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sexta-feira, 28 de outubro de 2005

A entrevista do Presidente

O Presidente Artur Filipe concedeu uma entrevista ao suplemento do Beira-Mar no Diário de Aveiro que o site do clube publica esta semana. Antes de continuarem a ler este post, recomendo uma leitura integral à referida entrevista, pois os excertos a que se referem os meus comentários estão inseridos num determinado contexto e seguimento da entrevista que eu procurei respeitar.
«Não pretendia encontrar o Beira-Mar com um elevado fundo de maneio, no entanto, esperava encontrá-lo sem dívidas, ou seja, sem créditos e sem débitos. Aliás, foi o que pensei encontrar no Clube.»
Eu não ponho em causa que a actual direcção tenha encontrado o clube com dificuldades de tesouraria e com problemas que careciam de resposta urgente. Ainda assim, parece-me normal na vida de qualquer instituição que existam sempre créditos e débitos, pois o clube não pode parar a sua actividade por se aproximar um período eleitoral.
«…já pus mãos à obra e estou cá para resolver os problemas. As situações fáceis não dão tanto gozo. Estou plenamente convencido que no fim do meu mandato este clube irá ficar bastante melhor do que aquilo que eu encontrei.»
É este o discurso empreendedor de quem não vira a cara à luta que dignifica o SC Beira-Mar e quem o serve ou o representa.
«O Beira-Mar não tem património algum.»
Pelo que conheço do clube esta afirmação suscipta-me dúvidas. Então as piscinas? E o pavilhão - mesmo sabendo que há algumas dúvidas quanto ao registo? E o andar no Edifício Avenida que está no protocolo de permuta com a CMA? Estou a referir-me aos bens imóveis, mas penso que os nossos jogadores (veja-se o interesse de outros clubes em jogadores como o Alcaraz e o Tininho, por exemplo), os nossos funcionários, o nosso material de trabalho, os nossos sócios e todos aqueles que colaboram com o clube e, até mesmo os oitenta e três anos de história também sejam património importante...
«É um clube com dignidade, que deve representar uma região. Aliás essa é uma preocupação desta direcção; representar uma região e não o concelho.»
Eu também concordo com esta visão regional para o clube. Contudo, acho que ainda há muito por conquistar ao nível do conselho de Aveiro. A cidade ainda está divorciada do clube e de nada vale pensar no “clube das Beiras” ou da “IP5” quando nem Aveiro (concelho) ainda é “nosso”.
«A situação com a qual me deparei aqui no Clube, em termos de modalidades, não é muito favorável. Os atletas são quase todos remunerados…»
Fiquei com dúvidas sobre quais as modalidades ditas amadoras em que os atletas são remunerados. Pelo que sei, mas posso estar enganado, apenas os jogadores do plantel sénior de futsal têm alguma remuneração mas que não se traduz em nenhum salário e são custos que a própria secção tem suportado.
«…próprio Augusto Inácio, que refere ainda que o Clube no caso de uma hipotética subida apenas necessitará de três ou quatro reforços para ser competitivo.»
Parece-me uma boa perspectiva por parte do técnico mas o futebol é demasiado efémero e o mercado dita as suas leis. A propósito do sufoco financeiro, é bem provável que o Beira-Mar tenha que abdicar de alguns jogadores importantes, pelo que os três ou quatro "reforços" deverão traduzir-se em mais.
«Existe um protocolo assinado com a Câmara Municipal de Aveiro no qual se refere que a Sede do Beira-Mar, bem como o Pavilhão, teriam que estar operacionais até ao fim do mês de Outubro. No entanto, nada foi feito até agora. Portanto, também é uma aposta nossa.»
Vou aqui lançar um "bitaite" que gostava de ver discutido. Fala-se muito na Sede e no Pavilhão. Eu pergunto, porque não pode o Pavilhão situar-se no centro da cidade (local a definir pela CMA em conjunto com o Beira-Mar) e congregar em si um edifício de apoio onde seja a sede social do clube? Ou seja, em vez de andarmos a pugnar pela construção, por parte da CMA, de duas infra-estruturas para o clube, penso que seria mais eficaz comungar esforços no sentido de encontrar um único local e uma única infra-estrutura que desempenhe estas duas funções: Pavilhão e Sede social.
«Até agora, ainda não se preparou uma situação que chamasse a nova população ao estádio. Estamos a estudar e analisar diversas ideias relacionadas com isso e espero que durante este mandato se consiga trazer mais adeptos ao estádio.»
Eu acho que esse é um dos desafios mais importantes que pode e deve começar já este ano mesmo estando o Beira-Mar na Liga de Honra. O clube não pode ficar refém dos sucessos desportivos para ter gente a senti-lo e a vivê-lo. As vitórias atraem adeptos mas há outras formas de cativação que se devem já aplicar no terreno.
«As SADs que têm sido constituídas e formadas nos seios dos clubes têm corrido mal. Penso que no futebol nunca irão resultar muito, o que não quer dizer que o Beira-Mar não venha a passar por uma situação dessas…»
Não consegui perceber qual é afinal a posição do Sr. Artur Filipe sobre as SAD…

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