólico não deve ser apenas motivo de auto-congratulação por parte dos UAN. O seu alcance deve ser entendido, também, como um acto de responsabilização. Só um grupo com a tradição e a cultura dos UAN se pode orgulhar de pequenos gestos como este, mas é preciso não esquecer que no futebol quase tudo é efémero. Numa sociedade em que é mais fácil destruir do que construir, e o que define as pessoas são as suas atitudes, cumpre aos actuais elementos e direcção zelar por este património de confiança adquirido.
Foto de Pedro Ribau

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