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terça-feira, 6 de março de 2012

Rescaldo da Assembleia Geral

A Assembleia Geral de ontem à noite, apesar de algumas "crispações" desnecessárias e diálogos cruzados, penso que foi esclarecedora quanto aos seus objectivos. Julgo que, finalmente, os sócios do Beira-Mar se aperceberam que o conteúdo contratualizado com o investidor Majid Pishyar não corresponde, exactamente, ao que foi prometido aos sócios, em Maio último, aquando da aprovação da SAD.
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A este propósito, repare-se que o passivo do clube que o investidor teria que assumir (€ 2.966.501,28 em 08/08/2011), acabou por cair, em sede de negociação, para a SAD (cujo capital social é de 1 milhão de euros e o investidor, através da 32 Group, apenas liquidou 50% da sua participação > € 424.998,50 < diferindo o pagamento dos restantes 50% para o prazo legal > 2 anos < ). Durante a reunião, perante a insistência dos sócios, a direcção foi justificando com "dificuldades de tesouraria" a morosidade da SAD na liquidação do passivo do clube. Convenhamos que, o facto do passivo ter sido assumido pela SAD e não pelo próprio investidor, através do 32 Group, constitui só por si um sinal inequívoco de vulnerabilidade do grau de compromisso do mesmo com o projecto. Contudo, a justificação dada pela direcção fundamentada nas dificuldades de tesouraria da SAD esbarra numa premissa que a direcção contratualizou com o investidor e que era do desconhecimento dos sócios. Na Adenda ao Protocolo entre o SC Beira-Mar e o 32 Group, assinado em 08/08/2011, consta que, durante cinco anos (2011 a 2016), 90% das receitas relativas aos direitos económicos dos jogadores da SAD serão proveito do 32 Group! Ou seja, a mesma SAD que assume o passivo do clube, o qual carece de receitas extraordinárias para ser liquidado com urgência, vê uma parte do seu "core business" alienado ao 32 Group durante os primeiros cinco anos de actividade! Nestes termos, como é que alguém poderia esperar que a SAD conseguisse, rapidamente, libertar recursos para liquidar o passivo do clube?
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No mesmo documento, no ponto 10, refere-se que a SAD será responsável pela liquidação dos débitos do clube, mas não se estabelece qualquer prazo para o efeito...
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Sobre a questão da salvaguarda do Pavilhão do Alboi (foi referido aos sócios como um dos pressupostos de criação da SAD), não encontrei qualquer referência nos documentos.
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Nesta Assembleia, ficámos ainda a saber que a SAD utilizou indevidamente mais de 100 mil euros de receitas do clube provenientes da quotização dos sócios, dinheiro esse que ainda não foi restituído ao clube.
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De referir, ainda, que o único pressuposto de constituição da SAD assumido pela direcção, em Maio último, que se encontra totalmente concretizado é a assunção por parte da SAD do quadro de funcionários do clube. Actualmente, o clube tem apenas um funcionário.
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Nesta Assembleia, ficámos ainda a saber que os 5% de participação dos sócios no capital da SAD (outro dos pressupostos anunciados pela direcção em Maio último) não foi cumprido porque, segundo António Regala, o Sr. Nuno Patrão não terá dado conhecimento dessa situação ao Sr. Majid Pishyar.
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Noutro âmbito, fomos informados que a Câmara Muncipal de Aveiro, no âmbito do programa "parque da sustentabilidade", já notificou o SC Beira-Mar para abandonar o campo de treinos junto ao Estádio Mário Duarte (antigo).
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Quanto à Academia de Futebol, de referir que as equipas de iniciados, juvenis e júniores estão sob alçada da SAD e que as quantias em dívida (cerca de 56 mil euros), nomeadamente a treinadores, estão a ser liquidadas dentro das possibilidades da SAD.
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Por último, registo a posição humilde, sensata e inteligente do Dr. Jaime Machado, membro da direcção e administador da SAD em representação do clube. Das intervenções da direcção, foi a única que me pareceu lúcida e esclarecida, pois reconheceu implicitamente que a negociação com o investidor não foi a melhor e que existe "insatisfação" por parte da direcção do clube perante o "incumprimento" do investidor, o qual só tem dúvidas que se possa accionar judicialmente devido ao teor dos contratos celebrados.
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Crédito: Fotografia que ilustra este post retirada do sempre actualizado Portal Notícias de Aveiro

5 comments:

Anónimo disse...

Brilhante...Então e quem foi o(s)crâneos(s) e a supercompetência(s) que elaborou o documento de constituição da SAD?... Amadorismo puro para classificar isto tudo, chega???

Francisco Dias disse...

Por questões familiares não pude comparecer na AG. Registo no entanto, tirando pontuais excepções, o tom moderado com que decorreu. Do bom resumo que aqui colocaste, para mim o segundo parágrafo diz e explica tudo o que te ocorrido até aqui. A dívida passou para a SAD, os direitos económicos dos jogadores passaram para a 32 Group. Jogada de mestre do nosso "investidor". Fazendo as contas, e sabendo-se que já foram vendidos alguns jogadores, nomeadamente o Rui Sampaio, no limite o "investidor" ainda consegue um bom lucro com o seu "investimento" no Beira-Mar. Percebe-se pois o papel de algumas figuras que gravitam na nossa SAD. Quanto ao pavilhão, admito que nada esteja expresso no acordo, uma vez que a penhora deriva de dívidas existentes do clube. Se essas dívidas fossem regularizadas não havia penhora, logo o pavilhão manter-se-ia no clube. Penso que será qualquer coisa assim. Pergunto-me agora, do ponto de vista jurídico, se o clube não poderia ter feito nada para salvaguardar o seu património, uma vez que o passivo passaria a ser responsabilidade da SAD. A questão de fundo é que, como sempre, o futebol profissional absorve os recursos existentes e os inexistentes, seja com ou sem SAD. Face ao que aqui expuseste não estou a ver como convencer o "investidor" a dar o salto. Tem um contrato leonino, e daqui até 2016 está mais do que protegido. Se a coisa correr mal, declara-se a insolvência.

Anónimo disse...

Haja quem tenha 50% do capital da sad, somado ao valor dos suprimentos e o problema está resolvido.

Emídio Martins disse...

Sobre o conteúdo e conclusões da AG de ontem e cujo objetivo central era o de conhecer o teor do protocolo assinado entre o Clube e a SAD, está praticamente resumido no Post, do qual, realçamos a existência de uma terceira entidade envolvida, a 32 Group, a quem são concedidos 90% dos direitos desportivos dos jogadores da SAD a transferir, seus ATIVOS, durante um período de 5 anos. Assim segundo António Regala o investidor espera ser ressarcido pelo investimento que deveria efetuar na liquidação do passivo do clube, existe apenas uma pequena nuance, quem o assumiu foi a SAD e não o Investidor, comentários? Não os vou fazer, assim como os não farei relativamente aos 5% de subscrição de ações da SAD pelos sócios, um dos pressupostos da proposta de constituição avançados pela Direção do Clube para a aprovação desta SAD, igualmente não os farei relativamente à ausência de uma calendarização para resolução do Passivo, quando se sabia que relativamente aos créditos dos ex-dirigentes todos os prazos estavam ultrapassados e não existia margem negocial, a menos que alterassem a sua atitude, quando em momento algum deram sinais disso e com uma decisão do Tribunal que lhes era favorável…
Saúdo a AG de ontem, a primeira desta nova era do SCBM associativo, saúdo a lucidez dos jovens associados na iniciativa que tomaram e nas questões que colocaram, não foram muitos os que compareceram, mas evidenciaram uma atitude cívica que devemos enaltecer, revelaram a sua preocupação com o essencial, atitude que me faz acreditar que temos um grupo de associados capaz de fazer renascer o CLUBE das cinzas.
Compreendi, também, que o Sr.Pishyar, já deu luz verde à Direção para que esta trate da sua substituição na SAD, caminho preparado já pelo Presidente António Regala quando em recentes declarações públicas referiu que aquele deixou cair o SERVETTE, porque sentia que não tinha a cidade com ele, ora em Aveiro nem a CMA (que não está nem nunca esteve com o Clube) nem as suas gentes dão mostras de estar com o Clube, portanto… resta-nos perceber quais as condições que colocará para alienar a sua posição na SAD e se estas serão atrativas para a tomada de posição por outra entidade, sabendo nós que a manutenção na 1ª LIGA é aquela que apresenta maior atratividade, o valor do GODWILL do negócio passa por aqui.
Uma nota também para a reação do Presidente do Clube aquando da divulgação do Protocolo entre a SAD, o Clube e a 32 GROUP, ao evidente incomodo opôs a tática da vitimização, quando até lá a sua postura tinha sido digna das famigeradas e simpáticas conversas em família do final do estado novo, ainda não entendeu que a partir da constituição da SAD emergiu o Beira-Mar associativo e nas AGs, os resultados desportivos do Futebol profissional dão lugar a discussões bem mais interessantes e delicadas, os associados palavrosos e truculentos deram lugar a associados focados na génese do CLUBE, desta vez não apareceu o associado que os convidou a saborear o sucesso, e que os ajudou a chumbar a autorização de constituição de uma SAD em 2010, mas associados preocupados com o futuro do Clube, grande e significativa evolução.
Finalmente uma pergunta que não foi feita, (não a fiz para não ser mais uma vez acusado de oposição), o que justifica que as contas do exercício de 2010/2011, não tenham sido apresentadas (?), afinal a constituição da SAD data apenas de Agosto de 2011, quando o ano económico do Clube encerrou a 30 de Junho, portanto um evento já referente ao exercício seguinte e que poderia de alguma forma introduzir alguma entropia se tivesse ocorrido no decurso do ano económico 2010/2011 e ser determinante no atraso de apresentação de contas.
Como Beiramarense desejo que esta Direção consiga inverter este estado em que o Clube e a SAD se encontram, embora confie mais nesta nova geração de associados, que começa agora a intervir ativamente na vida do Clube, pois não tenho dúvidas, se esta inversão não acontecer irão chamar a si a refundação do BEIRA-MAR.

Anónimo disse...

Dr Nuno Quintaneiro
Felicito-o pela intervenção na assembleia. Fez o trabalho de explicação dos protocolos que eu esperava que fosse a direção a fazê-lo.
Também me considero enganado com esta situação. Tenho o meu filho numa das modalidades e já estou a ver que no próximo ano terei que mudar de clube. Pensei que a sociedade anónima salvasse o pavilhão. Afinal venderam-nos gato por lebre.
Confesso que não sei o que fazer.
É uma tristeza muito grande que sinto.