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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Entrevista de Nuno Patrão ao Jogo

vou publicar na integra o que está disponível online aqui, aqui, aqui e aqui. Uma extensa entrevista de Nuno Patrão ao jornal O Jogo. As ilações ficam para depois... porque a entrevista é esclarecedora.


"Sem SAD o Beira-Mar não estava a competir"

JORGE MAIA VALENTE
Pouco dado às luzes da ribalta e "avesso a entrevistas", Nuno Patrão aceitou explicar a O JOGO os interesses de Majid Pishyar, magnata iraniano, na SAD do clube e como é que ele próprio surge no projecto. Nuno Patrão é o braço direito de Pishyar em Aveiro e funcionário da 32 Group, empresa do magnata.


Quem é Nuno Patrão no Beira-Mar?

É a pessoa que está ligada ao 32 Group há dois anos e meio como gestor de activos, numa primeira fase no Servette, e depois de Majid Pishyar assumir o Beira-Mar, também incumbido dessa missão aqui.

É o responsável pelo futebol do Beira-Mar?

Não. A minha missão é fazer pesquisa de jogadores, escolher e promover activos como acontece no Servette, e que agora também tenho sob a minha alçada no Beira-Mar.

Foi o responsável pela vinda de Majid Pishyar para o Beira-Mar?

A ligação que tenho com Majid Pishyar é de aconselhamento mas não fui eu que indiquei o Beira-Mar como um novo projecto de potencial interesse. A ligação foi feita pela direcção do clube com a colaboração do Ulisses Santos, meu amigo pessoal. Servi de intermediário para fazer o Beira-Mar chegar a Majid Pishyar. É uma pessoa que tem o seu próprio feeling negocial mas não escondo que transmiti uma opinião favorável à realização do negócio.

Majid Pishyar um homem de negócios que procura sustentar a vertente financeira. É possível fazer isso no Beira-Mar?

O Beira-Mar nos próximos dois/três anos vai crescer muito, limpar problemas financeiros que tem, limpar a casa e paulatinamente alicerçar-se para estar uns dez anos na primeira divisão. Se conseguir manter-se no escalão maior esse tempo, com jogadores da formação a integrar o plantel profissional, com uma academia que possa orgulhar o clube e a região, o projecto de Majid Pishyar está vencido e as pessoas de Aveiro deverão estar gratas pela sua vinda.

Significa então que, se o clube descer de divisão, o projecto não faz sentido?

Pelo que me apercebi daquilo que foi apresentado a Majid Pishyar quando a Direcção encetou contactos para este projecto, sem SAD o Beira-Mar não estava a competir este ano na I liga. Já no ano passado, Majid Pishyar ajudou o clube como é público e, agora, tem as suas ideias. Agora, é evidente que as coisas têm de ser sustentadas e se acaso o clube descesse, este projecto não tinha condições para avançar. Mas isso aconteceria com qualquer clube português que só tem viabilidade no primeiro escalão.

Se as metas definidas não forem cumpridas acontece alguma coisa à SAD?

À SAD não acontece nada, pode acontecer é a mim. Eu tenho um contrato com a 32 Group, e como qualquer funcionário, preciso de apresentar resultados. No Servette queremos lutar pelo título a curto prazo e estar na Europa. No Beira-Mar o objectivo a curto prazo é estabilizar na I liga e sustentar a equipa para outros voos.

Majid Pishyar falou de conquistas para o Beira-Mar…

De futuro sim. No imediato é preciso que o clube consiga estruturas desportivas e melhores condições para os seus profissionais. É fundamental termos a curto prazo uma academia e campos de treino. Depois, também será preciso aumentar o orçamento e para isso, temos primeiro de limpar muita coisa do passado.

Pagar dívidas, como Majid Pishyar disse? Diminuir, por consequência, o passivo do clube?

Quando Majid Pishyar chegou ao Servette o clube estava na bancarrota. Recuperou a credibilidade, trouxe adeptos, voltou a colocar o clube na primeira divisão. No Beira-Mar há uma intenção idêntica: dotar o clube de estruturas, apostar nos jovens, valorizar activos, levar mais gente ao estádio de Aveiro e colocar o clube num patamar superior.

"Assumir que temos um empresário connosco é sinal de transparência na gestão"

Ulisses Santos, agente FIFA e empresário de futebol, foi o homem que abriu as portas ao Beira-Mar para uma solução de compromisso futuro. O gestor de activos do Beira-Mar e do Servette não vê qualquer problema em assumir a ligação ao empresário: quer no aconselhamento, quer na negociação de jogadores.

Reconhece a desconfiança dos adeptos do Beira-Mar por a SAD ter o empresário Ulisses Santos ligado ao projecto? E o facto de também Nuno Patrão estar ligado ao agenciamento de atletas?

Eu sou remunerado pela 32 Group e a minha missão aqui já foi explicada. Representarei sempre o clube e não vou ganhar comissões com o Beira-Mar. O meu acordo é com a empresa que represento e com Majid Pishyar.

Mas trabalha com um empresário que tem a representação de vários jogadores no clube…

É normal os clubes terem ligações com empresários. Eu não tenho jogadores representados por mim no clube. Acho, por isso, que o fantasma de estar um empresário que é sócio do clube, que ajudou o clube e se interessou por encontrar uma solução, não faz muito sentido. Parece-me até que assumir que temos um empresário a trabalhar connosco é sinal de transparência na gestão que estamos a fazer. Não é assim em muitos clubes…

O clube tem uma carteira de jogadores alicerçada no Ulisses Santos?

Não, de maneira nenhuma. Ele está neste projecto devido à ligação que tem com o clube. Já tinha jogadores no Beira-Mar, não é só agora. A ajuda que ele dá é na sinalização de alvos que depois podem ou não interessar. Não está no clube para ganhar dinheiro com os jogadores que cá coloca.

"Queremos fazer dois milhões em vendas"

O futebol profissional do Beira-Mar abraçou uma nova filosofia ao caminhar como Sociedade Anónima Desportiva (SAD) onde negócio é palavra-chave. Por isso mesmo surge Majid Pishyar, dono de 32 áreas diferentes e díspares de negócio como líder do projecto que serviu para salvar, como testemunham os dirigentes do clube, o Beira-Mar de uma possível falência fatal. O futebol do Beira-Mar é agora um interposto de rentabilização de jogadores como assume Nuno Patrão. Palavras claras: objectivo é fazer crescer jovens jogadores com rendimento, ou seja, ganhar dinheiro.


A entrada da SAD no Beira-Mar trouxe uma nova política para o futebol que agora é apelidado de entreposto de jogadores. Aceita esta crítica?

Aqui há um entreposto, sim. A ideia é recrutar jogadores jovens, como aconteceu este ano com o Joãozinho, o Zhang, o Nildo, promovê-los aqui e tirar rendimentos. Se entreposto tem esse sentido, é verdade. É o entreposto que já fazemos no Servette e agora no Beira-Mar que se baseia num pressuposto simples: recrutar bem, barato, alicerçar com jogadores experientes e outra maturidade, e ter quatro a cinco jogadores por época vendáveis.

O futebol é um negócio?

Claro que sim, o futebol é um negócio. Posso dizer-lhe nesta altura que, no mínimo, esta época, o Beira-Mar em vendas vai fazer dois milhões de euros, o que será recorde para o clube na primeira liga portuguesa. Já fizemos cerca de meio milhão com as vendas do Rui Sampaio e do João Pereira e temos quatro ou cinco jogadores que são activos.

Quais?

Temos o Yohan Tavares, o Joãozinho, a possibilidade de comprarmos o Zhang e o Nildo que é uma revelação.

Todos esses jogadores têm propostas?

Não, nenhum tem propostas concretas mas sempre que há uma abordagem há um potencial negócio. Devo dizer que não pretendemos vender jogadores em Janeiro porque também precisamos de cuidar da vertente desportiva. Daí dizer que no final da época temos condições para chegar aos dois milhões de euros em vendas.

Consegue dar um exemplo concreto do que mudou no futebol do Beira-Mar com a SAD?

Quando chegámos ao Beira-Mar, o Yohan Tavares tinha uma cláusula de rescisão de 300 mil euros. Renovámos contrato e estabelecemos dois milhões de cláusula indemnizatória. Mas há mais: no Beira-mar acabaram os jogadores a custo zero. Por isso estamos a procurar renovar com todos os que interessam e que é do domínio público.

"Rui Bento nunca esteve em causa"

Nuno Patrão assume a ligação com Rui Bento, treinador que sugeriu para o projecto. O gestor de activos desmente que o treinador tenha estado em risco.


Foi Nuno Patrão o responsável pela vinda de Rui Bento?

Apenas sugeri, como fiz no Servette com João Alves, ou agora com João Carlos Pereira, o Rui Bento para ser o treinador. De entre dois ou três que havia, Majid Pishyar entendeu que Rui Bento devia ser o escolhido.

Por que é que Majid Pishyar, então, escolheu Rui Bento?

Para um projecto destes, de criar activos e vendê-los, criar receitas com jogadores, precisamos de um treinador com um determinado perfil. Esse perfil entronca no Rui Bento, ou seja, um treinador que aceita perder Rui Sampaio no início do campeonato e assume a responsabilidade de encontrar uma solução. Tem de ter esta perspectiva de trabalho que é estar preparado para assumir riscos em detrimento de olhar apenas para a carreira pessoal.

O treinador é a "fábrica" do negócio do clube?

O histórico do Rui Bento mostra os jogadores que ele ajudou a crescer. A SAD quis um técnico com capacidade de projectar jogadores e sem medo de apostar nos jovens.

Todos os treinadores estão dependentes de resultados. O Rui Bento não esteve em risco a meio da época?

Não esteve em risco. Esse cenário foi criado pela Imprensa. Não era por um problema do treinador que os resultados não apareciam. A equipa tinha um problema de finalização.

O jogo com o Feirense foi de viragem? Se não tivessem ganho estava tudo na mesma?

Se o Beira-Mar ainda hoje tivesse dez pontos, até o próprio Rui Bento saía pelo seu pé. Foi um jogo importante. Os jogadores estavam mais preocupados com o Rui Bento do que ele próprio. Alguns perguntavam se era verdade que o treinador ia embora se perdesse, disse-lhes sempre que não. E não estava.

Majid Pishyar esteve presente no jogo…

… atravessou meio mundo para estar presente e dar a melhor resposta a quem achava que podia ser o fim de linha para o Rui Bento. Veio mostrar que há toda a confiança no treinador. Ele veio, com surpresa nossa e quase em cima da hora do jogo, marcar presença para transmitir esse apoio.


8 comments:

Anónimo disse...

esclarecimentos finalmente mas que confirmam tudo o que suspeitava. Boa entrevista e oportuna.

AS

Joao Oliveira disse...

já agora, caro AS, o que suspeitava?

Filipe Neto disse...

Bastante esclarecedora, a provar quais os objecyivos da SAD e que futuro conforme as metas atingidas, embora em alguns pontos ele se tenha contrariado um pouco a meu ver, mas dito assim a coisa fica mais bonita e mais composta
Saudações aurinegras

Anónimo disse...

Um verdadeiro PONTA de LANÇA, este Patrão.

Anónimo disse...

Pode ser que finalmente isto seja sustentavel

Anónimo disse...

A entrevista foi um fato à medida.
Não acredito que o JMV não tenha informação suficiente para confrontar o NP com a realidade.
Sinias dos tempos.
Veremos o que os próximos tempos dirão.
JVP

Anónimo disse...

Até aqui foi gerir bem ou mal os ativos, agora é que vão começar os testes de stress.
Cá estaremos para avaliar.
João Barnabé

João Branco disse...

é gestor de activos ou olheiro?
Não indicou Pishyar ao Beira-Mar, pois eu tenho de fonte segura que indicou como alternativa à Naval 1º de Maio. Colaboração do Ulisses Santos, o tal empresário que punha jogadores na Naval e agora põe-nos no Beira-Mar.
Majid ajudou o clube no passado? Perdão, até hoje não vi nada...
O clube tem uma carteira de jogadores alicerçada no Ulisses Santos? -Não, não senhor. Que ideia maluca.
Consegue dar um exemplo concreto do que mudou no futebol do Beira-Mar com a SAD?

"Quando chegámos ao Beira-Mar, o Yohan Tavares tinha uma cláusula de rescisão de 300 mil euros. Renovámos contrato e estabelecemos dois milhões de cláusula indemnizatória. Mas há mais: no Beira-mar acabaram os jogadores a custo zero. Por isso estamos a procurar renovar com todos os que interessam e que é do domínio público" - Ai não? O que é que aconteceu ao Ruben Lima?

Há aqui tanta falsidade meu deus. E que tal esse Nuno Patrão dizer publicamente que já entachou o irmão na SAD?