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quarta-feira, 23 de novembro de 2005

Não havia necessidade...

Propositadamente, deixei passar o fim-de-semana em que as atenções deviam estar centradas na importante deslocação a Portimão e só agora vou recuperar um episódio lamentável que entendo que não deve passar em claro. Refiro-me às declarações de Artur Filipe e Mano Nunes ao jornal O Jogo na edição de Sábado. O tom e a troca de insinuações entre ambos em nada contribui para a credibilidade e a boa imagem do Sport Clube Beira-Mar. É caso para dizer que o bom-senso se perdeu pelo caminho... Não sou a favor de secretismos nem de omissões aos sócios sobre a realidade do clube, antes pelo contrário! Contudo, há locais próprios para apresentar e discutir as contas, bem como outras questões mais delicadas. Não são os blogues, nem os sites, nem muito menos os órgãos de comunicação social. O Beira-Mar não é nenhum partido político nem deve servir de montra para vaidades pessoais. Na próxima Assembleia Geral, espero que ambos marquem presença e, perante os sócios, com a devida humildade, esclareçam as suas divergências olhos nos olhos e não mandando recados pelos jornais. Não me parece que lavando roupa suja na praça pública contribuam para o engradecimento e prestígio da instituição Sport Clube Beira-Mar!

Aqui ficam as declarações publicadas na edição de O Jogo (19/11/2005):

Artur Filipe:

"Encontrámos o clube em situação má, apesar desses lucros todos que andam para aí a correr. Não sei onde estão os lucros. Já corri o estádio todo, já andei a ver debaixo dos bancos e não consegui encontrar os lucros. Se existem, só se estiverem depositados na Suíça...".

"Nas direcções dele deu lucro e até acredito nele. O que é certo que cheguei ao clube e uma semana depois tivemos que pagar 60 mil contos ao Fisco. Temos tido problemas com jogadores a reclamar vencimentos e a realidade é esta".

"Para já não atingimos o ponto de rotura, porque recebemos parte da dívida da EMA e o resto têm sido os directores a cobrir certas despesas".

"Não posso agarrar na letra da venda do Fary (150 mil euros) e no último cheque do Benfica sobre a venda do Beto (40 mil euros), que é para descontar em Setembro de 2006,e ir às finanças dizer que serve para pagar os impostos. Eles estão-se marimbando para essas situações".

Mano Nunes:

"Há um auditor que pode dizer isso e não sou eu nem o ignorante do presidente, que pelos vistos não percebe nada de gestão, que vem com essas atoardas cá para fora. O auditor é uma pessoa credível e a mim merece-me respeito".

"Com esta direcção nem penso ir à Assembleia Geral, nem me vêem mais num jogo do Beira-Mar, porque esses indivíduos não merecem nada. Só têm demonstrado ingratidão para as pessoas que deram tanto pelo clube. Não respeitam um sócio, quanto mais antigos dirigentes".

"Pagando as dívidas e recebendo créditos ficavam com 500 mil euros em Junho. O resultado do exercício dava 317 mil euros. Com os 50 mil contos da EMA e os 20 mil da Câmara, que eram devidos, já dá para pagar ao Fisco".

"Do Zeman vieram para a imprensa dizer que deviam, quando há justa causa para o despedimento. Se tiverem de pagar são dois meses. O Murray é um problema criado por eles e o Levato é igual ao caso do Zeman. Recebem uma comunicação da FIFA e em vez de se defenderem fazem-se vítimas, quando isso demonstra incompetência".

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