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terça-feira, 13 de março de 2012

Os horários do futebol

No dia em que a oito jornadas (!) do final do campeonato a Liga Portuguesa decide o alargamento do próximo campeonato a 18 equipas, nada como analisar o horário da próxima jornada da nossa liga para se perceber o estado em que se encontra o futebol português. Dos oito jogos que compõem a jornada, temos quatro dias de futebol, de sexta a terça, e nenhum jogo é realizado em simultâneo. Há cerca de um ano ouvi uma entrevista numa radio nacional com o provedor do adepto da Liga Portuguesa que, quando questionado com os horários do nosso futebol, dizia que até era um factor positivo porque permitia aos adeptos ver in loco mais do que um jogo na própria jornada. Claro que com argumentos deste calibre, qualquer visão empírica dos factos fica completamente desarmada. Estamos na fase de estar à frente de todas as outras ligas da Europa, onde todos os outros estão errados e apenas nós estamos no caminho correcto. A verdade é que desde há muito tempo, o nosso futebol é comandado por uma empresa que aproveitando o estado de bancarrota da totalidade dos clubes em Portugal, conseguiu o monopólio das transmissões televisivas, gerindo a seu bel prazer os horários dos nossos jogos. Desta forma o futebol passou a ser orientado para o adepto de sofá e não para o adepto que vai ao estádio. E contra este monopólio não há clube que se atreva a contestar porque cada vez mais os clubes precisam do balão de oxigénio proveniente das receitas televisivas. O episódio do alargamento do campeonato do próximo ano mostra bem o desnorte da nossa liga. A lógica é apenas uma: mais jogos (independentemente da sua qualidade) significam mais transmissões e, portanto, mais receitas. A questão de fundo é que, salvo raras excepções, o espectáculo é cada vez mais deprimente e os estádios vêem-se gradualmente com menos público. Por este andar corrermos o risco de ver jogos à porta fechada, cujas receitas de bilheteira, na grande maioria, não chegam sequer para para cobrir os custos com a organização dos jogos. A exagerada diferença de receitas entre a primeira e a segunda liga é, na minha opinião, a primeira causa para o descalabro financeiro dos nossos clubes. O cenário de uma descida divisão significa muito mais do que um fracasso desportivo: é também um pesadelo financeiro, uma vez que os custos descem marginalmente, enquanto as receitas caem de uma forma exponencial. Este facto explica as loucuras cometidas para que as equipas se mantenham na primeira divisão. Este sim, deveria ser o primeiro passo no sentido de tentar tornar as nossas ligas profissionais mais equitativas. Ao invés encontra-se a solução mais fácil, com efeitos no curto prazo, mas errada naquilo que deveria ser o rumo a médio prazo dos nossos campeonatos.

3 comments:

miguel tomaz disse...

Mas que diferença quando neste blogue se lê as opiniões do Nuno Quintaneiro e do Francisco Dias.

È pena serem poucas e continuamente abafadas por outros artigos sem qualidade nenhuma...

Obrigado Francisco. Só te pedia que tu e o Nuno pegassem nas rédeas deste grande blogue!

Anónimo disse...

Está aqui tudo dito. A Olivedesportos põe e dispõe no futebol português. Não me admiro nada que seja ela a determinar também, em cada ano, quem vai ser o campeão nacional.
Parabéns pelo post.

Rui Almeida disse...

post pertinente!mas há outra coisa que devia ser tomada em conta,que tem a ver com a associaçao de futebol de aveiro,acho ridiculo,os jogos da distrital de aveiro,coincidirem com os horários dos jogos de beira-mar,sei por conhecimento de alguns atletas de aveiro,que se fossem jogados, os jogos das distritais, em outros horários,o beira-mar ganharia muito mais público!afinal,o beira representa o distrito,e é a nossa "bandeira"