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domingo, 10 de setembro de 2006

A teia do Futebol...

Num momento em que mais gente começa a contestar e a escrever sobre o futebol, decidi, como amante da modalidade, também escrever e tentar dar o meu pequeno contributo para aclarar os que me leiam, esta situação problemática que há muito existe, mas que pelo poder instituído no futebol e pela inércia dos nossos governantes, tem-se arrastado e apesar do caso “Apito Dourado” e outros antecedentes como “viagens ao Brasil”l e os “quinhentinhos” já indicativos da podridão, veio à baila com contornos de escândalo o “Caso Mateus”, que sem querer ser juiz em causa alheia (por não ter conhecimentos para julgar), desejo que o Fiúza e o seu clube levem até ao fim as suas razões para que a FIFA nos interdite de participar nas competições europeias, tanto quanto a nível de clubes como de selecções. Não me chamem apátrida ou qualquer outro nome, mas penso que só assim, haverá uma lavagem nesta indústria, tão rentável na minha perspectiva e que move milhões de euros e pessoas, sendo apaixonante e lindo, quando jogado com fairplay e verdade desportiva, sem se antever as vitórias ou derrotas antes dos jogos se realizarem. Ou agora ou nunca… E o nosso futebol definhará e morrerá, a única indústria na qual ainda conseguimos competir a nível europeu e mundial, com resultados que nos engrandecem e nos fazem sentir orgulhosos do nosso rectângulo. Veja-se as multidões que arrastam os jogos da selecção nacional e das competições europeias, porque as pessoas ainda acreditam que nestas a credibilidade, a honestidade, e valor das equipas ditam a justeza dos resultados. Mas o vil metal…! São biliões de euros a rolar e tanto a FIFA como a UEFA são multinacionais puras com o objectivo do lucro. O nosso futebol está carcomido e a extinguir-se, porque os seus dirigentes nacionais, são os mesmos à anos inesquecíveis e pelo conhecimento que tenho estão hipotecados uns aos outros por tráfico de influências e por interesse de continuidade nos seus postos, embora digam sempre antes das eleições que estão cansados e não precisam do futebol para nada. Por ser um interessado e atento espectador a estes meandros, vou tentar descrever os principais dirigentes dos diversos órgãos que dirigem o nosso futebol. Gilberto Madail: Fez incursões pelo futebol no Beira-Mar, como Presidente, um ano ou dois no máximo e depois ascendeu para a Associação de Futebol de Aveiro, deambulou pela política (Governador Civil e Deputado) e fixou-se como Presidente da FPF com o tráfico de influências que sempre terá de existir para se ascender e manter tantos anos, já lá vão mais de dez anos que este senhor é o principal responsável, com a anuência e aprovação de nomes como Pinto da Costa, Valentim Loureiro, Mesquita Machado, Pinto de Sousa, António Henriques (foi Presidente do Marítimo e hoje é Presidente da Associação de Futebol do Funchal), além de outros onde pontifica o dinossauro Adriano Pinto (Presidente da AF do Porto), qualquer dos nomes referidos tem mais de 20 anos de ligação ao futebol, zangam-se aqui e ali mas os altos interesses voltam a junta-los ou então são “zangas públicas” para disfarçar. Valentim Loureiro: O patrão dos patrões dos clubes seus aliados, sabe movimentar-se e cultivar simpatias, é o grande rosto do Apito Dourado. Foi Presidente do Boavista muitos anos, político quanto baste e Presidente da liga mais de uma dúzia de anos intercalados. Acumulou presidências no futebol, política e empresas públicas e privadas, foi Cônsul da Guiné em Portugal, enfim, o homem dos sete-ofícios, como se diz na gíria popular. Raposa velha colocou o filho no seu clube como Presidente e fez dele campeão nacional com incursões com sucesso nas competições europeias. Nesta altura as relações com Pinto da Costa esfriaram e até se tornaram inimigos, porque a luta por um lugar na Liga dos Campeões deu lugar ao título que o Papa julgava como adquirido. O Apito Dourado provocou no Valentim um abalo maior que um sismo e voltou aos beijos e abraços com Pinto da Costa, também envolvido neste escândalo. Como a união faz a força, os dois com a esperteza que têm sabiam que podiam beneficiar das duas maiores forças políticas do País. No centro estava a virtude. Presidentes de Associações: Já falei dos principais no início deste texto, mas António Henriques, Adriano Pinto e Pinto de Sousa eram uns dos grandes suportes do “sistema” no futebol profissional e não profissional. Pobre Dias da Cunha que sai do futebol como xé xé. Estranha-se ou não os graus de parentesco entre personalidades como Valentim Loureiro e Pinto de Sousa e António Henriques e Pinto da Costa…existem. Arbitragens: Neste sector, os laços familiares directos e indirectos são mais que muitos e o tráfego de influências inicia-se logo no começo da carreira dos árbitros, começando logo nos campeonatos distritais, a fazer a vontade aos senhores das Associações. Com jeitos e compadrios se inicia assim a carreira viciada de um árbitro que devidamente apadrinhado chega a internacional em poucos anos. Mas fazendo um exercício de memória vou citar alguns nomes da arbitragem da primeira categoria e o seu grau de parentesco com elemento ligados há muito ao mundo do futebol. Paulo Paraty: Internacional, filho de Armando Paraty ex-árbitro e irmão de outro árbitro internacional de Futsal Miguel Paraty. Rui Costa: Irmão de Paulo Costa internacional no activo. Carlos Xistra: Filho de um elemento importante da Associação de Futebol de Castelo Branco. Artur Soares Dias: Filho de um ex-árbitro internacional e hoje observador de árbitros. Augusto Duarte: Filho do ex-árbitro Azevedo Duarte e também já teve um irmão na primeira categoria despromovido em 2004/2005. André Santos: Filho de Martins dos Santos antigo árbitro que há bem pouco de retirou. Mais exemplos poderiam apontar se envolvêssemos aqui os observadores dos árbitros e os observadores dos observadores dos árbitros. Este artigo vai ter continuação para falar dos agentes desportivos (empresários de jogadores), políticos e a miscelânea explosiva que toda a gente referida e a referir provoca nos meandros do Futebol.
in blog O Arauto da Ria

1 comments:

Anónimo disse...

nuno o jogo de hoje demonstra bem a TEIA do futebol..

serão os conhecimentos de Domingos?..isto dá vergonha só de ver esta roubalheira toda..vamos apoiar o nosso BEIRA que aos olhos de todos excepto os dos interessados..digam-se os leirienses e o arbrito, foi o vencedor do jogo dando como jardel o disse um SHOW DE BOLA!