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sexta-feira, 16 de abril de 2010

Mais uma achega sobre o EMA

Passados 7 anos se há algo que o recente Estádio Municipal de Aveiro conseguiu é ser tudo menos unânime. Eu pessoalmente sou dos que desde o início discordou da forma como tudo foi feito. Independentemente do bonito Euro 2004 que tivémos o prazer de assistir, considero que ainda hoje pagamos uma factura demasiado elevada de termos tido 2 jogos em Aveiro. O problema nisto é sempre a forma como as coisas são feitas, ou seja, sem pensar no futuro de uma forma equilibrada e racional. Decidiu-se, assim de repente, construir um Estádio sem pensar na forma como o iríamos viabilizar.

Se queríamos um Estádio para ter o Euro 2004, então após a competição que se tivesse demolido o mesmo (tal como foi feito em muitos estádios na Coreia no seguimento do mundial de 2002). Se queríamos um Estádio para ter o Euro 2004, e que ao mesmo tempo fosse um dinamizador do parque desportivo de Aveiro e um instrumento de alavancagem do Beira-Mar, então o "tiro" saiu completamente ao lado e alguém deveria ser responsabilizado por isto. Independentemente do gosto arquitectónico, o Estádio continua a ser um elefante branco que a cidade paga ano após ano. Não faltaram vozes a insultar a proposta de Ulisses Pereira sobre a possibilidade de implosão do Estádio. Eu pessoalmente, já o disse há muito tempo, é uma hipótese que deveriamos, pelo menos, considerar. Manter este elefante custa anualmente mais de 700 mil euros à cidade, isto sem contabilizar o impacto (negativo) desportivo e financeiro no Beira-Mar. Creio que está na altura de nos deixarmos de falar em cenários hipotéticos e avançarmos para soluções: ou aparece algum projecto de viabilidade para o Estádio (seja avançado pela Câmara Municipal de uma forma isolada ou através de uma parceria público-privada), ou eu, enquanto aveirense, não estou disponível para ver a autarquia pagar anualmente aquele monstro. Uma análise custo-benefício facilmente demonstrará o ruinoso projecto que foi este Estádio.

No meio disto só lamento que o Beira-Mar se veja metido dentro desta embrulhada. Somos um clube quase centenário que nunca pensou em arranjar casa própria nem em construír património, sempre graças a outras prioridades de "investimento". Já o disse mais do que uma vez: vejam-se os exemplos dos clubes que nos rodeiam, e comparem as suas infraestrutras com as que o Beira-Mar tem. Hoje, infelizmente, estamos dependentes da solução de um imbróglio que o poder político criou e que nunca nos soubemos salvaguardar. Como seria bom voltar costas a tudo isto, deixar o problema nas mão da autarquia e ir para a nossa casa. Se esta tempestade em que nos vemos metidos passar, ao menos que a História nos sirva para termos aprendido a lição.

5 comments:

BM disse...

Francisco: concordo plenamente com o que aqui referes, apenas faço a sempre a referencia à arquitectura porque vejo motivos para tal.
+ 2 considerações: Último Census em Portugal (2001); Ataque ao ESB - NY( Set 2001) -> A crise mundial começou a sentir-se alguns anos depois.
O mais curioso é que ainda HOJE lidamos com os mesmos dados (Census 2001) para efectuar qualquer trabalho em Ordenamento Territorial.
Alguém tem o documento do estudo sobre o projecto/viabilidade/parceiros do EMA? Devia ter sido um documento público, mas não o encontro, se alguém tiver enviem-me por favor.

Anónimo disse...

Está visivel que o EMA e a EMA são os instrumentos para justificar não se sabe o quê?
Esta camara só tem uma pessoa que devia conhecer, tem obrigação, os processos de gestão da coisa, mas é muito fraquito.

Amaral disse...

O problema é que este estádio nunca esteve nas mãos de quem conhece o negocio.
Aquele investimento é para os seus gestores um mero restaurante, a sua actividade começa e acaba ali.

Anónimo disse...

O Elio Maia retirou esta semana o peloura das obras ao vereador Miguel Filipe, aproveite e tire o Pedro Ferreira da EMA, o rapaz não percebe dada daquilo.
FVP

Anónimo disse...

O que mais choca é não existir um responsavel que explique os problemas da EMA.
A EMA nasceu torta, mas não é um destino acabar torta.