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segunda-feira, 28 de junho de 2010

O ecletismo no Beira-Mar - o exemplo da Gala


Quem conhece o SC Beira-Mar "por dentro" reconhece a existência de várias "capelinhas" dentro do clube. Admito que isto, dito deste modo, possa não soar muito bem, mas não encontro melhor forma de descrever a desarticulação e descoordenação que reina entre as diferentes secções do clube, além do natural distanciamento em termos de localização das infra-estruturas desportivas do clube que leva a que as pessoas envolvidas nas diferentes estruturas nem se cheguem a conhecer.
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Este não é um problema novo, nem os dirigentes das secções/modalidades do clube são os responsáveis por ele. Esta é, na minha perspectiva, a consequência natural de um clube, com uma estrutura marcadamente associativa, que acolhe no seu seio uma modalidade profissional - o futebol - que concentra as atenções e absorve os recursos existentes.

As modalidades ditas amadoras continuam a existir e a conferir ao clube uma dimensão eclética porque algumas (cada vez menos) pessoas, por carolice e gosto por essas modalidades, continuam a dedicar-lhes muito do seu tempo e até do seu dinheiro.

Esta é uma matéria sobre a qual, na minha opinião, urge reflectir. Penso que, mais importante do que se pensar em autonomizar juridicamente as secções (vislumbro mais desvantagens do que vantagens nessa solução), se deveria caminhar no sentido de aproximar os responsáveis das modalidades da gestão do clube propriamente dita. Penso mesmo que não seria descabido, em sede de revisão dos estatutos, consagrar a constituição de um órgão específico com poderes de decisão sobre as modalidades do clube, desde logo, no que respeita à estrutura directiva, ao orçamento, à política desportiva, comunicacional, comercial, etc., das modalidades.

Reconheço que esta ideia carece de aprofundamento e debate. No entanto, tenho a convicção de que se nada for feito no sentido de, por um lado, aproximar as modalidades umas das outras e, por outro lado, aproximar as modalidades da gestão do clube, o ecletismo futuro do SC Beira-Mar estará comprometido.

Independentemente das soluções que o clube (nas pessoas dos seus sócios e dirigentes) queira adoptar, o importante será garantir um modelo de gestão para as modalidades que lhes permita optimizar recursos, potenciar receitas, gerir as suas infra-estruturas desportivas, beneficiar da notoriedade e prestígio da instituição, angariar novos sócios e atletas e formar futuros dirigentes.

É fundamental valorizar, dar visibilidade e dar condições para se melhorar o trabalho que é desenvolvido pelas modalidades. Através da oferta multidisciplinar de formação desportiva dos nossos jovens, o clube desempenha um relevante serviço social, posicionando-se estrategicamente no seio da comunidade da qual ambiciona reclamar apoios.

Neste âmbito, é com tristeza que constato que este ano não se realizou a Gala do SC Beira-Mar. Depois do sucesso que se registou nas duas primeiras edições (2008 e 2009), sobretudo, no excelente envolvimento das pessoas (dirigentes, seccionistas, técnicos, atletas, pais, sócios, etc.) na organização desta iniciativa, penso que este evento deveria ter continuidade e institucionalizar-se no seio do clube.

Em Junho de 2008, o SC Beira-Mar juntou cerca de 200 participantes num jantar na Cozinha do Rei, no Hotel D. Afonso V. Em Junho de 2009, cerca de 500 pessoas assistiram e participaram no evento que teve lugar no Auditório da Reitoria da UA, o qual serviu ainda para homenagear a equipa que venceu a Taça de Portual em 1999. Ambas as edições "pagaram-se a si próprias" e, apesar da sua organização ser totalmente amadora, penso que constituiram dois excelentes momentos de exaltação clubista e, sobretudo, uma oportunidade de reconhecimento e visibilidade do trabalho que é desenvolvido ao longo do ano pelas modalidades, bem como, de homenagem a figuras do clube.
Espero que, até ao final do ano, o SC Beira-Mar possa ainda assumir a iniciativa de homenagear, de alguma forma, aqueles que mais se distinguiram nas diferentes modalidades ao longo da época desportiva 2009-2010.
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Não compreender a importância do papel das modalidades e da sua formação na afirmação do clube significa amputá-lo daquela que será, porventura, a sua principal marca de reconhecimento público na região e ferramenta de angariação de futuros sócios e adeptos.

2 comments:

SOV disse...

Concordo em absoluto, e deixa-me acrescentar a justa homenagem aos sócios do clube que há muito se deixou de fazer.

As galas podem e devem servir também para agradecer o empenho e dedicação dos sócios, mesmo que isso passe apenas pelo pagamento devido das quotas.

1 abraço

Anónimo disse...

As galas são um incentivo e reconhecimento do trabalho desenvolvido, no desporto, com afinco, em detrimento muitas vezes de estar com a família, de fazer outras coisas. Mas permite o convívio saudável, a competição, o trabalho em equipa. O desporto é importante para a vida e as galas são um reforço ao ego dos atletas e famílias que também precisam, e dão muito de si graciosamente.
Se dizem que o Nuno Quintaneiro anda ressabiado que dirão agora com este post? Que quer protagonismo?
Pois meus amigos.A grande lacuna na gala de Junho da época transacta foi o reconhecimento e a homenagem mais que merecida desse grande Beiramarista- Nuno Quintaneiro.