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segunda-feira, 23 de maio de 2011

SAD ou não, eis a questão

Na próxima quinta-feira os sócios do SC Beira-Mar vão ser chamados a votar um novo projecto de SAD proposto pela actual direcção. Este post não pretende ser mais do que aquilo que é, isto é, a opinião de um sócio do Beira-Mar que se preocupa com o futuro do clube. Antes de analisar a actual proposta de SAD, acho importante fazer uma pequena retrospectiva daquilo que foi o passado recente e conturbado do clube.

Após a falhada parceria com os ingleses da Stellar Group, o Beira-Mar desce à segunda divisão e Mano Nunes coloca o seu lugar à disposição. Surge uma nova direcção liderada por Artur Filipe, que ao fim de dois anos consegue voltar a colocar o Beira-Mar na elite do futebol português. Esse ano, que à partida se vislumbrava como uma janela de oportunidade para a reafirmaçao do Beira-Mar, viria a ser trágico do ponto de vista desportivo e financeiro. O Beira-Mar voltava a descer de divisão, e acumulava um passivo gigantesco dependente de dois grandes credores: os antigos directores, que tinham avançado com avais pessoais a empréstimos bancários, e os espanhóis da Inverfutbol que reclamavam uma dívida superior a um milhão de euros. Importa, no meio deste enredo, lembrar o incumprimento da Câmara Municipal de Aveiro do célebre protocolo entre as partes por via da utilização do EMA que agudizou as dificuldades financeiras que o clube vinha a sentir. De novo na segunda divisão e sem direcção, Mano Nunes assume a liderança de uma comissão administrativa com a responsabilidade de inscrever a equipa e contratar praticamente um novo plantel. António Sousa regressa ao clube embora sem sucesso, sendo sucedido a meio da época por Bruno Moura que não conseguiu mais que um modesto 12º lugar. Cada vez mais estrangulado do ponto de vista financeiro, a CA de Mano Nunes faz o famoso negócio de venda das piscinas, que permitiu ao Beira-Mar inscrever-se de novo na segunda liga e assegurar os pagamentos da época, assegurados pela nova Comissão Administrativa liderada por António Regala. A escolha de Leonardo Jardim para técnico da equipa revelar-se-ia acertada, e graças ao talento do treinador a equipa obtém quase que por milagre o regresso à primeira divisão. Pelo meio ficam, claro, muitos pormenores (importantes), cuja opinião pessoal não é aqui chamada para o caso.

No final da época passada, foi apresentada uma proposta de SAD chumbada pelos associados. Na altura manifestei-me contra a proposta, por duas grandes razões: a primeira prendia-se com o timing da SAD. O clube encontrava-se na segunda divisão, e do ponto de vista da atractividade do negócio parecia-me pouco oportuno. Claro que, caso o Beira-Mar não tivesse conseguido a subida de divisão, duvido que restassem muitas alternativas ao modelo apresentado. A segunda razão, e seguramente a mais importante de todas, consistia no modelo de SAD apresentada. O SC Beira-Mar SAD ficava com os activos mais importantes do clube (passes dos jogadores) e deixava no clube o enorme passivo gerado até à data. Na prática o clube ficava de imediato sem a sua principal fonte de receitas e numa situação de falência técnica. Estas foram as duas grandes razões pelo qual votei contra a proposta de SAD, e feita uma análise retrospectiva, não me arrependo da decisão tomada.

Vejo nesta nova proposta apresentada estes dois problemas ultrapassados. Gostaria igualmente de referir, fruto do trabalho que vou exercendo na secção de basquetebol, o enorme empenho da direcção liderada por António Regala com o ecletismo do Beira-Mar, algo que me agrada profundamente. Sou daqueles para quem o clube é mais importante que tudo o resto, mesmo que se trate do futebol profissional. Importa referir que foi graças à má gestão do futebol profissional que o clube acumulou o passivo actual, pelo que não acho séria qualquer proposta de SAD que não tenha como primeira prioridade limpar tudo aquilo de errado foi feito.

Face ao que até agora foi esclarecido, confesso a minha inclinação para votar favoravelmente à proposta de SAD. Podem argumentar a questão da "alienação do clube a estrangeiros". Pergunto eu: a gestão aveirense tem dado provas de quê? Além disso, perguntem aos adeptos do Manchester United a preocupação da alienação do clube aos ingleses, ou dos adeptos do Chelsea o estorvo dos euros de Abramovich. Toda a SAD que tenha como premissa a salvaguarda do clube (e não do futebol profissional) terá todo o meu apoio. Espero que a bola continue a entrar, e faço votos para que o Beira-Mar permaneça muitos anos a jogar ao mais alto nível, mas uma coisa é certa: se as coisas correrem mal (e já se provou que podem correr com a gestão cá do burgo) o Beira-Mar manter-se-á vivo.

43 comments:

Ricardo Pires disse...

Do que assisti na sessão esclarecedora, acho que a SAD dificilmente passará...

http://beira-mar.blogspot.com/

Anónimo disse...

Ora aqui está um texto que me agradou muito...imparcial ... análise fria e objectiva...concordo plenamente!!!

Anónimo disse...

já não houve um comunicado das modalidades? Então já sabemos a tua posição e é obvia que seria essa! Ora essa!!!

Anónimo disse...

temos duas SAD's formadas com propósitos iguais, segundo diz Mano Nunes nos jornais, não vejo a razão de investir num senhor que já se diz credor, comprador e sabe-se lá mais quê. Mas a democracia é assim mesmo. Votemos, pois.

Anónimo disse...

mas antes temos de votar se queremos SAD ou não!

Anónimo disse...

A solução proposta pela direcção parece-me razoavelmente fundamentada.
Merece o nosso apoio. É hora de uma nova esperança, profissionalismo e sobretudo uma relação racional entre o profissional e amador.
Gosto pouco de meias palavras, o Mano Nune deiz que "cobre" a oferta. Não mais do que isso (maias palavras, coisas redondas, contra capital estrangeiro e tudo mais) não tem qualquer projecto.

Anónimo disse...

Quero ver o meu clube Beira Mar a ser campeão.

Mesmo que nunca o seja ganhar aos Cãopeões, aos Benfas, aos Lagartus, aos Pinguíns e mantendo-se na 1ª liga é tudo quanto peço.

Venha a SAD, mas que nunca morra o clube.

Anónimo disse...

Francisco, é sempre um prazer ler os teus textos, que são de uma clarividência notável e muito construtivos na vida do nosso clube. Vou na próxima quinta-feira votar a favor da SAD pelas mesmas razões que apontas, e uma adicional: quero ver o meu clube salvo da bandalheira que tem sido o futebol profissional e, principalmente, longe de Manos Nunes, Artures Filipes e Joses Cachides. Pior que estes três o iraniano não deve ser. Parabéns à direcção de António Regala pelo excelente trabalho que tem feito à frente do clube.

Anónimo disse...

Neste momento tendo a votar favoravelmente à proposta, embora conte ir hoje à sessão de esclarecimento para me ajudar a decidir.

sócio do Beira Mar disse...

1)De acordo com as palavras o Sr. António Regala, o investidor Iraniano manifestou concordância pela escolha de Rui Bento para treinador da equipa principal.
2) Isto aconteceu no mês de Março.
3) Significa que naquele momento já existia um acordo para o Iraniano assumir o controlo da SAD!!
4) Porque razão só agora aparece a proposta para criação da SAD??
5) Será que uma "semana" é tempo razoável para se tomar uma decisão??
6) Qual o modelo de SAD? Quantos administradores? Quem representa o Beira-Mar?
7) Se publicam no site os comunicados da direcção, da mesa da assembleia, das secções, etc, porque razão não disponibilizam a proposta que vai a votação na Quinta-Feira??
8) Sou a favor do modelo SAD mas também quero transparência neste processo!!

Anónimo disse...

transparência? mais? há um credor iraniano que só deixa de ser credor se lhe derem uma SAD em Aveiro. Tudo claro e simples.

Anónimo disse...

continuação... e atenção que não estou contra nem a favor apenas acho que isto é mesmo transparente eo senhor Regala ja disse. E continuo com uma dúvida: quinta-feira vamos votar ESTA sad?? é preciso calma!

Anónimo disse...

Há silêncios que são comprometedores, incluindo os deste blogue. Mano Nunes não está sozinho, tem gente por trás a liderar as suas movimentações com medo de perderem o tacho de administradores da SAD do Beira-Mar. O que estão a fazer é atirar areia para os olhos dos beiramarenses. Falam em cobrir a proposta, mas estão apenas a falar do capital que fica para a SAD. Dizem que o passivo "resolve-se". Se se resolve porque não resolveram quando estiveram lá? Estou farto de ver o Beira-Mar comandado por gente nos bastidores a reservar tachos. Vou votar a favor da SAD. Venha daí o iraniano.

Anónimo disse...

lá está... vamos votar a entrada do clube numa SAD. Mais nada!! Tenhma calma! Depois havemos de ouvir as propostas todas que aparecerem. Anda tudo doido, só pode!!!

Anónimo disse...

O Mano Nunes não tem projecto, tem apenas uma utopia.
Isto já lá não vai com filósofos.
Rui Sá

Anónimo disse...

Para votar na quinta é preciso ter as quotas em dia???

sócio do Beira Mar disse...

Mas vamos votar o quê? Alguém já viu a proposta escrita? Quero ver/ler documentos!!

Aliás é o próprio Sr. António Regala que disse que se o Sr. Mano Nunes tem uma proposta tem de apresenta-la por escrito!!

Até pode ser uma página A4 com 4 ou 5 pontos mas gostava de ler a proposta da direcção para criação da SAD...

Por motivos profissionais não posso ir à sessão de esclarecimento, por isso apelava para disponibilizarem on-line o documento que vai ser votado na quinta-feira.

Anónimo disse...

claro

Anónimo disse...

esta direção para disponibilzar o que quer que seja é sempre a mesma coisa!!

Anónimo disse...

Todos pela proposta da direcção!!! Chega de armarem confusão...esta entrada do mano nunes só veio gerar confusão e isto é ser contra o beira-mar...normalmente ele age na sombra e o Nuno dá a cara desta vez estão a inverter-se os papéis? Tachos? Trabalhem que eu também trabalho

PN disse...

O Mano Nunes só reage como reage porque gosta do Beira-Mar e prova que não dorme, estando bem atento ao universo Beiramarense e tudo o que o rodeia. Por outro lado, o Marítimo acaba de dispensar os jogadores que não interessam para o plantel de 2011/2012, entre os quais está o Alonso, defesa-esquerdo. É um jogador experiente, com provas dadas em Portugal e, julgo eu, um excelente substituto do Renan. À atenção dos dirigentes!

Nuno Q. Martins disse...

Francisco,

Os teus textos são sempre reveladores da tua paixão pelo clube, temperada pelo bom-senso que quem te conhece, te reconhece.
A tua descrição da história recente do clube é bastante perspicaz e lúcida. Subscrevo-a.

No entanto, existe uma questão relacionada com a proposta de SAD que foi “chumbada” há cerca de um ano que foi mal interpretada (e, eventualmente, mal explicada) na altura e que foi/é determinante na tomada de posições.

Quando dizes:
“O SC Beira-Mar SAD ficava com os activos mais importantes do clube (passes dos jogadores) e deixava no clube o enorme passivo gerado até à data. Na prática o clube ficava de imediato sem a sua principal fonte de receitas e numa situação de falência técnica. O SC Beira-Mar SAD ficava com os activos mais importantes do clube (passes dos jogadores) e deixava no clube o enorme passivo gerado até à data. Na prática o clube ficava de imediato sem a sua principal fonte de receitas e numa situação de falência técnica. O SC Beira-Mar SAD ficava com os activos mais importantes do clube (passes dos jogadores) e deixava no clube o enorme passivo gerado até à data. Na prática o clube ficava de imediato sem a sua principal fonte de receitas e numa situação de falência técnica.”,
Convém esclarecer que a proposta que foi submetida aos sócios para votação continha apenas as condições mínimas de participação do Beira-Mar numa SAD, deixando à Comissão Administrativa/Direcção toda a margem para negociar as condições máximas com os potenciais investidores interessados em avançar para o projecto, ou seja, em momento algum a proposta apresentada impedia a CA/direcção de negociar as dívidas/passivo do clube com os investidores. É importante que se diga que, mesmo com a aprovação daquela proposta em sede da AG, nada obrigava uma CA/Direcção a avançar para a SAD caso não encontrasse um investidor/parceiro que satisfizesse os interesses do clube.

Um cenário de insolvência do clube seria impensável pois, como decorre da própria lei, uma SAD que consista na personalização jurídica de uma equipa de futebol de um clube só pode existir num quadro de respeito pelo princípio da subsistência mínima de participação social do clube na SAD. Ora, jamais seria do interesse de qualquer investidor uma situação de insolvência do clube.

É um erro enorme “diabolizar” uma proposta que estava devidamente estruturada e até era, em termos de modelo (previa-se uma distribuição do capital mais equilibrada - 60/40), bem mais conservadora no sentido de salvaguardar a posição do clube, além de que a negociação das dívidas/passivo do clube seria sempre uma questão na disponibilidade de negociação da CA/Direcção com os potenciais investidores.

Note-se que na próxima Quinta-Feira o que vai a votação é simplesmente uma proposta de participação do clube (15%) numa SAD. As restantes questões associadas ao investidor iraniano terão sido negociadas previamente com o investidor e fazem parte de um protocolo de intenções que, segundo o António Regala me disse ontem na sessão de esclarecimento, não pode ser divulgado publicamente. Há um ano não havia nenhum protocolo escondido com nenhum investidor e as matérias fundamentais de regulação da relação futura entre o clube e a SAD estavam bem plasmadas no documento que foi apresentado aos sócios.

No fundo, as pessoas pouco se importaram com o conteúdo da proposta porque estavam obcecados em chumbá-lo com medo que a aprovação daquela proposta resultasse necessariamente numa SAD que iria deixar as dívidas no clube e os funcionários sem emprego. Um conjunto de receios infundados sabendo-se que havia uma CA que teria a incumbência de negociar com os investidores as melhores condições para o clube de constituição duma SAD e, caso não encontrasse nenhum investidor interessante, poderia mesmo decidir-se pela não utilização da autorização aprovada pela Assembleia Geral.

Resumindo e concluindo (sem querer ofender ninguém), só me apraz dizer que a ignorância é a principal fonte dos nossos medos.

Um abraço.

Anónimo disse...

Nuno Quintaneiro Martins, parabéns pela lucidez. O remate foi forte e colcoado, a bola entrou no ângulo, sem defesa possível. Boa sorte para a sua vida e para o Beira Mar também.

PR

Anónimo disse...

Nuno qual a tua posição na Quinta-Feira? Sim ou Não e se Sim qual é a que preferes? Mano Nunes ou o Iraniano? Podes escrever um texto sobre este assunto??

Anónimo disse...

A verdade é que da proposta do iraniano sabe-se, não tudo, mas alguma coisa, particularmente sabe-se que ele vai absorver o enorme passivo do clube que é, a meu ver, o grande estrangulamento da vida do Beira Mar e que, existindo, não permitirá ao clube sobreviver doutra forma que não seja sempre à beira do abismo. E como é que o Engº Mano Nunes pensa resolver esse problema decisivo? Para mim é uma questão fundamental, sim à SAD porque o modelo de gestão actual não tem hipótese de manter o Beira Mar por muito mais tempo(levantaram as penhoras mas as dívidas mantém-se, a gestão é deficitária todos os dias, continua a ser preciso contrair mais dívidas, pelos vistos até o iraniano já entrou com 500 mil...), mas para dizer sim ao projecto (qual?)do Engº Mano Nunes tenho de saber qual é e isso é que para já é...zero!...Por muito que o Beira Mar deva (e deve!) ao Engº Mano, ao menos do iraniano sabemos pouco, mas sabemos alguma coisa, da alternativa é que não sabemos nada.

Anónimo disse...

É tudo muito bonito do iraniano, mas não sei o que prefiro, se um Beira Mar sem dividas e satelite de um clube claramente inferior como é o Servette, se um Beira com passivo mas mesmo assim autónomo quanto a ligação com outros clubes! A questão é essa. Ou dinheiro, ou personalidade aveirense na direção.

Anónimo disse...

Parabéns ao Francisco e ao Nuno pelos seus textos. Finalmente li alguma coisa interessante entre este blogue e o do +BeiraMar, já que de resto é muito ruido e lixo.

Os sócios só têm uma decisão a tomar: SAD, sim ou não? Se decidirem que sim, já não cabe aos Sócios decidirem se querem o Mano Nunes ou o Iraniano: nesse caso é uma questão de mercado e é vendido a quem der mais. Ninguém tem de apresentar plano, nem programa nem nada.

Uma SAD não é uma democracia. Quem pode manda. É por isso que o mecenas só re-aparece agora: Fartou-se de enterrar dinheiro (que ainda lá tem) numa organização de onde não podia tirar lucro.

Não consigo compreender toda esta azia contra o Mano Nunes nestas caixas de comentários, mas também não interessa compreender. Assim que seja aprovada a SAD, que ganhe a melhor oferta.

Rúben Marinho disse...

pá ... as dividas ficam saldadas, é um homem de negócios (pk o futebol é um negocio) e mesmo na eventualidade de depois houver alguma coisa a pagar ... é negociar com ele apenas e nao com imensos que querem-se atropelar uns aos outros para receberem primeiro ... eu concordo com a sad do iraniano e nao concordo com a do Mano Nunes.

José Ribeiro disse...

O tal protocolo de intenções que o Nuno referiu, deveria ser facultado aos sócios, afinal de contas vamos votar num projecto cujo principal investidor e futuro gestor não menciona quais os seus objectivos?

Andei a pesquisar o nome do senhor na internet e ao que parece foi durante a gestão deste senhor que o Admira Wacker (clube austriaco) foi a falência.

Anónimo disse...

Perfeitamente de acordo com o comentário das 20 e 13...chega de tentarem travar...nós vamos votar SAD sem Mano Nunes e os seus "satélites"...NÃO queremos NINGUÉM dos que por lá passaram...Dêem de frosques...não confiamos em vós...preferimos quem não conhecemos porquem conhecemos está à vista

João Carlos Silva disse...

Em qualquer instituição com o mínimo de organização esse documento/protocolo deveria ser disponibilizado aos sócios antes da assembleia geral...

Não estou muito a par dos estatutos do beira mar mas nas associações que sou sócio sempre que há uma assembleia-geral, a documentação que vai ser analisada e votada é distribuída pelos associados com cerca de 8 dias de antecedência.

Será que não há motivos para impugnar a assembleia geral de quinta-feira?

Agradecia a quem conhecesse os estatutos do beira mar que procurasse averiguar esta situação da disponibilização dos documentos..

Jorge Santos disse...

Ao Nuno
Ao Francisco
Clarividência muito útil nesta fase de decisão importante no nosso clube.Parabéns pela vossa exposição.
Pessoalmente, não concordo e, portanto, voto contra, uma SAD em que a participação do clube se cinge aos 15%.
Por outro lado, e agora citando o Zé Ribeiro,de facto foi a sociedade deste senhor iraniano que afundou os Admira Wacker ( sabe-se la´porquê), mantendo o Servette a funcionar ( serviços míninmos).
Quanto ao engª Mano Nunes, terá sempre o meu voto!
Já agora, uma palavra para o "novo" plano de marketing do clube. Deviam ter vergonha em chamar-lhe de "novo". Sem dinheiro,grandes dificuldades mas com muitos sócios dedicados, fez-se tudo aquilo.Agora, mudam-lhe o nome e chamar-lhe "novo". Tenham vergonha!! E tenham ideias e imaginação. Os sócios que tanto trabalharam num projecto não mereciam este plágio!
Abraço
Jorge Santos

José Ribeiro disse...

Entrevista do homem de quem se fala, hoje no "ojogo":

http://www.ojogo.pt/27-145/artigo928778.asp

Francisco Dias disse...

Caríssimos,

Confesso que não percebo o argumento utilizado da questão das participações. Em termos práticos, que diferença faz ter uma participação de 40% ou de 15%?A qustão que se deve colocar é se o Beira-Mar deve ter a maioria do capital social da SAD (51% para cima) ou não). Tudo o que for abaixo de 50% significa que as decisões estratégicas do futebol passam para fora do clube. Tem sido este o modelo adoptado pelas principais SADs em Portugal e lá fora, por uma só razão: os clubes não têm possibilidade de acompanhar as necessidades de financiamento que este tipo de sociedades exigem. Por isso limitam-se a participações mínimas, garantindo sempre os poderes especiais que este tipo de acções confere. Assim sendo, custa-me perceber como é possível que se tenha defendido o anterior modelo de SAD e não se defenda este modelo de SAD.

Como alguém disse atrás, os associdados vão aprovar a constituição de um projeco de SAD dentro do modelo que for apresentado pela actual direcção. E os dois aspectos que referi que foram determinantes para o meu voto contra estão ultrapassados: é assegurada a limpeza do passivo gerado pelo futebol profissional (algo que no anterior não se percebia como ia ser feito, apesar de alguns manifestos de intenções de receitas futuras que seriam passadas para o clube) e o valor que este investidor assegura na totalidade é bem superior ao valor que se falava na SAD de há um ano atrás. Assim sendo, não tenho razão para me opor.

JMO disse...

Caro Francisco,

Mais uma vez, estás a partir de um ou outro pressuposto errado: é claramente diferente numa sociedade ter 15% por cento ou 40%, ainda mais quando esta é uma SAD. Por dois motivos que as leis facilmente explicam: a) a lei geral determina que uma minoria de bloqueio (66 ou 75 por cento, nao sei bem) poderá bloquear tentativas de alteração dos estatutos efectuadas pelo sócio minoritário, algo que 15 certamente não o fará; b)tendo em conta a lei especifica que regula as SAD, o capital social ao quarto ano deverá não poder ser inferior numa determinada percentagem aos orçamentos médios de X épocas. Tendo em conta potenciais "prejuizos", o mais provavel é que na pior das hipoteses o clube tenha que ir a um aumento de capital - pois a lei proibe que numa SAD o clube tenha menos de 15 por cento.

Para além desse factor, teres uma tranche que possas alienar a um parceiro estratégico é sempre importante - não a teres, ficas totalmente dependente do parceiro que existe (ah, e que não conheces).

E se queres mais argumentos, até para votares favoravelmente, tu na anterior assembleia estavas a estabelecer as decisões minimas para uma direcção votar uma SAD. Aqui, estás a dar um cheque em branco para a Direcção avançar para esta SAD, sem documento nenhum que fique para a história...

E não partas do principio que quem está a questionar detalhes é contra esta e a a favor de outra. Eu sou coerente: fui a favor da "outra" e desta porque são ambas SAD. Não alinho em argumentos de caciques e gostava de ver o clube com vários parceiros e não "nós contra eles".

Anónimo disse...

Acabei de ler os jornais e o escandalo que foi montado pelos jornalistas está tudo vendido. O Sport Club Beira-Mar de quase 90 anos e do povo, da baixa mar, dos cagareus e ceboleiros, de gente humilde mas honrada, de todas as classes, acabou. Vou ficar com o cartão antigo de sócio de recordação. Afinal foi fácil manipular os sócios. Parabéns Regala.

Anónimo disse...

Ao senhor Jorge Santos o meu cumprimento pelo seu depoimento aqui escrito. É verdade. O Admira faliu em 3 anos com este senhor que logo em 4 meses despediu toda a gente do clube. Mas isso nao interessa. Tenho pena que o Beira Mar deixe de ser meu também. Obrigado.

Francisco Dias disse...

João, compreendo alguns argumentos que apresentas, que acho lógico que sejam ponderados. Se há algo que não tenho problemas em afirmar, é que não tenho opiniões definitivas em nada. Limito-me a ouvir os argumentos de ambas as partes e pensar pela minha cabeça. Indo por partes: alteração de estatutos. O Beira-Mar numa posição minoritária terá pouco mais intervenção do que aquela que lhe cabe por via das acções do tipo A, isto é de clube fundador. Mas digo-te mais: no anterior projecto de SAD, apesar de estar prevista uma disperção de 60% do capital, foi deixada uma ressalva de que "em nenhum momento, a participação directa do Sport Clube Beira-Mar no capital social poderá ser inferior a 15% do respectivo montante". Ou seja, o teu argumento cai por água abaixo. Outra questão: apesar da SAD ser proposta com um capital mínimo de 500 mil euros na segunda divisão, garaças à subida da equipa à primeira divisão o capital passaria logo para um valor mínimo de 1 milhão de euros. O que ia fazer o Beira-Mar? Avançava com capital (qual?) ou perdia a sua quota de 40%?

Por fim, relativamente à questão dos orçamentos, cabe ao Beira-Mar prevenir uma situação que obrigue ao aumento de capital, uma vez que o código das SAD dá ao Beira-Mar o poder de vetar orçamentos que tenham tal implicação.

Deixa-me dizer que se há algo que prezo é a salutar troca de argumentos, que devem ter por base factos. E noto que aos poucos estamos a entrar numa adjectivação de opiniões contrárias como "ignorância" e "argumentos de caciques" que não me parecem que enobreçam o debate.

Um abraço.

JMO disse...

Caro Francisco,

Queria apenas deixar-te uma nota: obviamente que teria que estar resalvado o valor dos 15 por cento como minimo porque é assim que a lei determina. Por isso, essa questão não põe nada o meu argumento por terra. Também no valor minimo de 1 milhão de euros na I Liga é o minimo legal e o clube teria, como é óbvio, forma de subscrição do capital porque tem dois anos para o realizar (os primeiros 40 por cento era com o passe de um jogador, por exemplo) e os seguintes com alguma da verba da televisao de dois anos (nao te esqueças que estamos a falar de 20 mil euros de cada vez..,).

Segunda questão: há aumentos de capital que são obrigatórios e são a esss que me refiro.

Por fim, a Direcção que não pretenda um cheque em branco. Quero um documento que estabeleça as regras mínimas caso contrário não voto.

Obviamente que não me estava a referir a ti e peço desculpa se assim o entendeste. Estava exactamente a referir-me ao ambiente que está instalado e que diaboliza mensageiros, cria sectarismos e não discute factos. Não é nem nunca foi o teu caso.

Anónimo disse...

Não foi esta Direcção que chumbou o anterior modelo de SAD...fomos nós os SÓCIOS...não foi o REGALA...fomos nós...já cansados de oportunistas e de atirar areia para os olhos...quando os sócios não fazem a vontade a determinados senhores são logo categorizados de "manipulados" como se entre os sócios não houvesse gente atenta...eu junto-me aqueles que não querem lá quem já lá esteve.

Anónimo disse...

Este processo de venda do futebol profissional do clube é só o culminar do afastamento físico com a sua base de apoio Aveirense, e também uma hipótese de salvação das restantes modalidades e do verdadeiro clube o de Aveiro, da Glória e da Vera Cruz. O senhor dos aviões só deve ter milhões de boca, quanto ao Mano Nunes depois de ter delapidado o património do clube ao vender por tuta e meia as piscinas deve pensar voltar para vender o pavilhão e a sede que é o que ficou. Não há que ter medo, se a SAD correr mal, o clube só tem que manter o antigo estádio e se for preciso começar nos distritais que os verdadeiros Beiramarenses cá estarão para trabalhar. Agora que trabalhem os de Taboeira e o Iraniano, agora Mano Nunes nunca mais. A SAD é como o Tiririca pior do que está não fica.

Anónimo disse...

Bem, uma das principais diferenças que vejo entre ter 15% da SAD ou ter 40% da SAD, é o montante a que o clube terá direito no fim de cada exercício caso a SAD dê, como esperamos todos, lucro.

Francisco Dias disse...

Ao último comentário, apenas uma observação: até pode haver exercícios que tenham um resultado positivo, mas acho que ainda estará por vir a primeira SAD (não só em Portugal como na Europa) que possibilite o pagamento de dividendos aos seus acionistas. As necessidades de financiamento são de tal ordem, que um cenário desses serviria apenas para financiar a época seguinte.